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Ação da Petrobras cai mais de 8% após Bolsonaro barrar alta do diesel

Do UOL, em São Paulo

12/04/2019 11h10

As ações da Petrobras aprofundaram sua queda ao longo do dia após a companhia comunicar, na noite de ontem, que adiaria o reajuste de 5,7% no preço do diesel anunciado algumas horas antes. Por volta das 16h20, as ações ordinárias da petroleira (com direito a voto em assembleia) operavam em queda de 8,48%, enquanto as preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) registravam perda de 8%.

O presidente Jair Bolsonaro confirmou hoje que ligou para o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, para questionar o reajuste, o que reacendeu o temor de investidores de que a estatal possa voltar aos tempos de intervenção e controle de preços pelo governo.

"Estou preocupado também com o transporte de cargas no Brasil, com os caminhoneiros. Nós queremos um preço justo para o óleo diesel", disse Bolsonaro em um evento no Amapá.

Mais cedo, o vice-presidente, Hamilton Mourão, já havia comentado o assunto e defendido que se tratava de uma interferência "pontual". "Tenho absoluta certeza de que ele [Bolsonaro] não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia", afirmou.

Maior valor em seis meses

O aumento de 5,7%, anunciado ontem por volta do meio-dia, deveria passar a vigorar a partir de hoje nas refinarias da companhia e levaria o preço do litro do diesel a R$ 2,2662, maior valor em seis meses. À noite, a companhia adiou o aumento e decidiu manter o preço atual, de R$ 2,1432 por litro, praticado desde 22 de março.

O movimento ocorre diante de uma recente insatisfação de caminhoneiros com o preço do diesel e dos fretes. No ano passado, a categoria organizou uma greve histórica por causa da alta do combustível mais consumido no país, o que abalou a Petrobras, culminando com a renúncia do então presidente Pedro Parente.

"Reajuste mais brando"

Conforme uma fonte do Planalto, Bolsonaro ligou para o presidente da Petrobras pedindo um reajuste mais brando. "O presidente pediu para reduzir o aumento, de 5% para 1%. É manter o aumento, mas não nesse percentual", afirmou a fonte à agência de notícias Reuters.

No comunicado ao mercado emitido ontem, a Petrobras afirmou que segue "em consonância com sua estratégia para os reajustes dos preços do diesel" e que "avaliou, ao longo do dia, (...) que há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste".

Desde 2016, a Petrobras adota uma política de preços para seus combustíveis pela qual os valores praticados nas refinarias no país devem seguir indicadores do mercado internacional como cotação do barril de petróleo e valor do dólar.

Após um ano em que os reajustes chegaram a ser diários, a companhia anunciou, em março, que poderia segurar a cotação do combustível por períodos mais longos nas refinarias, por até 15 dias.

(Com Reuters)

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