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Empreendedorismo

Crescimento acelerado de franquia de limpeza resulta em onda de processos

Divulgação
Uma loja da franquia Ecoville Imagem: Divulgação

Natalia Gómez

Colaboração para o UOL, em Maringá (PR)

27/04/2018 04h00

O crescimento muito rápido de algumas redes de franquias traz riscos para os dois lados do negócio. Um exemplo é a rede de franquias de produtos de limpeza Ecoville, que vive atualmente um desentendimento judicial com um grupo de franqueados.

Em apenas dois anos, a empresa de Joinville (SC), fundada em 2007, vendeu 375 franquias, sendo que parte dos franqueados comprou mais de uma franquia da rede. Atualmente, são 268 unidades em operação, sendo 161 franquias e 107 lojas licenciadas.

A empresa vende produtos de limpeza, sendo 75% fabricados por ela mesma. A venda ocorre em lojas físicas e em unidades móveis montadas em automóveis, com investimento a partir de R$ 69 mil.

A venda rápida não aconteceu sem consequências. Na segunda metade do ano passado, um grupo de 11 franqueados da Ecoville entrou com ações judiciais contra a empresa, alegando que estão perdendo dinheiro devido a problemas relativos à qualidade dos produtos, discrepância entre os investimentos reais e os previstos na COF, além da diferença do preço final dos produtos em alguns estados devido a diferentes alíquotas de ICMS.

A empresa nega falha de planejamento e diz que as dificuldades são comuns a qualquer negócio (leia detalhes sobre a posição da empresa mais abaixo neste texto).

Veja aqui orientações sobre como evitar problemas com franquias baratas ou novatas.

Carros de som que não podem circular

Outro problema relatado pelos franqueados diz respeito aos carros de som usados para vender os produtos da Ecoville, pois em algumas cidades, como São Paulo, a circulação de carros de som é proibida.

No final de 2016, o franqueado Fabiano Alberti, engenheiro de 41 anos, de São Paulo, comprou uma franquia móvel para circular nos bairros da Vila Mascote e Saúde, fazendo a venda porta a porta dos produtos Ecoville.

Somente depois de comprar um carro com as determinações da franqueadora, o empresário descobriu que a legislação do município não permite a circulação de carros de som para propaganda de produtos nas ruas. Depois de operar por cinco meses em 2017, ele encerrou as suas atividades com receio de ser punido.

Investimento acima do previsto e produtos caros

Outros problemas relatados pelo franqueado foram o investimento muito superior ao previsto no contrato e a falta de competitividade dos preços dos produtos, diferentemente do que teria sido prometido na hora da venda.

Ele conta que investiu no total R$ 100 mil -considerando R$ 50 mil de duas franquias, R$ 28 mil do automóvel, R$ 5.000 de material de inauguração, além de despesas de divulgação e seu tempo de trabalho.

Os recursos foram tirados da sua poupança e de seu pai. “Na hora de vender, venderam-me uma Ferrari, mas me entregaram um Fusquinha”, afirma Alberti.

“Disseram que era um sistema que tinha preço e qualidade, mas quando comecei a trabalhar vi que não era nada daquilo. Deixaram muito a desejar”, afirma o engenheiro, que vendeu o carro usado no negócio e passou a trabalhar com a sua irmã, que é dentista, em uma nova clínica de odontologia.

Empresa diz que dificuldades são normais em qualquer negócio

Procurado pelo UOL, o fundador da Ecoville, Leonardo Castelo, negou que existam falhas no planejamento da franquia, na qualidade dos produtos ou na elaboração da COF (Circular de Oferta de Franquia, onde são expostos os dados da empresa).

Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pelos franqueados da rede são comuns a qualquer negócio. “Na prática, é a dificuldade de tocar um negócio no Brasil assim como em qualquer lugar do mundo. Tem que ter resiliência, disciplina e trabalho.”

Em relação aos carros de som, ele diz que devem servir de apoio às lojas físicas e que seu uso não é obrigatório.

Depois que os franqueados entraram com ações judiciais, no entanto, a empresa passou a rever a sua política de venda de franquias para tornar o processo mais criterioso.

“A gente continua com um processo de expansão forte, porém muito mais criterioso. Há um vendedor que vende a franquia, mas depois existe uma entrevista de alinhamento de expectativa, que a gente chama informalmente de ‘des-venda’”, afirma.

“Queremos colocar o pé da pessoa no chão e dizer que é difícil porque queremos construir um negócio duradouro e de longo prazo.”

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O empresário, que começou seu negócio com a venda porta a porta, afirma que a empresa tem humildade para reconhecer que tem coisas para melhorar, mas que pretende continuar a expandir sua operação rapidamente porque existem muitas empresas copiando seu modelo de negócio. “Se a gente não for rápido agora, a gente vai se perder no meio do caminho”, afirma. Atualmente, a rede inaugura 10 a 15 lojas por mês.

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