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Para brasileiro, chance de crescer na carreira importa mais que salário

37% dos brasileiros consideraram a perspectiva de crescimento como fator mais importante na hora de escolher sua empresa atual - Bruce Mars/Unsplash
37% dos brasileiros consideraram a perspectiva de crescimento como fator mais importante na hora de escolher sua empresa atual Imagem: Bruce Mars/Unsplash

Diogo Antônio Rodriguez

Do UOL, em São Paulo

17/11/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Pesquisa revela que, para 37% dos brasileiros, principal motivo ao escolher sua empresa atual foi a chance de subir na carreira
  • Outros fatores importantes foram a remuneração e os benefícios (20%), a reputação da empresa (20%) e a necessidade de trabalhar (17%)
  • Setor de seguros é o único que deu mais importância à remuneração do que às perspectivas de carreira
  • Oportunidade de crescimento também é o principal fator para manter o brasileiro no emprego; em seguida vem a satisfação pessoal, acima da remuneração

Em tempos de crise econômica e desemprego em seu maior índice desde 2012, seria de se imaginar que um bom salário ou a necessidade de uma ocupação fossem as principais motivações para o brasileiro aceitar trabalhar em uma empresa. Mas a pesquisa FIA Employee Experience, realizada pela Fundação Instituto de Administração, mostra que o brasileiro pensa a longo prazo. O fator mais importante, escolhido por 37%, foi a perspectiva de crescimento dentro da organização.

Remuneração e benefícios vieram em segundo lugar, com 20% dos votos. E a necessidade de trabalhar ficou com 17%. A pesquisa, que permitia votar em mais de uma opção, ouviu 150 mil trabalhadores de mais de 300 empresas, entre agosto e setembro. Ela serve de base para o Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar, a ser entregue pelo UOL e pela FIA em 1/12.

A possibilidade de subir na carreira foi a resposta mais escolhida por trabalhadores de quase todos os segmentos. Mas ela é particularmente sedutora para quem atua em bancos e serviços financeiros (45%), mineração, metalurgia e siderurgia (39%), serviços (38%) e energia (35%).

O único setor cujos respondentes privilegiaram a remuneração foi o de seguradoras: 34%. E o único em que a necessidade de trabalhar teve maior peso foi o de alimentos e bebidas: 28%.

Perfis dos profissionais

Vivian Rio Stella, da VRS Academy - Divulgação/VRS Academy - Divulgação/VRS Academy
Vivian: pouco interesse pela reputação das empresas é um ponto a ser trabalhado
Imagem: Divulgação/VRS Academy
A pesquisa confirma o senso comum sobre certas profissões e segmentos. Por exemplo: o setor hospitalar, onde há um contingente relevante de profissionais ainda em formação, foi o único que deu maior preferência às oportunidades de aprendizado, com 26% dos votos.

Já a área de educação, onde estão professores e pedagogos, foi a única em que a identificação com o propósito do trabalho ficou em primeiro lugar. Empatou com as perspectivas de carreira e as oportunidades de aprendizado, todas com 25%.

"No setor de tecnologia, é bastante significativo o percentual de pessoas [7%] que escolheram sua atual oportunidade de emprego por conta da oferta de flexibilidade no trabalho", aponta Matthias Wegener, professor da FIA e um dos supervisores da pesquisa. O profissional de tecnologia também favorece as oportunidades de aprendizado (28%, segunda opção mais votada) e não se importa tanto com estabilidade (5%, um dos índices mais baixos entre todos os setores).

Já Vivian Rio Stella, idealizadora da consultoria de ensino corporativo VRS Academy e professora de comunicação empresarial na Faculdade Casper Líbero (SP), chama atenção para outro dado: no total, apenas 20% dos participantes da pesquisa considerou a reputação da companhia como principais motivos de atração.

"Vale fazer um exercício de reflexão sobre a imagem das empresas, porque isso talvez não corresponda ao esforço descomunal que elas fazem para trabalhar branding e marketing", avalia.

E o que mantém o trabalhador?

Matthias Wegener - Simon Plestenjak/Atmosfera FIA - Simon Plestenjak/Atmosfera FIA
Wegener: bancos e seguradoras são os únicos setores que privilegiam remuneração à satisfação
Imagem: Simon Plestenjak/Atmosfera FIA
A perspectiva de crescimento também é o principal motivo que mantém o trabalhador na atual empresa. Foi a opção mais selecionada, com 38%. Ela parece ser mais relevante para quem trabalha no comércio (47%), com consultoria e auditoria (46%) e em bancos e serviços financeiros (44%).

Mas o resto do ranking traz uma revelação: o brasileiro pode até entrar na empresa pensando no salário, mas ele fica lá porque se sente realizado com o que faz. A satisfação com o trabalho teve 33% dos votos, bem à frente da remuneração, com 26%. E foi citada como o principal motivo em setores como energia (43%), serviços (42%), química e petroquímica (40%) e hospitalar (38%).

"O que me chama atenção desses dados é o setor bancário e de seguros com um peso maior de remuneração em relação à satisfação pessoal [em seguros, 40% contra 36%; nos bancos, 38% contra 30%]", analisa Wegener. "Acredito que há uma cultura de achar natural o excesso de trabalho, as condições nem sempre ideais de equilíbrio e satisfação pessoal, como se isso fosse consenso nesses dois setores. Há dados que mostram até que o setor bancário é o mais impactado pelos casos de burnout e síndrome do pânico."

O Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da Fundação Instituto de Administração (FIA) que vai destacar as empresas brasileiras com os mais altos níveis de satisfação entre os seus colaboradores. Os vencedores serão definidos a partir dos resultados da pesquisa FIA Employee Experience, que mede o ambiente de trabalho, a cultura organizacional, a atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. Eles serão anunciados em 1/12.