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Com juros em queda, ainda dá para ganhar com títulos públicos prefixados?

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

2019-06-19T04:00:00

19/06/2019 04h00

Diante da possibilidade de redução da Selic, a taxa básica de juros de economia, será que ainda vale a pena investir em títulos públicos prefixados?

O rendimento oferecido por esses papéis, que são negociados no Tesouro Direto, caiu bastante nos últimos dias. Mesmo assim, especialistas afirmam que há oportunidades.

No título prefixado, você sabe na hora da compra a taxa que vai receber se ficar com o papel até o dia do vencimento. Nos pós-fixados, o rendimento depende do comportamento da Selic, que pode cair ou subir durante o período do investimento. Há ainda os títulos atrelados ao IPCA, que oferecem correção pela inflação mais uma taxa de juros fixa.

A remuneração do prefixado reflete a expectativa do mercado financeiro para o comportamento dos juros no período do investimento. As taxas caíram nos últimos dias porque o mercado acredita que o Banco Central poderá anunciar um corte da Selic já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (19).

Se confirmada, esta será a primeira redução da Selic após 15 meses de estabilidade. A última vez que o Copom alterou os juros básicos, para o atual patamar, de 6,5% ao ano, foi em março de 2018.

Queda de juros é boa para quem já tem título pré

Embora sejam títulos de renda fixa, os papéis prefixados do Tesouro estão sujeitos a oscilações diárias de preço devido ao efeito da marcação a mercado. O valor em reais do título é ajustado diariamente dependendo das expectativas do mercado para a taxa básica de juros.

Um título prefixado tem que chegar ao dia do vencimento com um certo valor. O que a marcação a mercado faz é calcular o valor presente, ou seja, quanto esse título valeria hoje, com base na taxa de juros do dia. Você só precisa se preocupar com a marcação a mercado se sua intenção for resgatar o título antes do vencimento.

Em resumo: se o mercado acha que os juros vão cair, o valor do título aumenta. E vice-versa. No cenário atual, quem já possui títulos prefixados em sua carteira de investimentos certamente está observando uma valorização extra dos papéis, de até 5% em apenas um mês, dependendo do título.

Você pode vender o papel e embolsar esse lucro extra já ou ficar com o título até a data de vencimento. Nesse caso, receberá aquela taxa que foi informada na hora da compra do papel.

Se você não vai precisar do dinheiro, o melhor é manter a aplicação, já que outros produtos de renda fixa certamente pagarão hoje juros menores do que a taxa do título que você comprou lá atrás. Um título prefixado que pagava juros de até 9% ao ano em setembro do ano passado para quem comprasse naquela data e ficasse com ele até 2022 agora pagará apenas 6,5% ao ano de rendimento para quem começar a investir nele hoje.

Ainda há oportunidades em títulos pré mais longos

Os títulos prefixados com vencimentos em prazos mais curtos, nos próximos três anos, já se ajustaram ao cenário de juros mais baixos, ou seja, estão oferecendo rendimentos menores, em torno de 6,5% ao ano.

Mas ainda há oportunidades de ganhos extras com títulos prefixados que tenham vencimentos mais longos, acima de três anos. "Os prêmios dos títulos longos não estão tão grandes como há alguns meses, mas certamente estão melhores do que os curtos", disse André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Entre as sugestões do especialista, estão o Tesouro Prefixado 2025, que oferecia um rendimento de 7,53% ao ano na sexta-feira (14), e o Tesouro Prefixado 2029 com juros semestrais, que pagava 7,9% ao ano.

Perfeito também recomenda os títulos longos indexados ao IPCA, que garantem a correção da inflação mais uma taxa real de juros. Entre as opções estão o Tesouro IPCA 2035, com taxa de juros de 3,91%, e o Tesouro IPCA 2050 com juros semestrais, que paga IPCA mais 3,98% ao ano.

Mercado se antecipa à queda dos juros

A expectativa de corte da Selic reflete a avaliação dos economistas de que o Banco Central precisará utilizar a política monetária para estimular a atividade econômica, que tem ficado aquém do desejado.

A aposta na redução dos juros ganhou força no fim de maio, após a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, que encolheu 0,2% na comparação com o quarto trimestre.

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