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Qual é o melhor investimento para se aposentar com R$ 5.000 por mês hoje?

Veja quanto você precisa investir para ganhar R$ 5.000 todos os meses por toda a vida - Kar-Tr/iStock
Veja quanto você precisa investir para ganhar R$ 5.000 todos os meses por toda a vida Imagem: Kar-Tr/iStock

28/02/2023 04h00

Você sabe quanto deveria ter em investimentos para receber uma renda vitalícia de R$ 5.000 por mês? Depende de onde você investe, claro.

Na coluna de hoje eu mostro qual seria a quantia necessária para obter esse rendimento real em cinco tipos de aplicações: Poupança, Tesouro Direto, CDB, fundos imobiliários e ações que pagam dividendos. Na poupança, é preciso ter R$ 1,9 milhão. Mas esse valor diminui - e muito - em outros investimentos.

A rentabilidade nessas simulações é líquida, ou seja, já está com o desconto do imposto de renda, e acima da inflação. Ou seja, seu dinheiro não perde valor com o tempo e garante uma renda por toda a vida.

Poupança: R$ 1,9 milhão

Para obter uma renda vitalícia de R$ 5.000 por mês seria necessário ter nada menos do que R$ 1,9 milhão na poupança.

Algumas pessoas podem achar que não precisa tanto, que com bem menos que isso é possível ter uma renda de R$ 5.000 por mês com a poupança. É verdade, mas não uma renda vitalícia.

O que ocorre é que a poupança está com uma rentabilidade hoje de 8,87% ao ano, mas a inflação prevista para 2023 é de quase 6%. Então, na prática, a rentabilidade real fica em torno de 3% ao ano.

O R$ 1,9 milhão que eu citei acima rende, na verdade, rende cerca de R$ 14 mil por mês. Mas são necessários R$ 9.000 mensais somente para atualizar o seu patrimônio pela inflação.

Sobram, portanto, R$ 5.000 para gastar todos os meses, de modo que o seu patrimônio não seja corroído pela inflação do país.

Assim como na simulação da poupança, em todos os demais cálculos desta planilha eu descontei o rendimento que será corroído pela inflação.

Tesouro Direto: R$ 1,2 milhão

O título do Tesouro Direto mais adequado para viver de renda de forma vitalícia é o Tesouro IPCA+ com juros semestrais.

Com ele, é necessário ter hoje R$ 1,2 milhão, aproximadamente, para obter uma renda média mensal de R$ 5.000 de forma vitalicia, ou seja, com o seu patrimônio e sua renda sendo sempre atualizados pela inflação.

Já é uma diferença enorme em relação à poupança, não? São R$ 700 mil a menos para obter a mesma renda. A título de curiosidade, se você pegasse o R$ 1,9 milhão da poupança e colocasse no Tesouro, seu rendimento vitalício alcançaria R$ 7.500 por mês.

Um detalhe a ser levado em conta é que o Tesouro não paga rendimentos todos os meses, e sim uma vez por semestre. As contas acima consideram, portanto, uma renda de R$ 30 mil por semestre, que daria em média R$ 5.000 por mês.

Os números já descontam o Imposto de Renda, assim como todas as simulações desta coluna.

CDB: R$ 1 milhão

Títulos privados, como o CDB, acabam rendendo um pouco mais do que o Tesouro Direto, pois têm um risco mais alto.

Atualmente, seria preciso ter cerca de R$ 1 milhão em um bom CDB para obter uma renda vitalícia de R$ 5.000 por mês.

Aqui estou considerando um CDB com rendimento de 110% do CDI com liquidez diária, ou seja, que você possa resgatar a qualquer momento, já que a ideia é gastar parte do rendimento todos os meses.

É importante você saber que o risco do CDB é de que o banco que o emitiu quebre. Se isso ocorrer, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) paga até R$ 250 mil aos credores.

Por conta disso, se você for usar esse tipo de investimento como fonte de renda para aposentadoria, o ideal é espalhar o dinheiro em CDBs emitidos por diferentes bancos, de modo que cada um nunca ultrapasse o valor de R$ 250 mil. Dessa forma, você mantém 100% do seu dinheiro coberto pelo FGC.

Mesmo assim, saiba que em caso de uma quebradeira geral nos bancos pequenos e médios, é possível que o FGC não tenha dinheiro para honrar todos os investidores.

É por isso que eu evito deixar uma parte muito grande dos meus investimentos em CDB e outros títulos privados.

Fundos imobiliários: R$ 600 mil

Para obter uma renda vitalícia de R$ 5.000 por mês, seria preciso ter algo como R$ 600 mil em fundos de investimento imobiliário (FIIs).

No caso, usei como exemplo um fundo que eu tenho em carteira, o BTLG11, que atualmente está com um retorno de 9,4% ao ano.

Esse percentual é livre de Imposto de Renda. Além disso, podemos considerar que os bons fundos imobiliários, a longo prazo, tendem a fazer com que os rendimentos sejam atualizados pela inflação.

Repare na diferença enorme entre os FIIs e os demais investimentos citados até aqui. São R$ 600 mil a menos do que no Tesouro Direto para se chegar aos mesmos R$ 5.000 mensais.

Apenas não se esqueça que, no mundo dos investimentos, quanto maior é a rentabilidade esperada, maior é o risco.

Essa rentabilidade de 9,4% só ocorrerá se o BTLG11 continuar remunerando os investidores no mesmo ritmo dos últimos 12 meses. Não há nenhuma garantia de que isso ocorrerá. O fundo pode tanto reduzir os pagamentos quanto aumentar.

Vale dizer, ainda, que não estou recomendando a compra especificamente deste FII. Apenas citei um dos que tenho em carteira já faz alguma tempo. Não tenho certeza se, neste momento, essa seria a melhor opção.

Mas saiba que essa rentabilidade (9,4% ao ano) é bastante comum nos fundos imobiliários atualmente.

Ações que pagam dividendos: R$ 350 mil

Em ações que pagam dividendos, é possível obter uma renda média de R$ 5.000 por mês com um investimento de apenas R$ 350 mil.

No caso das ações, também estou considerando que o rendimento, a longo prazo, seja, no mínimo, atualizado pela inflação.

Nesta simulação, estou usando como exemplo as ações da empresa de energia elétrica Taesa (TAEE11), que atualmente está com um retorno em dividendos de 17% ao ano.

Porém, nunca se esqueça de que ações são um investimento de alto risco. Tomei o cuidado de citar uma companhia com um excelente histórico de pagamentos de dividendos. Mesmo assim, não se pode descartar que a empresa (como qualquer outra), pode reduzir o ritmo de remuneração aos acionistas.

A citação da Taesa também não é uma recomendação de investimento. É apenas uma ação que eu tenho em carteira e que não necessariamente seria a melhor opção hoje.

Onde investir?

Você deve ter percebido a diferença brutal entre os investimentos mais seguros (poupança, Tesouro e CDB) e os mais arriscados (FIIs e ações).

Mas é preciso saber também o seguinte: mesmo entre os investimentos seguros, existem diferenças significativas. O Tesouro é mais seguro que a poupança e rende mais. Logo, nesse caso não há dúvidas: o primeiro é muito melhor que o segundo.

Outro ponto a ser considerado é que o risco dos FIIs e das ações não significa que esses ativos são uma loteria. Apenas é preciso escolher bem e diversificar ao menos um pouco para não concentrar o risco em um só investimento.

Alguma dúvida?

Tendo alguma dúvida sobre investimentos, me siga no Instagram e envie uma mensagem por lá. Sua pergunta poderá ser respondida em breve nesta coluna.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.