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Bolsa cai mais de 12% após parada temporária; dólar sobe, perto de R$ 4,74

Do UOL, em São Paulo

09/03/2020 09h15Atualizada em 11/03/2020 14h30

A Bolsa brasileira teve as negociações suspensas durante 30 minutos por volta das 10h30 após despencar na manhã desta segunda-feira (9). A interrupção é um mecanismo automático, chamado de "circuit breaker", acionado quando há uma queda de mais de 10% (leia mais abaixo). Isso não acontecia desde maio de 2017, quando Michel Temer foi acusado pelo empresário Joesley Batista de integrar um esquema de corrupção.

Após a interrupção, a Bolsa voltou a operar em forte queda e chegou a cair mais de 10% novamente. Agora, para uma nova interrupção, é preciso uma queda de mais de 15%. Por volta das 16h20, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, caía 12,19%, a 86.053,80 pontos. As ações da Petrobras lideravam as perdas, com tombo de mais de 30%. No mesmo horário, o dólar comercial avançava 2,36%, a R$ 4,744 na venda.

O Banco Central fez duas intervenções no mercado de câmbio. De manhã, vendeu US$ 3 bilhões no mercado à vista. À tarde, fez outra venda, de US$ 465 milhões, para tentar conter a alta da moeda.

O dia é de caos nos mercados mundiais, com o derretimento das Bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, após uma disputa de preços entre a Rússia e a Arábia Saudita derrubar a cotação do petróleo em mais de 20%.

As Bolsas dos Estados Unidos também suspenderam os negócios logo depois da abertura, devido à queda de 7% nos índices. Elas voltaram a operar depois de 15 minutos, ainda em forte queda.

Caos nos mercados mundiais

A cotação do petróleo no mercado internacional já vinha em queda há duas semanas, o que levou a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a propor uma redução na produção para tentar conter essa desvalorização. Mas as negociações não terminaram bem.

A Rússia se recusou a apoiar os cortes, e a Arábia Saudita retaliou sinalizando que aumentará a produção para ganhar participação no mercado. Os sauditas cortaram seus preços oficiais de venda. A disputa comercial fez a cotação do petróleo ter a maior queda desde a Guerra do Golfo.

O tombo nos preços do petróleo se soma ao pânico que já acometia os investidores com os efeitos do coronavírus na economia mundial.

Atuação reforçada do BC no câmbio

Diante da disparada do dólar, o BC triplicou a intervenção no mercado de câmbio anunciada na sexta-feira, de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões no mercado à vista.

O diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, indicou hoje que as intervenções cambiais do BC podem durar o tempo que for necessário e disse que o banco não tem preconceito ou preferência por uso de nenhum dos instrumentos à sua disposição.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

O que é "circuit breaker"

A interrupção dos negócios, chamada de "circuit breaker", é um mecanismo adotado no mundo todo e serve para garantir proteção quando há grande instabilidade em momentos atípicos do mercado.

Aqui no Brasil, quando a queda da Bolsa atinge 10%, ela é paralisada por 30 minutos. Passado esse intervalo, os negócios são reabertos e o limite de queda passa a ser de 15%. Se a baixa chegar a 15%, a Bolsa para novamente, agora por uma hora. Após esse período, as operações são retomadas e o limite de baixa aumenta para 20%. Se o Ibovespa cai 20%, os mercados podem ser interrompidos por qualquer prazo definido pela Bolsa de Valores.

Bolsas mundiais em forte queda

As Bolsas do mundo todo derretiam nesta segunda. Nos Estados Unidos, os três principais índices, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, perdiam quase 8% no final da tarde.

Na Europa, as Bolsas de Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal despencaram.

Na Ásia, houve queda generalizada, e as Bolsas chegaram a fechar em queda de mais de 7%.

* Com Reuters

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