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Como saber se um investimento é golpe, fraude ou pegadinha

Veja como identificar se o investimento é golpe ou pegadinha - Unsplash
Veja como identificar se o investimento é golpe ou pegadinha Imagem: Unsplash

14/02/2023 04h00

Sabia que é necessário pouquíssimo conhecimento para saber se um investimento é golpe, fraude ou pegadinha?

Depois que você ler minha coluna de hoje, terá clareza disso. Quando ouvir falar de um investimento, já vai saber, imediatamente, se se trata de algo honesto e legal ou de uma enganação.

Qualquer coisa muito acima da taxa básica de juros tem risco

Existe na economia brasileira uma taxa básica de juros chamada Selic. Ela representa a rentabilidade de um investimento livre de risco.

Ou seja, se você quiser o menor risco possível, a melhor rentabilidade que você terá é a da taxa Selic, menos o Imposto de Renda.

Hoje, a Selic está em 13,75% ao ano, o que dá 1,1% ao mês. Excluindo o IR, temos algo em torno de 11,5% ao ano, 0,9% ao mês.

Qualquer investimento muito acima desses valores tem risco, e essa informação deve estar explícita e muito clara para o investidor.

O retorno "comprovado" de 2% ao mês

Recentemente um leitor desta coluna entrou em contato comigo e disse que um amigo tinha lhe falado de um investimento com rendimento "comprovado" de 2% ao mês.

Batendo o olho na informação, já vi que tinha algo errado. Afinal, o retorno mais alto possível de um investimento seguro é, como vimos, em torno de 1% ao mês.

Perguntei mais sobre o investimento, e o leitor me mandou um gráfico dizendo que seu amigo havia entrado com R$ 80 mil e já tinha registrado uma alta bem acima da Selic no primeiro mês.

Aqui ficou claro que quem ofereceu o investimento estava mal-intencionado, pois o histórico de um mês em uma modalidade de renda variável não significa absolutamente nada.

Mas eu continuava curioso com o uso da palavra "comprovado", que foi usada para descrever o investimento.

Foi então que o leitor me mostrou o contexto: a propaganda falava de um investimento "com rendimento comprovado de 2% ao mês". Com certo esforço, percebia-se que tal rentabilidade ocorreu no primeiro semestre de 2022.

Trocando em miúdos, assessoria de investimentos dita gratuita pegou um fundo bastante volátil, escolheu cuidadosamente um período de alta e disse que aquilo era um retorno "comprovado".

Sim, está comprovado que o investimento rendeu 2% naquele período. Mas o vendedor formulou uma frase ambígua, de modo que a palavra "comprovado" induzia o cliente a interpretar como "garantido".

Na verdade, não há absolutamente nenhuma garantia de que tal fundo renderá esse percentual no futuro. Ao contrário, existe uma chance considerável de essa aplicação vir a ter uma rentabilidade negativa, levando o investidor a perder dinheiro em um determinado período.

Se o vendedor (ou seja, o assessor da corretora) dissesse simplesmente que "rendeu 2% no primeiro semestre do ano passado, mas não necessariamente renderá de novo, e pode até fazer você perder dinheiro", estaria dizendo a verdade.

Mas, talvez, a assessoria que se diz gratuita tenha optado pela pegadinha porque não se importa em atender a necessidade do cliente, e sim em empurrar o investimento que sua corretora quer vender.

Golpes, pirâmides e apostas

O exemplo acima é o que eu chamo de pegadinha, porque não está literalmente errado. Foi feito um jogo de palavras para enganar o investidor.

Assim como também considero uma pegadinha um CDB de 200% do CDI, emitido pelo banco XP, que tem sido oferecido por algumas corretoras (veja mais).

Agora, existem também os golpes, ou seja, esquemas ilegais. Podem ser em forma de pirâmide ou simplesmente um roubo individual, mesmo. Eles também vão prometer um retorno muito acima da Selic e farão parecer que não há risco.

No caso de pirâmide, a identificação também não é difícil. Em situações desse tipo, você precisará trazer novas pessoas para o esquema para ganhar um benefício, e essas pessoas precisarão trazer novas pessoas, e assim sucessivamente, sem haver um produto ou serviço final lucrativo que seja consumido por clientes que não são membros. Se todos os consumidores dos produtos precisam necessariamente se tornar membros e trazer novos adeptos do esquema, o negócio é insustentável, e os últimos que chegaram são o que mais perderão.

Por fim, outra armadilha que merece ser citada são os jogos online de aposta. Se é uma aposta, é obvio que existe chance de perder. No entanto, algumas pessoas parecem ter fé de que, se fizerem direitinho, vão ganhar dinheiro de forma consistente. Não vão.

Resumindo

Então, para resumir: passou de 1% ao mês, tem risco. Se não ficar claro que existe esse risco, pode ter certeza: é golpe, fraude ou simplesmente uma pegadinha.

Alguma dúvida?

Tendo alguma dúvida sobre investimento, me siga no Instagram e envie uma mensagem por lá. Sua pergunta poderá ser respondida em breve nesta coluna.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.