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Opções: o que são e 4 tipos de operação para você investir melhor

Saiba como investir em opções na Bolsa de Valores - Getty images
Saiba como investir em opções na Bolsa de Valores Imagem: Getty images
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Bruno Thadeu

Colaboração para o UOL

26/03/2021 04h00Atualizada em 16/04/2021 17h08

Conhecimento e boas estratégias são essenciais para quem opera na Bolsa de Valores em opções. Caso contrário, o risco de jogar dinheiro fora é grande. Tão importante quanto visualizar uma boa oportunidade, é ter em mente o plano certo de operação para cada momento na Bolsa.

Nas opções você pode comprar o papel projetando sua subida ou a sua descida - diferentemente das ações, em que só dá para projetar o crescimento. Portanto:

  • Se você acha que um papel vai subir, então o indicado é comprar opções call.
  • Se você acha que um papel vai cair, então o indicado é comprar opções put

Além disso, a opção tem prazo para vencer, diferentemente das ações. A opção ainda se movimenta conforme o preço da respectiva ação. A opção é uma derivação da ação. Por essa razão, a opção é um derivativo, e a ação é um ativo. O UOL Economia+ explica abaixo quatro maneiras de operar com derivativos e explica se vale a pena.

1 - Entrar comprado em opções

Esse é o modelo de operação mais usado com opções. Quem entra comprado em opções tem prejuízo limitado e ganho ilimitado. Ao comprar os derivativos, a expectativa é que a ação se movimente em direção ao preço-alvo (strike) da opção que você adquiriu dentro do vencimento da opção comprada.

Exemplo 1

Vamos supor que você acredita que a ação de uma empresa vai subir. O ativo está custando R$ 50. Sua projeção é que essa ação pode ser superior a R$ 53 nas próximas semanas. Então você compra a opção call de preço-alvo R$ 53 que estava sendo vendida na Bolsa por R$ 0,50. Essa opção vai se encerrar daqui 45 dias.

Você comprou 1000 unidades da opção dessa empresa. Total investido: R$ 500. Agora, você torcerá como nunca para que a ação suba. O ideal é que a ação ultrapasse o valor do seu strike (R$ 53).

Imagine que a ação já superou a barreira dos R$ 53. Quanto maior for o preço da ação, maior também será o preço da opção. Dez dias depois de você ter entrado na operação, a ação já está valendo R$ 56, bem acima do strike da opção (R$ 53).

O preço da sua opção, ao mesmo tempo, subiu para R$ 1,80. Perceba que você acertou que o ativo subiria e também acertou que o ativo subiria dentro do vencimento da opção. De nada adiantaria o papel subir depois do fim do prazo da opção.

Partindo do princípio que ainda faltam 35 dias para o fim da opção, e o valor atual da opção está em R$ 1,80, veja como ficaria seu saldo se você encerrasse a operação agora.

Você havia comprado 1.000 unidades da opção call por R$ 0,50 = R$ 500

Se você vender as 1.000 unidades por R$ 1,80 = R$ 1.800

R$ 1.800 (valor vendido) - R$ 500 (valor comprado) = R$ 1300

Lucro na operação = R$ 1.300 (sem contar taxas).

Exemplo 2

Agora vamos supor que a ação sofreu queda e o preço do ativo agora está em R$ 46. Com isso, o preço da opção caiu para R$ 0,22.

Já se passaram 30 dias. Restam 15 dias para o vencimento da ação. Para que o ativo suba de R$ 46 para R$ 53, a ação terá que subir mais de 15% em 15 dias.

Nessa hora, você pensa: "vou sair agora da operação porque acredito que a ação não terá força para subir bastante".

Aí você decide encerrar a operação a 10 dias do término da opção. Você vende as 1.000 unidades da opção por R$ 0,22. Total de R$ 220.

O cálculo final da sua operação será:

R$ 220 (valor que você vendeu) - R$ 500 (valor que você comprou)

Total: prejuízo de R$ 280.

"Quem entra comprado a seco pode ter ótimo rendimento se der tudo certo, mas também corre o risco de perder tudo aquilo que comprou. O ideal é que a pessoa invista de 1% a 3% de sua carteira ou de 20% a 25% daquilo que tiver na poupança", afirma o matemático Su Choung Wei, da página "Mestre dos Derivativos" na web.

2 - Operação usando ação e opção

Muitos investidores montam operações usando ação e opção simultaneamente para proteger a carteira. Na teoria, a estratégia é a seguinte: se a ação se desvalorizar, a opção, em contrapartida, se valorizará.

Esse tipo de operação é chamado "hedge". No mercado financeiro, hedge é toda estratégia que visa proteger a carteira e obter lucro. Estratégias de hedge podem envolver duas ou mais operações simultâneas em que cada papel protege o outro.

O bom balanceamento dos papéis é fundamental para que a operação "casada" dê certo.

