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Bolsonaro diz que Petrobras só dá 'dor de cabeça' e elogia Zema por ICMS

Do UOL, em São Paulo *

27/10/2021 10h04Atualizada em 27/10/2021 12h58

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a falar hoje que considera privatizar a Petrobras e afirmou, em entrevista à TV Jovem Pan News, que a estatal só serve para lhe dar "dor de cabeça" e para prestar serviço a acionistas.

Em um contexto de alta no preço dos combustíveis nas bombas e ameaça de greve de caminhoneiros por causa do preço do diesel, esta é a terceira vez, em outubro, que Bolsonaro fala na possibilidade de privatizar a Petrobras.

No último dia 14, o presidente disse que tinha vontade de privatizar a estatal; anteontem, ele retomou o assunto, dizendo que o assunto estava no radar do governo.

"Eu posso interferir na Petrobras? Vou responder a processo, o presidente da Petrobras vai acabar sendo preso. É uma estatal que, com todo respeito, só me dá dor de cabeça", disse.

Nós vamos partir para uma maneira de nós quebramos mais monopólio, quem sabe até colocar no radar a privatização. É isso que queremos.
Jair Bolsonaro, presidente da República

O presidente ainda disse que, ao contrário do que ocorre normalmente no mercado de ações, quando o investidor pode ganhar ou perder com determinado investimento, no caso da Petrobras os acionistas sempre ganham.

Ele não apresentou dados que sustentem a análise, citando apenas a alta das ações da empresa. "É uma empresa que, hoje em dia, está prestando serviços para acionistas, mais ninguém", afirmou.

A chance de vocês perderem na Petrobras é zero, só o governo federal está pegando R$ 11 bilhões. Uma quantia equivalente a essa vai para acionistas. Você compra ação de qualquer empresa, você vai perder; com a Petrobras, você não perde nunca.

"Ou seja, essa empresa é nossa ou de alguns privilegiados? Sei que tem gente humilde também comprando ações, mas não é justo o que está acontecendo", declarou.

Elogios a Zema

Na mesma entrevista, Bolsonaro elogiou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), por ele ter anunciado o congelamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do diesel durante a semana. "Ele deu exemplo", disse.

O anúncio de Zema, proferido em entrevista à CNN Brasil, foi feito após, na última quinta-feira (21), caminhoneiros tanqueiros de Minas, mas também do Rio de Janeiro, terem paralisado para protestar contra as recentes altas no preço do diesel nas bombas dos postos.

"A partir de hoje estaremos congelando o ICMS do óleo diesel. Mesmo que ele venha aumentar, nós não reajustaremos o valor que é cobrado. Ou seja, o percentual começa a cair a cada aumento que o óleo diesel tiver", disse Zema à CNN Brasil.

O anúncio de Zema veio antes de a Petrobras anunciar mais um aumento no preço do diesel vendido nas refinarias, que passou, desde ontem, de R$ 3,06 para R$ 3,34 (alta de R$ 0,28, ou 9,15%), medida que se reflete no valor registrado nas bombas.

Bolsonaro tem atribuído o preço alto da gasolina e de outros combustíveis ao ICMS, mas dados oficias mostram que são os reajustes da Petrobras o que mais têm pesado para o aumento do preço nas bombas.

Em outubro, a Câmara aprovou um projeto que altera a cobrança do ICMS sobre combustíveis nos estados, prevendo uma alíquota específica fixa para tanto. A proposição, que aguarda trâmite no Senado, é criticada por governadores, que estimam perdas na arrecadação.

* Com informações da Reuters

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