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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Qual o impacto da variante ômicron nos ganhos dos fundos imobiliários?

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Lucas Elmor

Lucas Elmor

Sócio-diretor de Gestão da Hectare Capital, formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Chartered Financial Analyst pelo CFA Institute, com experiência em estruturação e gestão de investimentos nos setores de logística, agronegócio, energia e imobiliário.

13/12/2021 04h00

A nova variante da covid-19 descoberta na África do Sul em novembro, batizada de ômicron, ganhou os noticiários e despertou um temor de uma nova onda de casos da doença ao redor do mundo. Existe fundamento para o sentimento de apreensão, afinal de contas, ela é mais transmissível e, devido a algumas possíveis mutações, ainda temos pouca informação sobre a real eficácia das vacinas já existentes.

Contudo, veremos a seguir por que, ao menos por enquanto, não temos dados suficientes para nos preocuparmos com a ômicron. Vamos aos fatos:

Ao estudar os diferentes tipos de vírus causadores de pandemias e epidemias no passado, infectologistas encontraram um padrão que se repete. Para que o vírus atinja seu objetivo de replicação e sobrevivência, é necessário que sua transmissão seja rápida e que ele não mate o hospedeiro (caso contrário, morreria junto). É verdade que o vírus causador do ebola foge a esse padrão, pois não se tornou mais fraco ao longo do tempo, mas essa é apenas uma exceção que confirma a regra geral. Logo, é de se esperar que o vírus da covid-19 se torne cada vez mais fraco e com pequenas mutações ano a ano, tal como o influenza, causador da gripe comum.

Além disso, ao longo dos últimos quase dois anos de pandemia, os protocolos médicos, medicamentos e vacinas para prevenção e tratamento da covid-19 evoluíram bastante. Os maiores laboratórios do mundo direcionaram esforços e volumes colossais de recursos financeiros na busca por tratamentos eficazes. Sem contar os médicos intensivistas e infectologistas, que estudaram arduamente e puderam comprovar o comportamento da doença no dia a dia. Com isso, podemos também concluir que a letalidade da doença nos seres humanos tende a diminuir.

Como resultado prático dos argumentos acima, podemos analisar os números da África do Sul, epicentro do surgimento da variante ômicron. O país, com uma população estimada em quase 60 milhões de habitantes, observou um aumento significativo no número de casos da doença nas últimas semanas devido à maior transmissibilidade do vírus, mas o número de mortes se manteve estável, ou seja, ou o vírus está se tornando mais fraco, ou os tratamentos mais eficazes, ou as duas coisas.

É importante lembrar que não se pode minimizar a pandemia, seus impactos nas famílias e/ou a necessidade de mantermos protocolos de segurança como o uso de máscaras, álcool em gel, etc. Contudo, olhando para os números no contexto atual e para dados históricos sobre pandemias anteriores, não parece crível que a ômicron tenha tanta força como antecipado e, portanto, a força vendedora de ativos nas últimas semanas de novembro pode ter sido excessiva.

Dito isso, podemos olhar para os preços dos ativos. Especialmente para os fundos imobiliários, a nova variante parece não ter tido efeito.

Apesar das perdas expressivas de valor dos ativos imobiliários em decorrência do fechamento da economia durante a pandemia, o Ifix, principal índice de preço formado pelos fundos imobiliários com maior liquidez na B3, apresentou resultado de leve queda nas últimas duas semanas de novembro de 2021, mas se recuperou das perdas e entrou no positivo no início de dezembro.

A explicação para esse comportamento dos fundos imobiliários reside muito mais no cenário interno, deixando a ômicron sem relevância para explicar as variações.

O cenário interno foi marcado pela continuidade da repercussão dos últimos movimentos do mundo político, solidificando a precificação da PEC dos precatórios, aumento do teto de gastos e emendas parlamentares.

Esse movimento gerou uma queda nos vértices com vencimento mais longo da curva de juros futuros brasileira, levando ao que chamamos de inversão da curva, quando os juros futuros de longo prazo estão sendo negociados a patamares mais baixos que os de curto e médio prazo.

Mas nem tudo são flores, e essa inversão pode significar crise econômica pela frente, indicando que no futuro, o Banco Central do Brasil poderá ter que atuar reduzindo juros para estimular a atividade econômica.

De fato, a nova variante parece ter sido apenas um pequeno acidente de percurso e logo será relegada ao papel de mera coadjuvante nessa pandemia. Logo os olhos dos investidores se voltarão novamente para os fatores que devem impactar os preços dos ativos em 2022: pressão inflacionária global e reajuste dos juros na economia norte-americana e, no mercado brasileiro, a volatilidade causada pelo cenário político, por causa da eleição, que promete ser uma das mais aguardadas desde a redemocratização.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL