PUBLICIDADE
IPCA
0,87 Ago.2021
Topo

Títulos do Tesouro Direto despencam até 15%; ainda vale a pena investir?

Conteúdo exclusivo para assinantes

Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/08/2021 04h00

Os investimentos em títulos públicos superaram a marca dos R$ 66 bilhões este ano. Porém, à medida que a inflação aumenta e a tendência passa a ser de alta para os juros, o valor desses títulos cai. Considerando julho, somente um título do Tesouro Direto apresentou rentabilidade positiva, dentre os 11 disponíveis hoje para investimento. No acumulado do ano, todos que estavam disponíveis desde o início do ano apresentaram queda.

Mas essa queda de preço só deve ser sentida por quem quiser vender os papéis antes da data do vencimento. A expectativa de inflação e juros mais altos é descontada do valor do título que já foi contratado. Quem ficar com os títulos até a data do vencimento, vai ter a rentabilidade que foi oferecida no momento da compra. Veja abaixo o que dizem analistas ouvidos pelo UOL sobre a tendência de desempenho dos títulos, e entenda se vale investir.

Desempenho negativo em julho

O mês não foi positivo para os títulos disponíveis para o investidor. Todos eles, exceto os atrelados à taxa básica de juros, a Selic, apresentaram queda. Confira a lista completa a seguir.

Somente dois títulos públicos apresentaram ganhos em julho

- Tesouro IPCA 2045: -4,04%
- Tesouro IPCA 2035: -1,90%
- Tesouro prefixado 2031, com juros semestrais: -1,45%
- Tesouro IPCA 2055, com juros semestrais: -1,40%
- Tesouro prefixado 2026: -1,36%
- Tesouro IPCA 2040, com juros semestrais: -1,18%
- Tesouro prefixado 2024: -0,87%
- Tesouro Selic 2030, com juros semestrais: -0,53%
- Tesouro IPCA 2026: -0,32%
- Tesouro Selic 2024: +0,46%
- Tesouro Selic 2027: +0,54%

Por que os títulos caem de preço?

Adriano Rondelli, especialista da Valor Investimentos, explica que o mercado reajustou a expectativa de ajuste da Selic, acreditando que a taxa vai subir mais rápido do que o esperado no começo do ano. Os juros são referência para a rentabilidade oferecida no Tesouro Direto.

"Se no início comprávamos um prefixado com taxa de 6,29% ao ano, hoje é possível comprá-lo a uma taxa de 8,99%. Para quem comprou esse título no início do ano e deseja vendê-lo [antes do vencimento], só vai conseguir se for por um preço abaixo do valor da compra", afirma Rondelli. Esse ajuste é conhecido como marcação a mercado.

"Os títulos negociados têm seus preços definidos diariamente e são marcados a mercado, e desta forma, quanto maior forem os juros utilizados para sua precificação, menor será o valor do ativo no dia", diz Caique Coutinho, especialista em renda fixa da Veedha Investimentos.

"A marcação a mercado do Tesouro Selic é muito menos volátil (tem menos oscilação) porque ele dá realmente os 100% CDI (taxa que acompanha a Selic) e se mostrou uma estratégia mais assertiva frente aos títulos de IPCA e prefixados", diz Rondelli.

Tudo negativo em 2021

No acumulado do ano, todos os títulos que estavam disponíveis para investimentos desde o início do ano apresentaram queda na rentabilidade. Veja abaixo:

- Tesouro IPCA 2045: -15,21%
- Tesouro prefixado 2031, com juros semestrais: -11,14%
- Tesouro prefixado 2026: -8%
- Tesouro IPCA 2035: -6,5%
- Tesouro IPCA 2055, com juros semestrais: -6,11%
- Tesouro IPCA 2040, com juros semestrais: -4,21%
- Tesouro IPCA 2030, com juros semestrais: -3,97%
- Tesouro IPCA 2026: -2,6%

"Para o médio prazo, ativos atrelados à Selic tendem a ser mais interessantes, pois historicamente o Brasil tem juros acima da inflação. Porém é importante manter posição em ativos atrelados à inflação, para proteção da carteira", afirma o especialista da Veedha Investimentos.

Renda fixa vai ficar mais atraente, dizem analistas

O economista Júlio Hegedus, analista da Ohmresearch, acredita que os investidores já começaram a migrar do mercado de ações para a renda fixa com expectativa de alta dos juros.

"No mercado, já há quem enxergue a Selic acima de 7% ao ano ao fim de 2021 e em 2022. A tendência é de aumento na demanda por Tesouro IPCA e Tesouro Selic, desde que ambos sejam pós-fixados e com vencimentos bem longos", afirma Hegedus.

Rondelli, da Valor Investimentos, ressalta que o investidor que entra hoje no Tesouro Direto consegue boas taxas de rentabilidade, mesmo em títulos que tiveram desempenho negativa no ano.

"As taxas estão bem atrativas, principalmente as do Tesouro IPCA. Os títulos que vencem em 2026 pagam inflação mais 4,01% ao investidor que levar o papel até o vencimento. É uma forma de investir se protegendo da inflação e visando ganho real", afirma Rondelli.

O sócio da Inove Investimentos, Igor Seixas, aconselha que o investidor evite os prefixados, pois esses títulos podem acabar rendendo menos que os juros.

"Eles são bons quando os juros estão parados, nem ciclo de alta nem de baixa, ou quando a gente está em um ciclo de cortes de juros. Quando é o inverso, é melhor deixar os títulos prefixados longe da carteira", diz Seixas.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

PUBLICIDADE