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BC reduz juros pela 9ª vez, a 2% ao ano, o menor nível da história

A Selic é o juro básico da economia, servindo de referência para outras taxas aplicadas no Brasil - Getty Images
A Selic é o juro básico da economia, servindo de referência para outras taxas aplicadas no Brasil Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

05/08/2020 18h19Atualizada em 05/08/2020 19h09

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou hoje a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 2,25% para 2% ao ano. É o menor patamar desde o início da série histórica, em 1996.

A decisão foi unânime e veio dentro do esperado pela maior parte dos analistas de mercado. Este foi o nono corte seguido, o quinto anunciado neste ano, e ocorre ainda na esteira das preocupações sobre os efeitos do coronavírus no Brasil e no mundo.

O Comitê não descartou completamente novas reduções, mas afirmou que o espaço para cortes, se existente, "deve ser pequeno". Eventuais ajustes no futuro ocorrerão de forma ainda mais gradual e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal e perspectivas para a inflação.

"Apesar de uma assimetria em seu balanço dos riscos, o Copom não antevê reduções no grau de estímulo monetário, a menos que expectativas de inflação, assim como projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta", explicou o órgão do BC em ata.

Ciclo de cortes começou em 2016

Em outubro de 2016, o BC deu início a uma sequência de 12 cortes na Selic. Neste período, a taxa de juros caiu de 14,25% ao ano para 6,5% ano. De maio de 2018 até junho de 2019, a taxa foi mantida no mesmo patamar. Foram dez encontros do Copom sem mudanças na Selic.

No final de julho do ano passado, porém, o Copom reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, para 6% ao ano. Em dezembro, a taxa já estava em 4,5% ao ano.

Em fevereiro deste ano, foi reduzida novamente, desta vez para 4,25%; em março, para 3,75%; em maio, para 3%; em junho, enfim, para 2,25%.

Juros ao consumidor são mais altos...

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. Ela não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

... E poupança rende menos

Com os juros baixos, a poupança rende menos devido a uma regra criada em 2012. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança é de 6,17% ao ano (0,5% ao mês) mais TR (Taxa Referencial). Porém, quando a Selic é igual ou menor que 8,5%, a poupança passa a render 70% da Selic mais TR.

Juros x inflação

Os juros são usados pelo BC como uma ferramenta para tentar controlar a inflação ou tentar estimular a economia. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo.

A meta é manter a inflação em 4% neste ano, mas há uma tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo, ou seja: pode variar entre 2,5% e 5,5%. No ano passado, a inflação fechou em 4,31%, dentro da meta do governo para 2019.

O índice de junho deste ano, o último divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ficou em 0,26%, o maior aumento mensal nos preços médios desde dezembro de 2019 (1,15%).

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado nos últimos 12 meses é de 2,13%.

(Com agências de notícias)

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