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Vai ser mais difícil ganhar na Bolsa em 2020, diz associação de previdência

Marcelo Mello, diretor da comissão de investimentos da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) - Solange Macedo
Marcelo Mello, diretor da comissão de investimentos da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) Imagem: Solange Macedo

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

17/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Diretor da federação das empresas de previdência privada e da Sulamerica vê espaço para ações continuarem em alta em 2020
  • Mas como Ibovespa já subiu 32% em 2019, nome do jogo este ano é seletividade, diz Marcelo Mello
  • Com a queda dos juros, a busca por ativos de risco vai ser o caminho para a previdência privada obter ganhos

O Banco Central voltou a cortar os juros, reduzindo ainda mais o rendimento dos fundos de renda fixa mais conservadores. Por isso investimentos de longo prazo, como os planos de previdência privada, terão que correr mais riscos, afirma o diretor da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), Marcelo Mello, responsável pela comissão de investimentos da FenaPrevi, também vice-presidente de investimentos, vida e previdência da SulAmérica, uma das dez maiores empresas do setor.

Segundo Mello, o ambiente é favorável para esse movimento em direção à renda variável, já que a Bolsa deve ter mais um ano de ganhos, e que seria o quinto seguido. Mas o espaço para valorização em 2020 está mais estreito, e os investidores terão que ser mais seletivos na escolha das ações que têm maior potencial de alta. Ele prevê uma alta de 21% na Bolsa neste ano (em 2019, foi de 32%)

O fato é que a busca pelo risco já está ocorrendo, segundo o diretor da FenaPrevi. "Já percebemos um movimento de migração", afirmou Mello sobre o fluxo de recursos saindo dos fundos de renda fixa para carteiras de ações ou fundos multimercados.

No acumulado de janeiro a novembro, a previdência complementar aberta registrou R$ 112,5 bilhões em novos depósitos, o que representa crescimento de 17,3% frente ao mesmo período do ano anterior. O sistema fechou o mês de novembro com 13,4 milhões de participantes, número 2,6% superior aos 13 milhões no mesmo mês do ano passado.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

UOL: Os juros caíram novamente e o cenário dos agentes de mercado é o de Selic baixa por mais tempo. Já é possível perceber uma migração dos aplicadores em busca de ativos de mais risco?

Marcelo Mello: Sim, já percebemos isso. Em novembro último, por exemplo, dados compilados mais recentes, 12,5% dos recursos foram alocados nos fundos de previdência foram para multimercados. Esse percentual supera os registrados em 2018, quando era de 9,8%, e o patamar de 2017, que era de 7,3%. Os investimentos em renda fixa, por outro lado, caíram de um patamar de 90% para 80%.

Até porque o desempenho da Bolsa ajudou. 2019 foi um ano positivo para o setor?

Sim, por várias razões. Pelo ambiente macro, tivemos agenda econômica ortodoxa do governo, com ajuste das contas públicas e reformas, como a da Previdência. Isso tudo teve impacto nos ativos, ajudando a Bolsa. A queda do desemprego também é boa para a previdência privada porque tem mais gente empregada e contribuindo para os planos, assim como a expectativa de melhora de renda. A gente viu em 2019 a consolidação de um ciclo virtuoso.

Olhando para 2020, isso deve ocorrer novamente ou haverá mais volatilidade, levando em conta fontes de incertezas, como as eleições nos Estados Unidos, o Brexit e, agora, o surto de coronavírus?

O ano de 2020 será mais desafiador por conta dessas incertezas, mas valem alguns comentários. Olhando para o risco de o coronavírus impactar a economia global e os mercados, percebemos que esse tipo de evento se concentra mais no curto prazo. Sobre os Estados Unidos, de fato há incertezas com relação a quem será o candidato da oposição dos Democratas a Donald Trump, porque alguns dos pré-candidatos têm agendas que pode trazer nervosismo ao mercado.

Já sobre os riscos no Brasil, o encaminhamento das reformas que podem trazer volatilidade aos mercados, se houver muita resistência ou frustração a temas como a reforma administrativa, por exemplo?

Olhando para a Bolsa, de fato o mercado vem de alguns anos de alta, mas nosso cenário base enxerga esses riscos sem nenhuma ruptura, ou seja, sem afetar a trajetória que é de crescimento da economia brasileira, favorecendo os resultados das empresas e a valorização das ações.

