IPCA
0,1 Out.2019
Topo

Finanças pessoais


Você pode ganhar mais se emprestar dinheiro a uma empresa; veja como

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

17/08/2019 04h00

Com os juros em queda, o pequeno investidor precisa buscar alternativas que sejam mais rentáveis do que a poupança, os fundos DI, os títulos públicos e outras aplicações tradicionais de renda fixa.

Uma delas é a debênture, um título de crédito privado emitido por uma empresa. Ela é parecida com o CDB, que é emitido por bancos. Na prática, você empresta dinheiro à empresa por um tempo definido e, em troca, recebe uma remuneração fixada previamente.

Busque empresas conhecidas e saudáveis

O segredo para realizar um bom investimento é procurar empresas que sejam conhecidas e que tenham boa saúde financeira. Consulte a classificação de risco, ou "rating" da companhia. A consulta pode ser feita no site de relações com investidores da empresa ou nas principais agências de classificação de risco: Fitch, Moody's e S&P.

"'Rating' é que nem a nota da escola. A empresa que tem 'rating A' é melhor do que outra com 'rating C'", afirmou Fábio Macedo, diretor comercial da corretora Easynvest.

Uma companhia em dificuldades financeiras pode atrasar o pagamento dos juros da debênture, por exemplo. Em uma situação extrema, ela pode ir à falência, e você pode ficar sem o dinheiro investido.

A principal diferença em relação ao CDB é que a debênture não tem a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) contra calote. Por isso, é importante conhecer bem a companhia antes de comprar a sua debênture.

Há cobrança de Imposto de Renda

Assim como as demais aplicações em renda fixa, as debêntures estão sujeitas a uma alíquota de pelo menos 15% de imposto sobre o rendimento.

Onde comprar

A compra é feita por meio de uma corretora ou plataforma de investimento, e a maioria dos papéis exige aplicação mínima de R$ 10 mil.

A remuneração do título pode ser:

  • Prefixada
  • Atrelada ao IPCA
  • Atrelada ao CDI (pós-fixada)

Uma mesma empresa pode ter vários tipos de debêntures, com remunerações e prazos diferentes. Tenha em vista o objetivo da sua aplicação para buscar o papel que tem o prazo mais adequado.

Cuidado com a liquidez

O investidor deve tomar cuidado com a liquidez, pois a debênture é um investimento de longo prazo. Os vencimentos geralmente são acima de dois anos.

"Se você precisar do dinheiro antes do vencimento, poderá ter dificuldade para achar um comprador para seus papéis. Há um mercado secundário no qual as debêntures são negociadas, mas a liquidez ainda é limitada", disse Macedo.

Riscos e retornos mais altos

Como a debênture apresenta um risco maior, ela tem que oferecer um rendimento acima dos investimentos tradicionais de renda fixa. Quanto menos conhecida ou mais arriscada é a companhia, maior tende a ser a remuneração paga por sua debênture.

Por isso, você só deve comprar debêntures dentro de uma estratégia de diversificação dos investimentos. Em outras palavras, destine apenas uma parcela do seu patrimônio para esse produto, de forma a não assumir risco demais, e evite concentrar o dinheiro em poucos papéis.

Você pode consultar as taxas das debêntures disponíveis no mercado no site da Anbima.

Debênture incentivada é isenta de imposto

Há um tipo específico de debênture que merece mais atenção do investidor: a incentivada, também conhecida como debênture de infraestrutura. Ela é emitida por empresas para realizar projetos como rodovias, aeroportos e hidrelétricas.

A grande vantagem da debênture incentivada é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

"A rentabilidade dos fundos de debêntures incentivadas tem variado entre 130% do CDI (7,7% ao ano) e 170% do CDI (10% ao ano)", disse Macedo. Aplicações mais tradicionais, como CDBs de bancos médios, pagam normalmente entre 100% (5,9% ao ano) e 120% do CDI (7% ao ano).

Fundo é forma mais simples de investir

Na aplicação por meio de um fundo, o investidor não precisa conhecer as empresas. É mais seguro para o investidor inexperiente, pois o gestor fica responsável pela escolha das debêntures e pelo controle do risco. Como o fundo pode comprar debêntures de várias empresas ao mesmo tempo, o risco do investimento é diluído.

Há ainda a vantagem de a aplicação inicial ser mais baixa, a partir de R$ 100.

A isenção do Imposto de Renda também é válida para os fundos de debêntures incentivadas, segundo Macedo. Na hora de escolher esse tipo de fundo, preste atenção à taxa de administração --o ideal é que ela não supere 1% ao ano. E tome cuidado com a carência para o resgate. Alguns fundos só liberam o dinheiro após 45 dias.

Gostou deste texto? Assine a newsletter UOL Investimentos para receber informações como esta em primeira mão no seu email.

Se não sabe responder a estas 5 questões, será muito difícil ficar rico

UOL Notícias

Finanças pessoais