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EUA sinalizam aumentar juros e medida afeta investidores no Brasil; entenda

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Vinícius Silva

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/10/2021 04h00

A sinalização do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) de que o aumento na taxa de juros do país pode ocorrer antes do que o esperado já ligou um sinal de alerta nos investidores brasileiros, preocupados com o impacto da medida no Brasil.

A taxa de juros pode subir do atual patamar, entre 0% e 0,25% ao ano, para 1% já em 2023, mais rápido do que o projetado pelo Fed em suas estimativas de junho, e depois para 1,8% em 2024. Mas, afinal, quais as consequências para o investidor brasileiro? E por que os EUA têm juros mais baixos do que o Brasil? Entenda abaixo.

EUA têm histórico de bom pagador

De acordo com Paulo Dutra, professor de economia da FAAP, enquanto o Brasil possui a taxa básica de juros (Selic) em 6,25% ao ano atualmente, os EUA conseguem manter a taxa num patamar menor graças ao histórico positivo do país.

"Os juros são baixos porque ele tem um histórico de bom pagador. Além disso, os EUA são os emissores do que consideramos a moeda [mais estável] do mundo, que é o dólar. Como a economia dos EUA tem instituições que são consolidadas e a política monetária do Fed é aberta, então tudo isso faz com que a taxa seja mais baixa", afirma.

Segundo Dutra, a alta prevista pelo Fed deve ocorrer graças ao aumento da inflação por lá, que já é de 5,3% nos últimos 12 meses. Assim como ocorre no Brasil, quando a inflação sobe, os juros precisa subir para conter o aumento dos preços.

Com o aumento dos juros, a atividade econômica desacelera, reduzindo a pressão nos preços.

"O Fed percebeu que a inflação está ocorrendo de forma generalizada, então ele está querendo reduzir os estímulos monetários que ofereceu durante a pandemia para reduzir o impacto inflacionário", diz o professor.

Como isso afeta os investimentos no Brasil?

Segundo o professor de economia, a alta de juros nos EUA pode fazer com que haja uma fuga de capital do Brasil para lá, desvalorizando o real. Isso porque investimentos como os títulos públicos dos EUA ficam mais atraentes, pagando juros maiores aos investidores.

Esses títulos já são considerados os ativos mais seguros do mundo e, num mundo de instabilidade, eles podem atrair ainda mais investidores se os juros forem mais altos.

Isso pode ser bom para o investidor que aplica recursos em títulos norte-americanos: ele receberá juros maiores e em dólar. Para a economia brasileira, conteúdo, a notícia não é boa.

"[Com a alta dos juros nos EUA], a possibilidade de termos uma desvalorização maior da nossa moeda aumenta, pressionando os preços aqui para cima. Por isso, se mantivermos a paridade de juros [nos EUA e no Brasil], haverá uma fuga de capital, desvalorizando o real e aumentando a inflação por aqui", diz Dutra.

Qual o impacto na Bolsa?

De acordo com Priscila Araújo, gestora da Macro Capital, o impacto na Bolsa depende da velocidade e magnitude da elevação da taxa de juros nos EUA.

"Se a inflação estiver relativamente sob controle, a economia crescendo e a taxa de juros subir moderadamente e gradualmente podemos ver um cenário em que as Bolsas continuam indo bem", afirma.

Segundo a gestora, o que prejudica os ativos de risco e consequentemente os mercados emergentes é a volatilidade e a instabilidade, que aumentam o medo dos investidores de deixar dinheiro nesses países, como o Brasil.

"Nesse contexto, mudanças súbitas de política monetária e falta de visibilidade podem prejudicar as Bolsas", diz.

Por isso, ações que dependem de crescimento do mercado para justificar uma valorização na Bolsa podem sofrer mais neste cenário, segundo a especialista.

De acordo com Marcus Vinicius de Macedo, chefe de investimentos do Andbank, um dólar mais valorizado frente ao real, com a ida de capital estrangeiro para os EUA, pode beneficiar outros ativos ligados à moeda norte-americana, e não apenas os títulos públicos do país.

Para quem investe nesses ativos pode ser uma boa notícia, e também compensa possíveis perdas em ativos brasileiros, que podem se prejudicar com esse movimento.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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