Então estão otimistas com Bolsa?

Sim porque apesar da alta dos últimos anos, ela ainda está depreciada em relação a valores médios históricos. Além disso, o brasileiro ainda está pouco alocado em ações. Tem muito dinheiro para migrar da renda fixa.

Além disso, os estrangeiros estão com uma baixa exposição no Brasil. Teve muita saída ano passado. Por isso, esse aplicador deve voltar na medida que o governo for levando adiante os programas de concessões e infraestrutura.

A gente enxerga espaço para o Ibovespa ir a 140 mil pontos nos próximos 12 meses, algo como 21% de ganho no ano, levando em conta as projeções de crescimento do país. Assim, os preços de ações no Ibovespa ainda têm espaço para subir. Menos que em 2019, quando o Ibovespa foi de 32%, mas ainda positivo.

Então os gestores terão que ser mais seletivos?

De fato, precisa fazer uma seleção um pouco maior porque nem tudo vai subir da mesma forma. Isso é fato. Além disso, o estilo de gestão deve que ser mais tático que estrutural, sendo mais ativo para atuar em momentos de volatilidade.

Por outro lado, as empresas estão lançando mais papeis no mercado, com ofertas de novas ações, que vão dar novas oportunidades aos investidores.

Com a queda dos juros e a necessidade de as empresas de previdência privada serem mais ativas na gestão dos recursos, o que os poupadores devem prestar atenção no trabalho de seus gestores?

O cliente deve enxergar esse produto não como um produto financeiro, mas como um produto patrimonial de longo prazo. Existe o desafio de fazer o cliente enxergar esse produto como um investimento longo prazo.

Ele deve ver se ele é bem precificado. Não tem problema ter um produto com taxa mais alta se o produto for mais sofisticado. Mas o cliente deve ver se faz sentido.

A opção por planos de previdência privada deve considerar e priorizar uma visão de longo prazo, dada a tributação diferenciada para o participante. No PGBL, modalidade de plano indicada para quem declara o Imposto de Renda (IR) pelo formulário completo, o participante pode deduzir anualmente da base de cálculo do tributo, o valor total das contribuições a ele efetuadas durante o exercício social, até o limite de 12% da sua renda bruta, reduzindo o imposto a pagar ou, até mesmo, podendo ter direito à restituição.

É o chamado diferimento fiscal, ou seja, o pagamento do IR devido sobre esses recursos, acrescidos dos rendimentos auferidos, é realizado apenas no momento do resgate total ou parcial, ou do recebimento do benefício.

Já no VGBL, modalidade de plano indicada para quem declara o Imposto de Renda pelo formulário simplificado, para quem se encontra na faixa de isenção do IR, ou para quem já atingiu o limite de dedução previsto para a previdência complementar (12% da renda bruta), não é possível deduzir da base de cálculo do IR os valores dos aportes realizados ao plano. No entanto, no momento do resgate ou do recebimento do benefício, o IR incide apenas sobre o valor dos rendimentos auferidos, e não sobre o valor total do resgate ou do benefício recebido, como ocorre no PGBL.

É importante destacar que, para ambas as famílias de planos (PGBL e VGBL), não há cobrança do imposto de renda a cada seis meses, sobre os rendimentos obtidos, como ocorre em alguns tipos de aplicações.

Outra característica dessas famílias de planos (PGBL e VGBL) é a possiblidade do participante, quando do ingresso no plano, optar pelo regime de alíquotas regressivas do imposto de renda, significando, deste modo, que, quanto mais tempo os recursos permanecerem nesses planos, menor será a alíquota do Imposto de Renda incidente quando do resgate de recursos ou de recebimento do benefício.

A Anbima alterou recentemente a classificação dos produtos de previdência privada. A nova classificação é boa ou muito confusa?

Essa discussão faz sentido. Se há poucas categorias, a classificação pode não expressar as diferenças e misturar categorias diferentes. Mas se a gente tem muitas categorias, isso pode confundir o investidor. Minha opinião é a de que é preferível ter mais classificações, que mostrem bem as diferenças entre as categorias do que faltar informação. Acreditamos que a nova classificação da Anbima atende bem as necessidades dos investidores.

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