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Bolsa cai mais de 12% após parada temporária; dólar dispara e bate R$ 5,24

Do UOL, em São Paulo

18/03/2020 09h20Atualizada em 18/03/2020 17h05

A Bolsa teve as operações suspensas por volta das 13h18, com o acionamento do chamado "circuit breaker", ao cair mais de 10%. Foi a sexta vez em dez dias. Após retomar os negócios, a Bolsa continuou despencando. O dólar disparava, passando de R$ 5,24.

Por volta das 16h20, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía 12,31%, aos 65.432,57 pontos. No mesmo horário, o dólar comercial tinha alta de 4,83%, a R$ 5,244 na venda. O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

As preocupações de investidores com os impactos econômico do coronavírus persistem no mercado. Também é aguardada hoje a decisão do Banco Central sobre a taxa básica de juros (Selic).

O dia é marcado por uma onda negativa global, num momento em que a pandemia de coronavírus força governos a impor quarentenas generalizadas, gerando interrupções que podem levar a economia mundial a uma recessão.

"Investidores seguem avaliando a efetividade dos estímulos fiscais e monetários no amortecimento dos impactos econômicos derivados do surto da Covid-19", disse a equipe da Guide Investimentos. "Na falta de uma melhora no horizonte, alertas de recessão iminente continuam falando mais alto".

No Brasil, o governo enviou ao Congresso o pedido de reconhecimento de estado de calamidade pública devido à pandemia e seus impactos na saúde dos brasileiros e na economia do país. A medida, se aprovada, abre espaço para o governo elevar seus gastos sem precisar cumprir a meta fiscal.

"O mercado está preocupado e acreditamos que as coisas devem piorar antes de melhorar nos próximos dois meses, o que vai mexer muito com o emocional dos investidores", afirmou o analista de ações Thiago Salomão, da Rico Investimentos.

Estimativas pessimistas

A pandemia de Covid-19 tem levado a projeções cada dia mais pessimistas para a economia mundial e a do Brasil.

O banco Credit Suisse cortou a estimativa de crescimento do Brasil de 1,4% para zero em 2020 e passou a considerar em seu cenário-base uma recessão técnica na primeira metade deste ano, com queda de 0,1% no PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre e de 1,6% no segundo trimestre. A recessão técnica ocorre quando há dois trimestres seguidos de queda do PIB.

O banco também passou a projetar encolhimento de 1,5% no PIB da América Latina neste ano, devido aos esforços de distanciamento social para contenção do coronavírus e à "rápida queda" de preços de commodities, como petróleo e soja.

Novas intervenções do BC

Para tentar conter a disparada do dólar, o Banco Central marcou presença nos mercados de câmbio hoje.

Num intervalo de cerca de uma hora e meia, o BC realizou leilões de linha com compromisso de recompra, em que vendeu US$ 2 bilhões, dois leilões de moeda à vista, totalizando venda de US$ 830 milhões, e anunciou que vai comprar títulos do governo negociados em dólar no mercado internacional, os chamados títulos soberanos, com o compromisso de revender o mesmo papel ao aplicador dentro de um mês.

A medida tem o objetivo de aumentar a oferta de ativos negociados em dólares no mercado. Esses títulos são negociados por investidores estrangeiros, mas fundos de investimento oferecidos por gestores de recursos no Brasil também aplicam nesse tipo de papel, inclusive bancos.

Expectativa de corte de juros no Brasil

Investidores aguardam uma provável redução na taxa básica de juros (Selic), que hoje está em 4,25% ao ano. O Copom (Comitê de Política Monetária), responsável por definir a Selic, está reunido desde ontem e deve anunciar a decisão por volta das 18h.

A expectativa é que o novo corte nos juros seja adotado como mais uma medida para tentar estimular os mercados diante da pandemia.

A iniciativa acompanharia a decisão dos bancos centrais das principais economias do mundo. O Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), por exemplo, cortou no domingo os juros em um ponto percentual, para perto de zero, em uma decisão emergencial.

* Com Reuters

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