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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Coinbase corta 1.100 empregos em meio ao 'inverno cripto' e teme recessão

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Imagem: iStock
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Rafael Bevilacqua

15/06/2022 09h17

A corretora de criptoativos Coinbase (Nasdaq: COIN) informou na terça-feira (14) que cortará 18% do seu pessoal, ou 1.100 empregos, com o intuito de reduzir custos em meio ao cenário desafiador para o mercado cripto.

Os motivos para o corte são a rápida deterioração das perspectivas para os criptoativos no curto e no médio prazo, tendo em vista a persistência da inflação global e os movimentos de alta dos juros em algumas das principais economias do planeta, especialmente nos Estados Unidos.

Confira a seguir o comentário de Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento, sobre o tema. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e avaliações de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimento. Este conteúdo é acessível para os assinantes do UOL. O UOL tem uma área exclusiva para quem quer investir seu dinheiro de maneira segura e lucrar mais do que com a poupança. Conheça!

Após anos de juros próximos de zero e uma altíssima liquidez nos mercados, conjuntura que favorecia ativos de alto risco, os investidores se depararam com uma súbita mudança de cenário.

Com a redução da liquidez global e a perspectiva de que os juros devem ultrapassar o patamar considerado neutro nos EUA, ativos mais defensivos, especialmente os de renda fixa, voltam a ser os queridinhos do mercado, e os ativos digitais enfrentam o primeiro inverno após a febre cripto da pandemia.

Brian Armstrong, CEO da Coinbase, teme que a economia esteja caminhando para uma nova recessão, o que pode causar um longo período de desvalorização dos criptoativos, conhecido como "inverno cripto".

Esse inverno, na verdade, parece já ter começado. O bitcoin, principal criptomoeda do mercado e carro-chefe da Coinbase, recuou do pico de US$ 68 mil em novembro do ano passado para cerca de US$ 20 mil —uma desvalorização de mais de 66%.

Em um movimento ainda mais assustador, as ações da corretora, que encerraram seu pregão de estreia na Nasdaq cotadas a US$ 328,28, fecharam em queda de 0,83% na véspera, cotadas a US$ 51,58. Isso equivale a uma desvalorização de 84% em pouco mais de um ano.

Os próximos anos serão particularmente difíceis para a companhia, e para o mercado como um todo, e os cortes anunciados pela Coinbase mostram que suas lideranças estão cientes desse fato. Os papéis da companhia devem seguir em queda no curto prazo, acompanhando o mau humor do mercado com relação aos criptoativos.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.