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Dólar dispara 12% em um mês e bate R$ 5,15; até onde vai subir a moeda?

Entenda os três principais motivos que levam à disparada do dólar e se vale comprar a moeda agora - Getty Images via BBC
Entenda os três principais motivos que levam à disparada do dólar e se vale comprar a moeda agora Imagem: Getty Images via BBC
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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/05/2022 14h59

No dia 4 de abril o dólar era negociado a R$ 4,60 — e o valor já está bem distante do atual. Isso porque a moeda americana fechou esta segunda-feira (9) em R$ 5,15, o que representa uma alta de 11,96% em pouco mais de um mês.

Diante dessa escalada, a pergunta que fica tanto aos consumidores, que lidam com preços em geral mais caros, quanto aos investidores é: até onde e até quando o dólar deve continuar subindo? Especialistas ouvidos pelo UOL respondem a essa pergunta logo abaixo.

Por que o dólar está subindo tanto?

Antes de tudo, segundo os analistas de mercado, é preciso entender as razões que levam à recente disparada do dólar para, então, prever se sua duração.

São três os principais fatores que estão catapultando o valor da moeda estrangeira neste momento, de acordo com os especialistas. E todos funcionam atrelados uns aos outros, como em um jogo de dominó.

O primeiro motivo é a guerra prolongada na Ucrânia. O conflito, que começou em fevereiro, fez vários países imporem sanções à Rússia. Isso fez com que muitas empresas de outras nações saíssem perdendo. A Netflix, por exemplo, perdeu milhares de assinantes ao deixar de operar na Rússia.

"Isso diminui o Produto Interno Bruto, o PIB, dos Estados Unidos, aumenta a inflação por lá, o que acaba puxando os juros para cima", diz o analista Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

E daí vem o segundo motivo: a alta dos juros realizada pelo Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano). Na semana passada foi elevada a taxa de juros dos EUA em 0,5 ponto percentual, a maior alta em mais de 22 anos. Com isso, ela passou a ser de 1% ao ano.

E, temendo uma economia mundial mais bagunçada — com inflação em vários países e a China paralisando as atividades econômicas por conta do avanço da variante ômicron do coronavírus por lá —, os investidores fogem de investimentos mais arriscados e tendem a aplicar na economia americana. Esse é o terceiro fator que impulsiona o dólar. Com mais gente investindo nos EUA, ele sobe.

Isso fica ainda mais evidente quando analisado o fluxo recente de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores brasileira (B3).

Depois de comprar agressivamente ações brasileiras nos primeiros três meses do ano — quando o dólar caiu de R$ 5,57 no final de dezembro e chegou a bater em R$ R$ 4,60 em abril — a uma média de R$ 22 bilhões por mês, os investidores estrangeiros inverterem o fluxo.

Pararam de comprar e passaram a vender os ativos brasileiros. Em abril, a saída de investimentos estrangeiros na B3 ultrapassou R$ 5 bilhões. E até a última sexta-feira (6), essa fuga de dólares já chegava a R$ 8,79 bilhões.

Com menos dólares circulando no Brasil, o preço da moeda americana sobe.

O dólar vai continuar em alta?

Os analistas acham que no curto prazo a moeda pode, sim, subir mais. Mas a tendência é que suba e fique em um patamar alto por algum tempo.

O que pode impedir que o dólar suba mais são as restrições devido aos casos de covid-19 na China e a inflação no Brasil.

Se o surto de coronavírus que está acontecendo no país asiático realmente for da variante que atingiu o Brasil no começo deste ano — a ômicron —, especialistas acreditam que haja um pico e logo passe. O problema é que as informações na China costumam ser centralizadas pelo governo, o que dificulta travar uma certeza sobre.

Para Breno Bonani, analista-chefe da VGR Asset, a inflação brasileira ajuda o dólar a subir. Mas, como mostrou o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) divulgado hoje (10), ela pode estar desacelerando.

O índice subiu 0,23% na primeira prévia do mês de maio, segundo os dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). É um crescimento menor da inflação em comparação com o mesmo período de abril, quando o avanço foi de 1,88%.

O problema, de acordo com o analista, é que temos hoje um aumento de 8,87% no preço do diesel, o que impacta nos preços em geral nos próximos dias. "Por isso fica muito difícil prever o valor do dólar", declara Bonani.

Vale a pena investir em dólar para se proteger?

Todo investidor precisa ter uma parte de suas aplicações em dólar, segundo Bonani. Porém, comprar a moeda em si não é muito recomendado.

"Existem outras formas mais seguras de se fazer isso", diz ele. Uma delas é comprar ações americanas, por meio de recibos de ações — os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipt), negociados pela Bolsa de Valores brasileira.

Também é possível comprar ações no mercado americano, abrindo uma conta internacional em corretoras que atuam nesse segmento e permitem essa transação. Uma boa aposta, segundo Bonani, são ativos como os da Apple (AAPL ou AAPL34 em BDRs), do Google (GOOGL ou GOGL34 em BDRs) ou da Amazon (AMZN ou AMZO34 em BDRs).

"Vale também comprar ativos de empresas exportadoras, como Suzano (SUZB3), Gerdau (GGBR4), Petrobras (PETR3/PETR4) e até Usiminas (USIM5)", afirma Bonani, da VGR Asset

Quando o investidor compra ações que se beneficiam do dólar em vez da própria moeda ele aproveita a alta da moeda mas não fica dependendo só da variação. Ele fica atrelado também ao desempenho da empresa, que acaba protegendo o ativo.
Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital

Vou viajar: vale comprar dólares agora?

Aí a compra da moeda em si se justifica. Mas não compre tudo de uma vez. "Vá fazendo compras escalonadas em cinco, seis vezes, quando a cotação cai, aproveitando a baixa", diz Izac.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.