PUBLICIDADE
IPCA
1,25 Out.2021
Topo

Saiba resgatar renda fixa antes do prazo, mas o risco de prejuízo é grande

Veja o que fazer se aplicou no Tesouro Direto, CDB ou outro título e precisou de dinheiro antes do prazo - Getty Images/iStockphoto
Veja o que fazer se aplicou no Tesouro Direto, CDB ou outro título e precisou de dinheiro antes do prazo Imagem: Getty Images/iStockphoto
Conteúdo exclusivo para assinantes

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

23/11/2021 04h00

Investir em títulos do Tesouro Direto, CDB, LCIs e outros títulos de renda fixa é menos arriscado que ações negociadas na Bolsa ou fundos imobiliários porque, entre outros motivos, já apresentam no dia da aplicação inicial quanto a pessoa vai ganhar na hora de resgatar o dinheiro.

Mas isso se o investidor respeitar o prazo da aplicação e aguardar até o vencimento do título para resgatar o capital. E se o aplicador tiver que sacar o dinheiro antes do prazo combinado, por algum motivo? Essa possibilidade existe, mas o lucro pode até virar prejuízo, dizem profissionais de mercado. Veja como isso é possível e como proceder.

Como negociar cada tipo de título de renda fixa antes do vencimento

Se a pessoa precisa resgatar o dinheiro de uma aplicação em um título de renda fixa - como títulos do governo comprados no Tesouro Direto, ou CDBs e LCIs vendidos por bancos ou debêntures de empresas oferecidos por corretoras- antes do vencimento, ela terá que encontrar alguém que aceite comprar esse papel.

Para isso, o aplicador tem que recorrer ao chamado mercado secundário, lugar em que se negociam ativos depois que eles são emitidos pela primeira vez.

Existe um mercado secundário de títulos de renda fixa, mas ele varia muito de acordo com o tipo de título e de quem emitiu o papel.
Em alguns casos, a quantidade de negócios é tão grande quanto aquele oferecido pela Bolsa para negociar ações e cotas de fundos imobiliários, por exemplo. Mas em outros casos, é difícil encontrar alguém para recomprar o papel.

Quanto maior o número de negócios com um título, maior será a possibilidade de o vendedor -aquele que precisa se desfazer do título para resgatar antes do prazo- conseguir fazer negócio. É a chamada liquidez- quanto maior, melhor.

Todos os mercados têm possibilidades, mas a liquidez varia de cada tipo de ativo e dos emissores. A pessoa consegue sair, mas dependendo das condições de mercado e de liquidez, pode ter lucro ou perdas.
Ricardo Teófilo, chefe de renda fixa da Órama Investimentos

Títulos do Tesouro Direto

Os títulos públicos emitidos pelo governo federal oferecidos aos investidores no site do Tesouro Direto estão entre os mais fáceis de se negociar antes do prazo. Isso porque todos os dias o portal apresenta preços para quem quer comprar e para quem quer vender títulos, mesmo antes do vencimento.

Debêntures, CRIs e CRAs

Esses títulos emitidos por empresas (no caso das debêntures) e por securitizadoras (CRIs e CRAs) vão ter mais ou menos negócios dependendo de quem emitiu o título. Debêntures emitidas por uma Petrobras, por exemplo, são mais fáceis de se negociar antes do prazo que debêntures emitidas por empresas de porte menor. Já CRIs e CRAs são, de maneira geral, mais difíceis de encontrar comprador.

CDBs, LCIs e LCAS

Esses títulos emitidos por bancos também apresentam maior ou menor chance de serem negociados dependendo de quem emitiu.
No caso de LCIs e LCAs existe ainda uma barreira legal. Por regra dessas aplicações, só é possível fazer negócio após três meses da data de emissão do papel.

Vender antes dá prejuízo?

Resgatar o dinheiro aplicado em um título de renda fixa antes do prazo pode dar lucro ou prejuízo a quem vende o papel, dependendo da liquidez e das condições de mercado.