Imagine que você tem 1.000 ações da empresa A. O preço atual do ativo é R$ 22. O patrimônio desse ativo, portanto, é de R$ 22 mil.

Com receio de ver o preço da ação cair, você decide comprar 1.000 opções put dessa empresa. Essas opções put se valorizam com a queda da ação. O objetivo, portanto, é usar a opção para proteger sua carteira de eventual depreciação do ativo.

Esses preços e valores são hipotéticos. Uma boa operação conjunta vai depender dos preços e oportunidades encontradas no pregão.

"Neste tipo de operação com ação, a opção funciona igual a um seguro de carro. Se o carro não quebrar ou for roubado, você só vai arcar com a apólice do seguro. Nada mais é que uma proteção. Essa 'apólice' seria o valor que você pagou nas opções", analisa o economista José Francisco Vinci.

3 - Operação estruturada

São operações que usam duas ou mais opções ao mesmo tempo. A ideia é montar uma estratégia em que cada opção seja usada para proteger a outra. Todas as operações estruturadas têm um objetivo: proteger seu investimento, buscando lucros.

Existem diversas estratégias com operações estruturadas. Veja alguns exemplos de operação estruturada:

A) Estratégia projetando a alta do papel

Uma das operações estruturadas mais usadas na Bolsa, a Trava de Alta é indicada quando o investidor acredita na alta da ação, mas quer minimizar perda em caso de queda.

A Trava de Alta é composta por duas opções, sendo uma de compra e outra de venda.

B) Estratégia para lucrar com papel estável (lateralização)

Sim, dá para ganhar dinheiro projetando que a ação não se movimente muito, conhecida no mercado como "lateralização". Aliás, o ideal dessa estratégia é que quanto mais parado ficar o papel, melhor.

Esse tipo de operação estruturada é conhecida como "Borboleta". O sucesso ocorrerá se o papel não se mover muito durante a vigência da opção.

Exemplo:

Uma ação está custando R$ 40. Você acredita que o preço não vai variar muito até o vencimento da opção. Por essa razão, você decide fazer a estratégia da Borboleta.

Você arma uma operação estruturada de forma que seus ganhos maiores acontecerão se o papel continuar em torno de R$ 40.

Na montagem dessa estruturada, o risco de prejuízo acontecerá se o ativo estiver acima de R$ 42 ou abaixo de R$ 38.

C-) Estruturada para explorar a volatilidade do papel

Essa estratégia é voltada para aquele ativo que você acredita que vai se mover com intensidade. Não importa se o movimento for para cima ou para baixo.

Nesta estrutura, conhecida como Straddle, o importante é que a movimentação seja bem intensa!

Exemplo: o papel está custando R$ 60, mas você acredita que o preço desse ativo será bem diferente em 30 dias. Você crê que o preço do papel sofrerá grande alteração.

4- Venda descoberta

Essa é uma estratégia muito arriscada, já que tem prejuízo ilimitado e ganho limitado. A venda descoberta consiste em entrar vendido numa opção.

Mas o que é "entrar vendido". Vamos ilustrar como funciona uma venda descoberta.

Exemplo de venda descoberta:

Imagine que uma ação "A" esteja custando R$ 40. Você analisou o histórico desse papel e notou que nos últimos meses o preço desse papel oscilou entre R$ 37 e R$ 43.

Com base na avaliação do histórico, ele encontra uma opção put de preço-alvo R$ 35 (strike) custando R$ 0,40. Essa opção vencerá daqui 30 dias.

A partir da análise do histórico da ação, você pensa: "Se a ação continuar naquela oscilação e não alcançar os R$ 35 em 30 dias, eu ganho tudo o que eu coloquei na opção!".

Confiante, você decide entrar vendido e pega 1.000 opções put de strike R$ 35 por R$ 0,40 cada.

Pois bem, você está vendido em opção put com R$ 400. Lembre-se que quando iniciou a operação, a ação estava custando R$ 40. A sua opção tem preço-alvo (strike) de R$ 35.

Ou seja: o problema vai começar se a "ação A" cair mais de 14% (de R$ 40 para R$ 35) durante o vencimento da opção.

"Na Bolsa, costumamos dizer que em operação descoberta se 'ganha de canequinha e se perde de balde'. É importante usar travas para limitar prejuízos ou para sair quando atingir um valor pré-estabelecido", aconselha Renata Lima, gerente de renda variável da Órama Investimentos.

Como o risco de prejuízo é infinito em uma venda descoberta, a Bolsa exige que você tenha recursos na conta para cobrir eventuais perdas. Caso o prejuízo seja maior do que os recursos que você tem na conta, será cobrada uma margem (multa).

Em alguns casos, o investidor pode ter uma ou mais ações negociadas compulsoriamente pela Bolsa para cobrir o débito causado pela operação com opção. Portanto, muito cuidado ao operar descoberto com opções.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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