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Empreendedorismo


Lanchonete que vende pratos como Dog Marley e Alho Maiden planeja franquia

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

20/02/2014 06h00

A paixão pelo rock inspirou o músico e empresário Alexandre Santos, 37, na hora de batizar os pratos e sanduíches de sua lanchonete, a X-Maru, em Joaçaba (SC). No cardápio, fazem sucesso os lanches Kurt Cobacon, David Boi e Dog Marley, o prato Alho Maiden, entre outros. A empresa existe desde fevereiro de 2012 e quer virar franquia em dois anos.

Os nomes homenageiam artistas e fazem alusão a um dos ingredientes do prato. O Kurt Cobacon custa R$ 13 e leva coração de frango, bacon, cebola roxa, pimentão vermelho e amarelo e molho shoyu. Já o Alho Maiden é um prato de macarrão ao alho e óleo que custa R$ 10.

O sanduíche David Boi tem alcatra, calabresa, amendoim, cenoura, couve-flor, brócolis, pimentão vermelho e amarelo, cebola e molho shoyu, ao preço de R$12,50. O Dog Marley é feito com salsicha, cebola, milho, catupiry, batata palha e orégano no pão francês e o preço é R$ 10.

Santos diz que está falando com uma consultoria para formatar a franquia do negócio. Ele também afirma que já foi procurado por empresários interessados em adquirir uma unidade. Segundo consultor ouvido pelo UOL, o ideal é que o empresário abra uma loja em uma cidade grande para avaliar o comportamento do mercado antes de buscar franqueados.

A X-Maru foi montada com investimento inicial de R$ 35 mil. O faturamento médio mensal é de R$ 20 mil, segundo Santos. O nome do estabelecimento também é um trocadilho, com o apelido de Santos, Chimaru (personagem de um desenho japonês).

A decoração segue a mesma proposta do cardápio. Nas paredes, há fotos dele com o grupo Deep Purple e de um show dos Mutantes. A lanchonete é pequena, com capacidade para apenas dez pessoas. “Um diferencial para a região é que ficamos abertos até 6h da manhã aos sábados e domingos e atendemos baladeiros na volta para casa."

Empresário quer criar espaço cultural em lanchonete

Segundo Santos, por estar em uma cidade pequena, de 27,5 mil habitantes, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o crescimento da empresa fica limitado. Por isso, ele está formatando franquias para levar o negócio para outros lugares e a meta é que o projeto esteja pronto em dois anos.

“Meu sonho é desenvolver o conceito de lanchonete cultural, para unir gastronomia à cultura. Quero fazer intervenções culturais, como esquetes de teatro e comédia, música ao vivo, recital de poesias, deixar livros nas mesas”, declara.

Santos diz que criou todos os nomes de lanches e está em processo de registro de marca para garantir a exclusividade. Alguns até geram polêmica, como o Paul McCarne, sanduíche com alcatra, cebola, cogumelo, catupiry e batata palha no pão francês. Isso porque o ex-Beatle Paul McCartney é vegetariano.

“Já me disseram que ele não iria gostar se soubesse, mas é só uma homenagem”, afirma Santos.

Apostar em cidade pequena pode limitar faturamento

Segundo Diego Simioni, da Go Akira, consultoria de negócios e franquias, estar em uma cidade pequena limita o potencial de faturamento do negócio. Atuar num nicho, como faz a X-Maru, que aposta nos fãs de rock, é ainda mais arriscado em cidades menores, pois pode não haver público suficiente.

Por outro lado, ele diz que os custos de aluguel e condomínio e até de mão de obra são menores do que em grandes cidades. “Nas capitais, os custos de ocupação representam cerca de 15% do faturamento. Em cidades menores, até 7%. O empresário precisa avaliar o negócio com cuidado, pois pode faturar menos em uma cidade menor, mas ter mais rentabilidade.”

Apesar de já existirem restaurantes que fazem a relação entre hambúrgueres e rock e também muitas franquias de lanchonete, Simioni diz que ainda há espaço para novas redes, desde que elas ofereçam algo diferente do que há no mercado.

“Alimentação é o segundo setor que mais fatura entre franquias, perdendo apenas para serviços. A ideia de unir gastronomia à espaço cultural é boa, pois segue a tendência de oferecer uma experiência ao cliente. Quando a pessoa se sente bem num lugar, ela tende a gastar mais”, afirma.

Entretanto, Simioni diz que, antes de comercializar as franquias, o ideal é que seja aberta pelo menos uma loja própria em uma cidade grande para testar o modelo. Dessa forma, será possível avaliar o comportamento do mercado e estruturar melhor o negócio para ver se a lanchonete, que atualmente funciona em um espaço pequeno, pode ser ampliada para atender mais clientes. 

Serviço:

X-Maru
Avenida Barão do Rio Branco, 376 - Centro - Joaçaba (SC)
Telefone: (49) 3521-1423
www.xmaru.com.br

Cuidados ao escolher uma franquia

Tempo de mercadoVerifique há quanto tempo a rede atua no mercado. Se a franquia for nova, veja o número de unidades próprias. É por meio delas que a franqueadora adquire experiência e conhecimento da área que irá transmitir aos franqueados
Pesquisa com franqueadosAs redes são obrigadas a apresentar a COF (Circular de Oferta de Franquia) para os interessados. O documento deve indicar endereço, nome e telefone de franqueados e ex-franqueados. É importante ligar para o maior número possível para saber sobre investimento, faturamento, tempo de retorno e lucro
FaturamentoDesconfie de número fantásticos. O ideal é avaliar mais de uma franquia do setor que deseja ingressar para ver se os números são similares. Segundo a ABF, o lucro varia de 10% a 15% sobre o faturamento
Prazo de retornoA ABF trabalha com o prazo de retorno de 18 a 24 meses para microfranquias, que exigem um investimento mais baixo, e de 36 meses para franquias, que necessitam de investimento maior
Assinatura de contratoO negócio só pode ser fechado após o prazo de 10 dias da entrega da COF. O objetivo é evitar a assinatura por impulso. A COF informa o número de franqueados ativos e inativos (nos últimos 12 meses), com telefone, ações judiciais contra a empresa e estimativa de investimento, faturamento etc.

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