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Petrobras e Vale pagaram bilhões; vale investir para ter renda em 2024?

Os dividendos das empresas brasileiras tiveram forte redução em 2023, puxados principalmente pelos cortes em distribuições de Petrobras e Vale. Levantamento do consultor independente Einar Rivero para o UOL Investimentos revela que Petrobras pagou aos seus investidores R$ 76,45 bilhões em proventos de janeiro a setembro, enquanto a mineradora Vale remunerou os seus acionistas com R$ 17,77 bilhões no mesmo período. As companhias foram as maiores pagadoras de proventos da Bolsa brasileira neste ano.

O levantamento considerou os dividendos e juros sobre capital próprio efetivamente desembolsados por 365 empresas de capital aberto até o terceiro trimestre de 2023. Os dados referentes ao último trimestre só devem ser informados pelas companhias nos balanços do começo de 2024.

Quanto Petrobras e Vale pagaram aos acionistas

Petrobras e Vale foram responsáveis por quase metade de todos os dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) do ano. Juntas, pagaram R$ 94,22 bilhões. As outras 363 empresas da Bolsa brasileira pagaram, somadas, R$ 96,84 bilhões.

Apesar disso, as duas pagaram 48,1% menos do que no ano anterior. Em 2022, distribuíram R$ 230,79 bilhões em proventos. Em 2021, as duas pagaram R$ 148,03 bilhões. A Petrobras pode fechar o ano com R$ 91,45 bilhões distribuídos. Essa é a projeção feita por Rivero considerando os pagamentos que serão creditados até o último dia de 2023; Já no caso da Vale, a projeção de Rivero seria de R$ 28,26 bilhões.

Nas outras 363 empresas da Bolsa, a queda nos proventos seria de 21,7%. Até setembro, as companhias pagaram R$ 96,84 bilhões aos acionistas, contra R$ 161,07 em 2022. Pelas projeções de Rivero, estas 363 empresas poderiam fechar 2023 com R$ 126,132 bilhões distribuídos, queda de 21,7% em comparação a 2022. Para chegar a esta projeção, o consultor utilizou todos os valores de dividendos e JCP em data-ex (um dia após a data limite para ter direito a garantir um determinado provento) no 4° trimestre e multiplicou pelo número de ações que não estão em tesouraria. É importante lembrar que alguns destes valores podem vir a ser desembolsados em 2024 e não apenas neste ano.

Pagamentos estão concentrados em poucas empresas. Sem Petrobras e Vale, as dez empresas que mais pagaram dividendos em 2023 concentram 57,18% dos R$ 96,84 bilhões distribuídos até setembro. Boa parte dos proventos distribuídos pelas 363 empresas da Bolsa brasileira se encontra em empresas do setor financeiro e de seguros, entre estas: Banco do Brasil (12,51%), Itaú (10,61%), Bradesco (8,70%), BB Seguridade (7,19%) e Santander (4,41%).

Quais foram as maiores pagadoras de 2023

Veja a seguir as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa brasileira em 2023 e os dividendos desembolsados até 3° trimestre:

  1. Petrobras (PETR4): R$ 76,45 bilhões
  2. Vale (VALE3): R$ 17,77 bilhões
  3. Banco do Brasil (BBAS3): R$ 12,11 bilhões
  4. Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 10,27 bilhões
  5. Bradesco (BBDC4): R$ 8,43 bilhões
  6. BB Seguridade (BBSE3): R$ 6,96 bilhões
  7. Santander (SANB11): R$ 4,27 bilhões
  8. Telefônica Brasil (VIVT3): R$ 3,5 bilhões
  9. Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3): R$ 2,72 bilhões
  10. CSN Mineração (CMIN3): R$ 2,55 bilhões
  11. Weg (WEGE3): R$ 2,31 bilhões
  12. JBS (JBSS3): R$ 2,24 bilhões
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Por que empresas pagaram menos dividendos em 2023

O ano foi marcado por juros elevados, que permaneceram no patamar de 13,75% por vários meses. Isso tornou as despesas financeiras e endividamento um problema para as empresas, que ficaram mais cautelosas na distribuição dos seus lucros, diz o analista Renato Reis, da DVInvest/Blue3 Investimentos. Muitas delas até optaram por segurar o dinheiro em caixa por mais tempo, segundo levantamento da plataforma Meu Dividendo. Em 2023, o prazo médio entre o anúncio de proventos e o efetivo pagamento aos investidores foi de 86 dias. Em 2022, este prazo foi de 63 dias, e de 77 em 2021. Na pandemia, em 2020, o prazo foi de 84 dias.

Petrobras e Vale tiveram pagamentos atípicos em 2022, por isso sentiram uma queda neste ano. Para o ano que vem, o pagamento deve continuar nessa tendência, diz Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora. "Não acho que deva ser algo que preocupe investidores que acompanham dividendos. Vão continuar sendo boas pagadoras", declara o analista.

Para 2024, o pagamento das companhias pode aumentar. "Para 2024, com a Selic em queda e os resultados operacionais mais semelhantes a 2019, imagino que as companhias devam ter mais tranquilidade para distribuir seus lucros", diz Reis.

Ainda vale a pena investir em Vale e Petrobras para dividendos em 2024?

A Petrobras (PETR4) ainda deve continuar sendo uma boa pagadora de proventos em 2024. Ela tem a possibilidade de entregar um dividend yield (retorno em dividendos) na faixa de 9,2% ao ano, diz Sérgio Neto, analista de ações da Capitalizo. "A Petrobras possui uma política e um plano de investimentos bem definidos, estimamos que os dividendos sejam reduzidos em comparação a 2023, mas ainda devem se manter em níveis elevados", diz.

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Mesmo assim, ela não deve ser a maior pagadora de proventos da Bolsa brasileira no próximo ano. Embora a distribuição de dividendos extraordinários seja uma incógnita, Peretti diz que a Petrobras tem espaço para distribuir entre R$ 6 e R$ 7 bilhões, caso deseje.

Mas investir em commodities para garantir uma renda com dividendos é uma estratégia arriscada. Renato Reis, da DVInvest, cita que a Petrobras já chegou a pagar R$ 16 de dividendos por ano aos seus investidores, mas recuou para o patamar de R$ 9 em 2023 e deve chegar em R$ 6,80 em 2024. Reis diz ainda que o risco de o investidor perder com a queda dos preços das commodities no mercado internacional é maior, diante da queda do petróleo ou algum conflito de ingerência política.

Vale pode ter bons dividendos diante da alta do minério de ferro como um impulsionador da recuperação econômica da China. "Projetamos um dividend yield de entre 12% e 14%, mas que pode oscilar dependendo do preço do minério de ferro", afirma Neto. Já Reis espera que a mineradora tenha um dividend yield entre 6,5% e 7% em 2024, acompanhando os preços do minério de ferro. Felipe Paletta, sócio-fundador e analista da Monett, acredita que a Vale ainda deve figurar entre as maiores pagadoras de dividendos em 2024.

Vale é uma boa oportunidade de investimento para quem busca dividendos. A empresa teve melhora operacional e na rentabilidade em 2023. "Isso abre espaço para novas distribuições de proventos, uma vez que a empresa tem uma geração de caixa bastante sólida", diz Paletta. Além disso, ela pode gerar mais valor com a venda de sua participação minoritária na divisão de metais básicos. Os riscos estariam mais relacionados à queda de produção do aço chinesa, que diminuiria a demanda por minério.

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