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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Chegou a hora de investir em bitcoin?

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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

10/05/2021 04h00

Se você espera uma resposta simples para a pergunta do título, do tipo "compre" ou "não compre", desculpe por te desapontar logo de cara, mas essa resposta não existe. Aliás, tome cuidado se alguém oferecê-la para você.

Como qualquer outro ativo que possa servir como investimento, precisamos entender um pouco mais sobre suas características para termos uma visão mais clara sobre as possibilidades de retorno e, mais importante ainda, sobre os riscos envolvidos.

Recomendo que você responda a três questões e, ao final, terá uma boa noção se deve ou não entrar nesse mercado e como, mas antes temos que entender dois assuntos: o que é um bitcoin e como seus preços são formados.

Sem entrar em grandes profundidades técnicas, o bitcoin é um ativo virtual ou criptoativo, baseado na tecnologia blockchain, que vem revolucionando diversas áreas pela segurança apresentada e pela falta de um "intermediário validador", como um cartório ou um banco central, por exemplo.

Além disso, seus preços são formados pelas pressões de compra e venda —a boa e velha lei da oferta e da procura. Se tem muita gente que quer comprar e pouca gente que quer vender, fica mais caro.

Se for ao contrário, fica mais barato. Esse princípio é válido também para as moedas tradicionais, como o real ou o dólar, com a diferença de que para estas existem bancos centrais que as "garantem", ou seja, que se responsabilizam pelo valor que apresentam, sendo a credibilidade de cada banco central fundamental nesse processo.

No mundo das criptomoedas não existe ninguém para dar essa credibilidade, que é formada por todos que possuem os ativos, de maneira descentralizada. Aliás, as legislações dos países também são um fator de risco nesse mercado, porque podem permitir, ou não, determinados tipos de operação e também tributar de diversas formas os eventuais ganhos nesse mercado.

Vamos agora às três questões: ao entender essas moedas como uma nova classe de ativos, como a renda fixa ou a renda variável, se pergunte se essa classe de ativos deveria fazer parte de seu portfólio de investimentos e em qual proporção, pesando as possibilidades de retorno e os riscos envolvidos.

Para isso, você deve se perguntar se acredita na tecnologia e, portanto, se espera uma boa valorização ao longo do tempo. Mesmo que a resposta seja positiva, saiba que as oscilações de curto prazo devem ser muito intensas, e você precisará suportá-las.

Lembre-se de que em 2018 o bitcoin teve uma queda de mais de 80% e mesmo no mês passado chegou a cair quase 25%. Imagine ver isso no seu extrato. Será que você não se desesperaria e venderia no pior momento, amargando uma grande perda?

Passada essa questão, vamos para a próxima: você decidiu comprar seus bitcoins, mas pensou em onde irá guardá-los? Como não existe um banco central emissor, não existem bancos tradicionais para guardar, como estamos acostumados com o dinheiro normal. Para isso você tem duas alternativas: guardar em uma "carteira local" ou deixar guardado em uma Exchange, que é a "corretora" desses ativos e onde normalmente eles são comprados e vendidos.

Se você optar por deixar os ativos guardados na Exchange, existe o risco de ela ser hackeada ou simplesmente "sumir"? Nesse caso, para quem você reclamaria? Hoje em dia isso evoluiu muito, e grandes Exchanges oferecem uma segurança que não existia há pouco tempo, mas uma rápida pesquisa no Google irá mostrar que casos assim ainda existem.

No entanto, se você transferir seus ativos para a sua "carteira local" (chamadas de wallets, sistemas que funcionam em um pen drive, computador ou celular) e perder fisicamente os aparelhos ou mesmo esquecer as senhas, pode nunca mais recuperar seu dinheiro.

Agora, se você decidiu que a valorização compensa as oscilações e está confortável em como guardar os ativos, existe uma última questão: vale comprar apenas bitcoin ou montar uma cesta e, nesse caso, de quais moedas e em quais proporções? Já existem mais de 9.000 iniciativas como essa no mundo, como o ethereum, a litecoin, o bitcoin cash para citar apenas as mais famosas.

São três questões fundamentais para sua decisão, mas apesar da complexidade, creio que essa classe de ativos não pode mais ser deixada de lado pelas possibilidades que oferece, e você deveria olhar para isso com atenção. Se você conseguir responder apenas a primeira pergunta e decidir que deseja investir, existem maneiras de simplificar as outras duas questões.

A melhor porta de entrada que enxergo para os investidores é por meio dos diversos fundos de investimento cujas carteiras são compostas por criptoativos. Além disso, acabou de ser lançado na Bolsa de Valores o primeiro ETF do setor, o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice (HASH11), que funciona de forma similar a um fundo de investimento que replica uma cesta de moedas virtuais, e que você compra diretamente na Bolsa como se fosse uma ação.

Ao optar por esses instrumentos, você não precisa se preocupar com a questão da guarda, já que os fundos e/ou o ETF cuidam disso, além das facilidades de compra e venda e mesmo de eventuais pagamentos de impostos.

A partir daí, basta escolher o fundo que tenha as características que você achar mais interessante, como a composição da carteira, que pode ter apenas bitcoins ou uma cesta de ativos e ainda ser a totalidade da carteira do fundo ou serem apenas uma parte dele.

De qualquer forma, se optar por investir nesse "novo mundo", seja cauteloso e coloque apenas um pequeno percentual de seu patrimônio, já que as incertezas são muitas.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL