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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Amazon preocupa investidores, com prejuízo no 1º tri e projeções fracas

PASCAL ROSSIGNOL
Imagem: PASCAL ROSSIGNOL
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Rafael Bevilacqua

02/05/2022 09h14

Hoje comentaremos os resultados decepcionantes da gigante norte-americana de tecnologia e e-commerce Amazon referentes ao primeiro trimestre de 2022.

Confira a seguir o comentário de Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento, sobre o tema. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e avaliações de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimento. Este conteúdo é acessível para os assinantes do UOL. O UOL tem uma área exclusiva para quem quer investir seu dinheiro de maneira segura e lucrar mais do que com a poupança. Conheça!

Amazon preocupa investidores

A Amazon (NASDAQ: AMZN), empresa norte-americana com forte presença no varejo digital e em serviços web, divulgou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2022 na quinta-feira (28), após o fechamento dos mercados.

O balanço da companhia não apenas decepcionou os investidores, como levantou preocupações sobre o futuro da Amazon, uma vez que o guidance, ou seja, a projeção para o segundo trimestre, veio ainda mais desanimador do que os últimos resultados.

A receita líquida da companhia totalizou US$ 116,44 bilhões, crescimento de 7,3% na comparação anual —o mais lento em cerca de duas décadas. Para o segundo trimestre, a companhia projeta um crescimento ainda menor, de 4,8%, para US$ 118,5 bilhões.

Além disso, a companhia reportou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no período, o que corresponde a um prejuízo por ação de US$ 7,56. No primeiro trimestre de 2021, o lucro da Amazon foi de US$ 8,1 bilhões, ou US$ 15,79 por ação.

Contudo, é preciso separar os negócios da Amazon em dois segmentos distintos para entender melhor os seus resultados.

A despeito de ter ficado mundialmente conhecida como "a loja de tudo", boa parte da rentabilidade vem de seu negócio serviço de computação em nuvem, chamado AWS (Amazon Web Services). O negócio de varejo tem uma cadeia complicada e tem margens baixas. O negócio de AWS, por outro lado, é mais simples e tem margens altas. Enquanto o varejo dá margem líquida na casa de 2%, AWS tem margens acima de 30%.

Boa parte do desempenho negativo da companhia se deve à piora dos resultados na área de varejo. Os custos de envio em todo o mundo aumentaram 14%, para US$ 19,6 bilhões. Enquanto isso, a receita de vendas de lojas online caiu 3% e a receita de serviços de vendedores terceirizados aumentou 9%.

A inflação está expondo os perigos do modelo de comércio eletrônico de margem baixa, que condicionou os clientes a esperar preços baixos e entrega rápida. O famoso CAC —custo de aquisição do cliente.

Por outro lado, as vendas em seu serviço de computação em nuvem aumentaram 37% na comparação anual, em linha com o que os analistas esperavam.

A AWS continuou a se destacar como uma máquina de lucro mesmo com a concorrência de Microsoft, Google e outros, com receitas subindo para US$ 18,44 bilhões (de US$ 13,5 bilhões um ano atrás, contra expectativas de US$ 18,34 bilhões).

Não é de hoje que se fala na separação dos negócios da Amazon em novas empresas, totalmente independentes. Esse movimento tem acontecido com frequência em negócios industriais, e pode ser uma alternativa para a retomada dos bons resultados da companhia —ou ao menos de boa parte dela.

Na sexta-feira (29), as ações da Amazon fecharam em queda de 14,05%, cotadas a US$ 2.485,63.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.