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Morreu João Mellão Neto, um dos maiores pensadores liberais do país

João Mellão Neto - Divulgação/Alesp
João Mellão Neto Imagem: Divulgação/Alesp
Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

27/04/2020 10h53Atualizada em 27/04/2020 10h53

Se nós não entendemos a vida, como poderemos entender a morte?
Confúcio

Na última sexta-feira, 24, o Brasil perdeu um de seus mais brilhantes pensadores liberais, João Mellão Neto. O ex-ministro do Trabalho nos deixa muito cedo, com apenas 64 anos. Muitos vão falar dele como um dos melhores, senão o melhor articulista que já passou pelo Estadão. Com certeza vão se lembrar da sua atuação como comentarista na TV Record e na Rádio Jovem Pan. Não se esquecerão de mencionar que, além de ministro do Trabalho, foi deputado federal em sucessivas gestões e que emprestou sua inteligência em relevantes cargos na prefeitura e no governo de São Paulo.

Minha história com Mellão

Essa é uma biografia que todos conhecem. Eu quero falar do meu aluno João Mellão Neto. Quando prefaciou o meu livro "Seja um ótimo orador", contou uma história que poderia servir de estímulo a todos que usam a palavra em público —sem contar que foi um dos mais gratificantes elogios profissionais que recebi:

"Quando conheci o Reinaldo Polito, já trabalhava há alguns anos em rádio e TV. Ouvia sempre excelentes referências em relação a seu curso a ponto de, mesmo me considerando dotado de todos os conhecimentos sobre o assunto, resolver procurá-lo. Combinei um curso individual, que durou algumas semanas. Resultado: e 'achava' que sabia... O Polito me ensinou uma série de técnicas que eu sequer imaginava que existissem. Quando terminei o curso, era outro homem".

Seus filhos, por quem tinha tanta adoração, também foram meus alunos. Um deles, Ricardo Mellão, se elegeu deputado estadual em São Paulo pelo partido Novo. Enquanto os filhos frequentavam as aulas, ele me telefonava para saber como estavam se saindo. Mesmo jovens, educados e bem preparados, Mellão cuidava deles como se fossem ainda seus garotinhos. Um pai exemplar.

Contava histórias e admirava Jânio Quadros

Durante o treinamento, falamos sobre os mais diferentes temas. Eu tinha uma curiosidade: saber como ele conseguiu conviver com uma personalidade imprevisível como Jânio Quadros. Ele sorriu e me respondeu: Polito, vou dizer com toda a sinceridade, Jânio foi uma das pessoas mais inteligentes e previsíveis que conheci. Como seu Secretário de Administração, despachava com ele praticamente todos os dias. Eu ficava impressionado com sua lucidez e a extraordinária visão sobre todos os problemas complexos que atingiam a cidade.

Eu retruquei: mas não é essa a imagem que ele passava para a população. E ele, como se já aguardasse esse meu comentário, complementou: sim, Polito, ele sabia tudo o que fazia e o que deveria ser feito. Só que na hora de pôr em prática o que havíamos decidido, colocava os sapatos com os pés trocados, ou punha sobre os ombros uma bandeira do Corinthians, pois sabia que agindo assim, no dia seguinte iria para as primeiras páginas dos jornais. Não era diferente também quando ia a pé pela Avenida Juscelino Kubistchek multando pessoalmente os carros estacionados em local proibido.

No prefácio do meu livro, contou também outra história de Jânio Quadros (lembrando que Mellão começou a carreira política como integrante da Juventude Janista): "Assistindo a um discurso dele em uma cidade do interior, vi como magnetizou a plateia por uns quarenta minutos. Quando encerrou, foi delirantemente aplaudido pelo povo humilde que o ouvia. Na saída, ouço um cidadão comentar com outro: 'Olha, não entendi nada, mas como esse homem fala bem!'.

Podemos aprender com seus livros

Como escritor, aproveitava os textos que publicava, estabelecia um fio condutor entre as ideias e tinha a obra pronta. Entre suas publicações estão: "Nu com a mão no bolso —Brasil, uma visão liberal", "O pensamento liberal moderno", "Uma visão liberal do Brasil" e "O que enriquece e o que empobrece uma nação". Uma curiosidade que me liga muito ao meu estimado ex-aluno: quem lê meus textos, sabe que tenho o hábito de iniciar sempre com uma citação famosa, que ilustre bem o artigo. Essa prática, desenvolvi espelhando-me nele. Mellão começa seus textos sempre com uma citação.

Embora fosse conservador e ferrenho adversário da esquerda, sempre soube respeitar aqueles que tinham opiniões diversas das suas. Era firme nas suas convicções, mas ao mesmo tempo um agregador. Quem o conheceu já está sentindo saudade. Quem não teve essa oportunidade poderá recorrer aos seus livros. Com certeza, ao terminar a leitura não sairá do mesmo tamanho que entrou.

Superdicas da semana

  • É possível pensar diferente sem ser inimigo
  • Ninguém é tão bom que não possa melhorar
  • O homem é fruto da educação que recebeu
  • Uma pessoa só deixa de existir quando ninguém mais falar dela

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação", "Oratória para advogados", "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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Reinaldo Polito