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Empreendedorismo

Restaurantes usam tuk-tuk tailandês, táxi e motorista para atrair clientes

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

17/12/2013 06h00

O trânsito complicado nas grandes cidades e a lei seca têm feito com que alguns empresários invistam em transporte gratuito, ou com desconto, para atrair clientela.

Além das tradicionais vans, há restaurantes que apostam no tuk-tuk (veículo típico asiático) e no pagamento de táxi como cortesia para quem consome bebida alcoólica.

Para especialistas, o serviço pode atrair mais clientes, principalmente moradores de outros municípios ou Estados que não sabem se locomover na cidade, ou aqueles que gostam de beber e não poderiam dirigir após ingerir bebida alcoólica.

No entanto, segundo eles, é preciso avaliar se o aumento de consumidores no estabelecimento paga os gastos extras gerados pelo serviço. 

Tuk-tuk circula pelas ruas de São Paulo desde novembro

O empresário Cyro Sá, 59, é o dono do restaurante tailandês Tian. Ele não revela números, mas diz que a iniciativa de buscar e levar clientes no bairro do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo (SP), com um tuk-tuk (nome popular para o riquixá) fez aumentar o movimento no restaurante, inaugurado em maio deste ano.

O transporte como veículo iniciou em novembro. Desde então, segundo ele, muitas pessoas que passam em frente ao restaurante param para tirar fotos e querem saber como podem andar com o tuk-tuk.

Sá é casado com a tailandesa Marina Pipatpan, que é chef de cozinha do restaurante. O casal morou durante 13 anos na Tailândia e se considera divulgador da cultura do país no Brasil.

“A Tailândia é conhecida como a terra dos sorrisos e o tuk-tuk é um símbolo dessa alegria e beleza. Meu objetivo, ao usar um tuk-tuk, é trazer um pouco dessa magia e diversão para os paulistas”, declara.

O veículo só circula pelo bairro do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, onde está localizado o restaurante. Sá diz que é comum os clientes ligarem de casa ou do trabalho e pedir para o tuk-tuk ir buscá-los.

Também é possível pará-lo na rua e pegar carona, se estiver vazio. O serviço não tem custo e só pode ser usado por clientes do restaurante.

O tuk-tuk tem capacidade para três passageiros, incluindo o motorista, é movido a gasolina e atinge até cerca de 50 km/h, segundo o empresário. Sá diz que adquiriu o veículo de um fabricante nacional e que o investimento foi alto, por ter sido personalizado, mas não revela valores.

Segundo a fabricante Motocar, um veículo deste tipo sem personalização tem o preço sugerido de R$ 12.900 nas concessionárias. O veículo já é homologado pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e, para dirigi-lo, é necessário ter carteira de habilitação para moto.

De acordo com Marcelo Sinelli, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo), a iniciativa é interessante, pois oferece uma experiência ao consumidor.

“O tuk-tuk é típico da cultura tailandesa, assim, o cliente já vai entrando no clima antes mesmo de chegar ao restaurante. É uma maneira de inovar”, afirma.

Lei seca e atração de turistas motivam oferta de transporte

Renato Dabroi, gerente da churrascaria Vento Haragano, também de São Paulo (SP), diz que o estabelecimento possui três vans que buscam clientes em hotéis e em empresas da região de graça. Elas levam cerca de mil pessoas por mês à churrascaria, segundo Dabroi.

"Dessa forma, conseguimos atrair clientes de fora da cidade e facilitamos a vida de quem não sabe se locomover em São Paulo", declara.

Já no restaurante italiano Maurizio Gallo, em Belo Horizonte (MG), os clientes que consumirem duas garrafas de vinho grandes ganham R$ 20 para ajudar a pagar a corrida de táxi. A iniciativa surgiu após a lei seca, para evitar que pessoas alcoolizadas dirijam.

Segundo Gallo, o volume de clientes aumentou, principalmente nas noites de sexta-feira.

Empresário deve avaliar resultados para evitar prejuízo, diz consultor

Sinelli diz que é importante avaliar o resultado da ação, para calcular se ela está dando retorno ou prejuízo, afinal, disponibilizar um veículo com motorista implica em custos para o negócio. 

“É importante calcular se o serviço de transporte aumentou o número de clientes do restaurante e se o volume é suficiente para cobrir esses gastos extras. Se não for, o empresário deve estudar aumentar um pouco o valor de cada prato”, diz.

Segundo o consultor, é importante avaliar a logística da ação e, se for o caso, delimitar a área de atuação, para evitar que o veículo fique preso no trânsito, por exemplo. Ele também diz que medir os resultados é importante para avaliar a demanda pelo serviço.

“Se houver muito mais gente interessada do que o veículo é capaz de transportar, a iniciativa pode gerar insatisfação nos clientes e transtornos ao restaurante.”

Além disso, segundo Sinelli, é importante oferecer segurança, conforto e rapidez aos passageiros, inclusive aos do tuk-tuk.

“O empresário tem de se precaver contra eventualidades. Se tiver trânsito e o veículo ficar parado, os passageiros estão sujeitos a assaltos? Se chover, eles se molham? Se o pneu furar, o motorista sabe trocar? É necessário pensar em tudo isso.”

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