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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Suzano aumenta preço da celulose, mas ação está no negativo; devo comprar?

Getty Images
Imagem: Getty Images
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Rafael Bevilacqua

28/06/2022 09h20

A Suzano (SUZB3), maior produtora de celulose do mundo, anunciou que elevará novamente os preços da celulose em julho, em um movimento que reflete o momento extremamente favorável para os produtores da matéria-prima.

Confira a seguir o comentário de Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento, sobre o tema. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e avaliações de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimento. Este conteúdo é acessível para os assinantes do UOL. O UOL tem uma área exclusiva para quem quer investir seu dinheiro de maneira segura e lucrar mais do que com a poupança. Conheça!

O aumento comunicado pela Suzano gira em torno de US$ 20 e US$ 40 por tonelada de fibra curta, celulose proveniente do eucalipto. Na Ásia, por exemplo, o reajuste anunciado para julho foi de US$ 20 por tonelada, atingindo um patamar de US$ 860 na China. Já na Europa e na América do Norte, os aumentos foram de US$ 30 e US$ 40, alcançando os valores de US$ 1.380 e US$ 1.610 por tonelada, respectivamente.

A Suzano se destaca por possuir um dos custos mais baixos do setor, principalmente por causa do menor tempo necessário entre plantar a árvore e transformá-la em papel e da menor distância entre a floresta e a fábrica.

Além disso, pensando no longo prazo, o Projeto Cerrado aumentará a produção da companhia em 21,5%, além de reduzir ainda mais seu custo-caixa de produção. Por conta da forte geração de caixa atual, a alavancagem se mantém estável, mesmo com os altos desembolsos do projeto, e deve se reduzir gradualmente após o início das operações.

Contudo, mesmo com os altos preços da celulose e o dólar se mantendo em patamares elevados, as ações da Suzano não vêm desempenhando de acordo, apresentando uma queda de quase 20% no acumulado do ano, contra um aumento de cerca de 40% no preço da commodity.

O desempenho negativo se deve, principalmente, às preocupações de curto prazo do mercado sobre o preço da celulose e os maiores custos operacionais da companhia. No contexto atual, avalio que uma desaceleração mais forte da economia global e os relevantes aumentos na oferta são pontos a se monitorar.

Contudo, acredito que esses fatores negativos já estão incorporados nos preços das companhias, deixando mais espaço para surpresas positivas do que negativas. Sigo otimista com as empresas do setor, que possuem fortes vantagens competitivas e importantes projetos de aumento de capacidade e redução de custos, sendo ótimas opções para o longo prazo.

As ações da Suzano fecharam em alta de 2,15% na segunda-feira (27), cotadas a R$ 48,88.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.