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5 ações da Bolsa que ganham com o aumento da taxa de juros

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/06/2021 04h00

O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, aumentou na última quarta-feira (16), a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 3,5% para 4,25% ao ano. Para quem tem perfil mais conservador e ainda aposta na renda fixa, o aumento é uma boa notícia. Para quem prefere as ações, a alta da Selic também pode representar oportunidades.

O UOL Economia+ ouviu analistas de mercado para entender quais setores e empresas se beneficiam com o aumento dos juros, e se eles podem ser oportunidades para os investidores. Confira abaixo cinco ações que podem se favorecer desse novo cenário de juros crescentes.

Bancos se beneficiam, mas nem todos vão se valorizar

Analistas consultados pelo UOL apontam que as ações do setor financeiro devem surfar na onda de aumento dos juros. Mas nem todos devem se valorizar.

As ações do Itaú e Santander, por exemplo, devem cair 13% e 27%, respectivamente, por conta da maior dependência que eles possuem do seu segmento de serviços, menos sensível ao aumento de juros e mais vulnerável à concorrência dos novos bancos digitais, segundo projeções da XP Investimentos.

Por outro lado, a B3 pode registrar uma valorização de 27% e há ainda uma boa perspectiva para seguradoras. Veja abaixo as ações que ganham com a alta dos juros.

Banco do Brasil

O Banco do Brasil aparece com destaque na Bolsa entre os que devem se beneficiar com o aumento da Selic. O preço-alvo estabelecido para suas ações chega a R$ 45, segundo a Órama, o que representa uma valorização de cerca de 25%.

Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama, diz que "o Banco do Brasil deve se beneficiar da sua grande carteira de crédito" porque os juros impactam principalmente a rentabilidade dessas operações.

Guilherme Tiglia, analista da Nord Research, também vê o Banco do Brasil como uma boa oportunidade.

Acho que ela [a empresa] está bastante barata, negociando bem abaixo de seu valor patrimonial.
Guilherme Tiglia

Bradesco

Soares também destaca que o Bradesco é favorecido pela sua ampla carteira de crédito e, por isso, tende a ganhar com o aumento dos juros.

Jennie Li, estrategista de ações da XP, afirma que, "mesmo tendo passado do preço-alvo definido no cenário base (R$ 27), a recomendação é de compra".

Segundo a especialista, o cenário está mais otimista do que o vislumbrado no começo do ano para a empresa.

BB Seguridade

As seguradoras são favorecidas em um cenário de juros altos porque sua receita não usada para pagar sinistros é investida principalmente em renda fixa, atrelada à Selic.

A BB Seguridade deve registrar uma valorização de até 40%, chegando ao preço de R$ 35 por ação. Jennie Li, da XP, diz que as perspectivas de aumento para a BB também têm a ver "com a correlação do aumento dos preços de suas ações no passado com a subida de juros", algo que também é percebido com relação às ações do Banco do Brasil.

Além de bons lucros, as duas estatais também oferecem aos seus investidores as maiores perspectivas de pagamento de dividendos do setor financeiro. O Banco do Brasil deve pagar 8,6% e a BB, 6,9% neste ano, segundo a XP, acima dos 6,25% projetados para a Selic até o fim do ano, segundo dados do Boletim Focus.

SulAmérica

Entre as seguradoras, outro destaque é a SulAmérica, que pode alcançar uma valorização de 70%.

Para Pietra Guerra, analista da Clear Corretora, o setor de seguros, de maneira geral, e a Sul América, especificamente, ainda estão bastante descontados, ou seja, estão baratos em relação ao valor de mercado. "A Sul América não retomou o patamar do começo do ano e está com um desconto perto de 15%. Tem espaço para se recuperar", afirma.

Bolsa brasileira, a B3

Para a analista da Clear, outro destaque é a B3. A operadora da Bolsa de Valores de São Paulo, que pode bater valorização de 27% diante dos atuais R$ 17, tende a se valorizar por conta da entrada de capital externo no país a convite da alta dos juros.

O setor bancário tem grande peso no índice da bolsa e é um dos que mais atrai investidor estrangeiro. Além disso, parte da B3 é operação de balcão, onde estão novas emissões e estoque de renda fixa, menos relevantes que as ações, mas que podem beneficiar os resultados totais.
Pietra Guerra, analista da Clear Corretora

Confira as ações mais impulsionadas pela alta de juros e seus dividendos, segundo projeções da XP Investimentos:

Banco do Brasil (BBAS3) preço-alvo: R$ 43 - dividendos 8,6%
BB Seguridade (BBSE3) preço-alvo: R$ 35 - dividendos: 6,9%
Santander Brasil (SANB11) preço-alvo: R$ 32 - dividendos: 6,3%
Itaú Unibanco (ITUB4) preço-alvo: R$ 29 - dividendos: 6,2%
Bradesco: (BBDC4) - preço-alvo: R$ 27 - dividendos: 5,8%.
Banrisul (BRSR6) - preço-alvo: R$ 19 - dividendos 4,9%
Porto Seguro (PSSA3) - preço-alvo: R$ 57 - dividendos: 4,9%
B3 (B3SA3) - preço-alvo: R$ 65 - dividendos: 4,2%
SulAmérica (SULA11) - preço-alvo R$ 58 - dividendos 3,5%.
Cielo (CIEL3) - preço-alvo: R$ 5 - dividendos 3%

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.