Quanto mais negócios (liquidez), maior a chance de o vendedor encontrar alguém que pague um preço bom a quem vende.
Mas além da liquidez, o ganho ou perda vai depender ainda de quanto o título estará valendo no mercado no momento do negócio. E isso varia de acordo principalmente com os juros praticados no momento da venda.

Veja um exemplo: Supondo um aplicador que tem um título Tesouro prefixado que vence em 2026 e que está pagando um rendimentro anual de 11,97%. Se houver uma piora nas expectativas do mercado com relação à inflação, isso provoca aumento das expectativas dos juros. A lógica é: inflação maior exige juros maiores para combater a alta dos preços.

E sempre que os juros dos títulos sobem, o preço desse título cai. Em outras palavras, se o investidor que tem um título do Tesouro prefixado para 2026 tiver que resgatar o dinheiro hoje ele vai ter que aceitar um desconto. Ou seja, abrir mão de parte do rendimento.

Chance de ganho também existe, se o aplicador se desfizer do título na hora em que o mercado está pagando mais pelo papel que ele possui. No mesmo exemplo acima, se os juros da economia começam a cair, aquele título que oferecia um rendimento mais elevado começa a valer mais.

Em momentos melhores de mercado, de maior otimismo, vai ser mais fácil encontrar uma contraparte. Em momentos incertos, fica mais difícil para o investidor encontrar uma contraparte.
Marília Fontes, sócia fundadora da Nord Research

Falta de liquidez atrapalha

No caso dos títulos privados de renda fixa, como debêntures e CDBs, por exemplo, além do preço de mercado de cada papel ainda tem a questão da liquidez. Em alguns casos praticamente não existe mercado secundário. E por causa disso, quem está vendendo o papel precisa dar um desconto maior para conseguir o saque antes do vencimento.

Como fazer

Para negociar o título de renda fixa antes do vencimento, o investidor tem opções de acordo com o tipo de aplicação que ele tem.

  • Títulos do Tesouro: A compra e venda é feita no saite do Tesouro Direto, diretamente, ou por meio de corretoras.
  • Debêntures, CRIs, CRAS, CDBs, LCIs e LCAs: O investidor que tem títulos privados precisa procurar a corretora onde comprou o título para negociar o resgate. É a corretora que vai procurar um comprador para o papel.

Se foi um título emitido por um banco, como CDB, e o banco não quer renegociar, o aplicador precisa procurar outra corretora que aceite fazer o negócio. Nesse caso, ele transfere a custódia do título para essa corretora, que vai encaminhar o negócio.

Empresas de mercado estão lançando alternativas para que o aplicador não tenha que sair procurando várias corretoras para fazer negócio. O APP Renda Fixa, aplicativo de comparação de investimentos, lançou em outubro um serviço de negociação para investidores que querem se desfazer de títulos. Se a contraproposta for aceita, o detentor dos títulos sai da posição e passa o direito ao App Renda Fixa.

O investidor é encaminhado à mesa de mercado secundário do App Renda Fixa, que análise os papeis e retorna com uma proposta, dependendo das condições de mercado.

Muitos investidores decidem sair de suas posições porque precisam utilizar os recursos ou recalibrar as carteiras, o que gera perdas maiores se ele não consegue pesquisar com mais corretoras.
Francis Wagner, ceo do App Renda Fixa

Ideal é planejar para evitar resgate antecipado

Apesar das possibilidade de se resgatar um título de renda fixa antes do vencimento, consultores financeiros destacam que o ideal é o aplicador definir o objetivo de cada investimento antes de escolher uma aplicação para não ter que resgatar antes do vencimento.
Se o aplicador levar a aplicação até o vencimento, mesmo que o papel tenha se desvalorizado ao longo do período, no vendimento o rendimento será aquele acertado na data da aplicação.

Para objetivos de curto prazo, por exemplo, tem que investir apenas em aplicações de liquidez imediata para não correr risco de perdas.
Marília Fontes, Nord Research

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

PUBLICIDADE