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Finanças pessoais

Ouro já subiu 44% no ano; se você investir, ainda vai ganhar dinheiro?

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

10/06/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Ouro é campeão de rendimento na década, e os ganhos continuam em 2020
  • Para especialistas, ainda vale aplicar em ouro por causa das incertezas globais, mas como proteção e não como aposta de risco
  • Gestores de recursos falam sobre quanto da carteira de aplicações o investidor pode ter em ouro

O ouro é campeão de rendimento entre as principais aplicações há algum tempo. Na década encerrada em 2019, acumulou valorização de 240%, quase cinco vezes a alta do Ibovespa no mesmo período. E os ganhos do metal continuam em 2020. De janeiro a maio, a alta acumulada já batia 44%.

Profissionais de mercado afirmam que essa disparada acontece porque o ouro é um ativo típico de proteção, uma forma de resguardar o patrimônio em momentos de incertezas, como guerras e crises econômicas e de saúde, como a que estamos vivendo atualmente.

Ainda vale a pena aplicar em ouro, depois de tanta valorização? Para especialistas, a resposta é sim. Mas o investidor deve levar em conta o papel do ouro em sua carteira.

Ouro é para defesa, e não para ataque

Comparando uma carteira de investimentos com um time de futebol, o ouro deve ser escalado como parte da defesa. Se eventualmente ele marcar gols, ou seja, se valorizar, melhor. Mas essa não deve ser a finalidade maior desse ativo.

Isso porque o ouro tanto pode subir rapidamente, como agora, como cair rapidamente, como já aconteceu no passado. Entre janeiro de 2012 e janeiro de 2016, por exemplo, o preço do metal no mercado internacional chegou a recuar 32%.

Ouro deve subir mais?

Por enquanto, o cenário ainda é de valorização, dizem especialistas. Por alguns motivos:

  • Incertezas ainda predominam: alguns países estão retomando a atividade econômica, mas ninguém consegue prever quando tudo voltará ao normal. Ou seja, a crise pode durar mais tempo.
  • Há muita moeda em circulação: os países estão emitindo muito dinheiro para enfrentar a crise econômica. Pela regra clássica, quanto maior a oferta de um ativo, menor o valor dele. "Se o mundo tem excesso de dinheiro, as pessoas querem segurança em ativo real", como o ouro, afirmou Roberto Motta, da Genial Investimentos. Segundo ele, esse excesso de dinheiro pode, futuramente, provocar inflação mesmo em países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Ou seja, uma inflação em dólar. "O ouro então é um ativo de proteção nesse cenário", disse.
  • Crise política no Brasil: existe ainda o receio de que as dificuldades econômicas sejam prolongadas por causa das brigas políticas entre o presidente Jair Bolsonaro, o Congresso e outros segmentos da sociedade. Isso pode aumentar o valor do dólar em relação ao real. E o ouro é um ativo que acompanha o dólar também.

Quanto investir

Se ter ouro em carteira é uma dica quase unânime entre gestores, a forma de entrar nessa onda provoca discussão.

Muito e de uma vez só: Há gestores que defendem uma fatia de até 30% para o ouro e uma entrada mais rápida nesse ativo.

"Se a pessoa tem o capital disponível, não tem por que ir comprando aos poucos", afirmou o gerente de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

Segundo ele, em momentos de crise, a fatia de ouro na carteira pode ser maior. "Numa situação normal, pode corresponder de 10% a 15% da carteira, como parte de proteção. Mas em momentos de incerteza, como hoje, essa fatia pode chegar a 30%", disse.

Pouco e gradualmente: Mas há quem recomende que o investidor seja mais cauteloso. Para José Raymundo de Faria Júnior, da Planejar, a melhor opção é ir comprando o metal aos poucos, e com um objetivo mais tímido, de no máximo 10% da carteira.

"O grande risco para um novato é fazer um aporte único, querendo acertar o timing. Quem tem ouro deve manter, mas quem vai começar agora deve começar aos poucos", afirmou.

Como investir

Há basicamente três formas para o brasileiro investir em ouro.

Ouro em barra: O primeiro passo é abrir conta em uma corretora autorizada pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a vender ouro em barras.

Depois de comprar, o investidor ainda tem que escolher se leva a barra para casa —o que é muito inseguro—, ou pagar para uma empresa fazer a custódia —o que pode custar cerca de 0,2% do valor guardado.

Contratos na Bolsa: Para quem não tem tanto para investir de cara ou não quer assumir os riscos e custos de ter sua própria barra de ouro, existe a opção de comprar contratos financeiros na B3. Isso pode ser feito por meio de uma corretora credenciada pela Bolsa. Há contratos mais em conta, partindo de 0,2 grama.

Fundos de investimento: A opção mais simples para alguém começar a investir em ouro são os fundos de investimento que aplicam em contratos financeiros de ouro. As aplicações podem ser feitas a partir de R$ 1.000, com taxas de administração na casa de 0,2%.

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