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Fintechs x bancões: quem dá mais dinheiro para o investidor na Bolsa?

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/08/2021 04h00

Não é só pelos consumidores que bancos e fintechs disputam, mas também pelos investidores na Bolsa. Ao contrário dos consumidores, que têm diferentes prioridades ao escolher um banco ou fintech (comodidade, confiança, agilidade, preço), o investidor mira apenas um objetivo, lucro.

O UOL e a Economatica, plataforma de informações financeiras, fizeram um levantamento para identificar quais instituições entregam maior lucro sobre capital e dividendos aos acionistas. Veja abaixo quem ganha a disputa do rendimento, se bancões ou fintechs, e entenda qual grupo brilha mais aos olhos dos analistas de mercado.

Bancos têm resultados mais constantes

Os números mostram que as empresas digitais têm um time mais desequilibrado, com alguns dos seus representantes com desempenho muito acima do restante do time. Os bancos, por outro lado, formam um grupo mais coeso, com seus jogadores obtendo resultados semelhantes.

Entre as fintechs ou bancos digitais, uma carteira que abrangesse os quatro maiores - BTG (BPAC11), Inter (BIDI4), Stone (STNE) e PagSeguro (PAGS) - teria apresentado uma valorização muito discreta nos últimos seis meses, de 1,75%.

Os destaques são Banco Inter, com valorização de 25%, e BTG, com 13%, números muito superiores aos apresentados pelas outras duas empresas.

A Stone viu o valor das suas ações desabar quase 43% depois de anunciar uma segunda oferta de ações, em abril. A PagSeguro, com queda de 2%, teve como um dos motivos da desvalorização uma especulação, em julho, sobre uma possível compra do Banco BV.

As duas empresas não têm papéis listados diretamente na Bolsa brasileira —para comprá-los, é preciso comprar suas BDRs ou comprar seus papéis através de corretoras estrangeiras.

Entre os bancos tradicionais, a valorização média foi de 15,38% desde março, com os preços puxados pelo Itaú (ITUB4), que registrou valorização de 24%. Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) tiveram valorização semelhante, de 12% e 16%. O Banco do Brasil (BBAS3) segue o mais descontado entre os bancos, com uma valorização de quase 10%.

Fintechs, porém, têm mais potencial de alta

Para Danielle Lopes, sócia da Nord Research, os bancos digitais que foram destaque podem oferecer ganhos maiores para os próximos meses, mas sempre atrelados a risco.

"Eles conseguem se adaptar rapidamente aos ambientes e são bem menores, portanto, aquisições menores os fariam mudar de patamar muito rapidamente, o que é uma ótima vantagem para o investidor que busca surfar um crescimento", diz.

O BTG é o destaque, segundo a analista, por conta da expansão dos seus negócios no varejo, enquanto o Inter tem como motor da valorização o crescimento da base de clientes e das verticais de negócios.

Entre os bancos tradicionais, Lopes destaca o Itaú, que ainda tem espaço para crescer.

Bancões são opção mais acertada, dizem analistas

Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama, destaca a capacidade de rentabilidade dos grandes bancos, que, segundo ele, ainda operam com valor abaixo do patamar histórico.

"A nossa perspectiva é de que os preços de hoje são uma oportunidade de entrada. Dentro desse nicho dos bancos grandes, preferimos as ações do Bradesco", afirma.

Sobre o Itaú, Soares diz que há ainda um espaço para alta. "É claro que, dos bancões, é aquele que tem o modelo mais vulnerável ao aumento da competição pelas fintechs, mas acreditamos que o valor atual está abaixo da perspectiva de lucratividade", afirma.

Alexandre Masuda, sócio da SFA, também vê os bancos como melhor opção neste momento. Ele avalia que o preço das fintechs e dos bancos digitais está exagerado e que essas empresas "estão pagando todo o crescimento antecipadamente".

Ao mesmo tempo, ele vê que não haverá uma mudança tão grande na estrutura do setor financeiro capaz de causar perdas tão relevantes aos grandes bancos. Para o analista, o Itaú é, entre as opções, a que mais tende a oferecer retornos a longo prazo.

Dividendos são atrativos dos bancos

Os bancos tradicionais foram, ao longo deste ano, os maiores pagadores de dividendos para seus acionistas, perdendo apenas para Vale e Petrobras.

Nada no horizonte sugere alteração, dizem os analistas, nem mesmo a possibilidade de retirada da isenção de impostos sobre dividendos, que está tramitando no Congresso.

Masuda afirma que, mesmo que a tributação de dividendos passe, a redução da tributação sobre o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas, que também está prevista no PL, poderia neutralizar a redução dos rendimentos para quem recebe os proventos dos grandes bancos.

"Se o IR dos bancos caísse, poderia compensar a tributação de dividendos para o investidor porque os grandes bancos têm uma alíquota total de imposto muito alta, com 45% de IR e contribuição social somados", afirma.

Luciana Ikedo, assessora de investimentos e sócia no escritório RV4 Investimentos, concorda que, mesmo que haja a tributação de dividendos, a oferta de uma renda recorrente continuará a ser um diferencial para os bancos.

"Os dividendos continuariam sendo interessantes, claro que, menos rentáveis do que hoje, mas que devem continuar compondo a carteira com outros produtos", afirma.

Entre os pagadores de dividendos, ela destaca o Bradesco como o melhor, tanto pela rentabilidade como pela periodicidade dos pagamentos, que é mensal. Neste ano, porém, o banco ficou atrás do concorrente Santander no volume distribuído.

O levantamento da Economatica mostra que todos os bancos tradicionais distribuíram, de janeiro a junho, mais de R$ 3 bilhões cada em dividendos. Os bancos digitais têm distribuição muito mais discreta, sendo o BTG o único a ultrapassar a casa do bilhão. As fintechs PagSeguro e Stone não pagaram dividendos este ano por conta dos prejuízos.

Para Ikedo, a desvalorização das ações e o fim do pagamento de dividendos da Stone e da PagSeguro refletem a dificuldade das empresas em responder ao aumento da concorrência no segmento de meios de pagamento, que está sendo capturado pelos grandes bancos, os bancos digitais via redes sociais, PIX e adquirência de outros bancos.

As fintechs de pagamento são, para ela, "empresas que caminham na direção contrária de BTG e Inter, que seguem o caminho da vinculação e atendimento completo aos clientes".

Veja abaixo o volume de dividendos distribuídos por bancões e fintechs de janeiro a junho de 2021:

Santander (SANB11): R$ 4,1 bilhões
Bradesco (BBDC4): R$ 3,9 bilhões
Banco do Brasil (BBAS3): R$ 3,7 bilhões
Itaú (ITUB4): R$ 3,2 bilhões
BTG (BPAC11): R$ 1,1 bilhão
Banco Inter (BIDI4): R$ 10,3 milhões
PagSeguro (PAGS): não paga dividendos desde dezembro 2017
Stone (STNE): não paga dividendos desde dezembro de 2020

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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