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Petrobras desbanca Vale e é a preferida dos analistas de Bolsa em outubro

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Márcio Anaya

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/10/2021 04h00

As ações preferenciais (PNs) da Petrobras são as mais indicadas por especialistas para outubro. A companhia figura em seis das oito carteiras recomendadas por bancos e corretoras para o período, segundo acompanhamento realizado pelo UOL. Com a liderança, a estatal desbanca a Vale, que durante 13 meses consecutivos ocupou o primeiro lugar na preferência dos analistas.

O rol de destaques de outubro traz ainda as ações PN do Itaú Unibanco em segundo lugar, com um total de cinco indicações. Outras três empresas estão empatadas com quatro recomendações de investimento no mês. Confira abaixo a relação completa.

  • Petrobras PN (PETR4): 6 recomendações
  • Itaú Unibanco PN (ITUB4): 5 recomendações
  • Gerdau PN (GGBR4): 4 recomendações
  • Rede D'Or (RDOR3): 4 recomendações
  • Weg (WEGE3): 4 recomendações

*Levantamento feito com base nas carteiras recomendadas pelas seguintes instituições: Ágora Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Guide Investimentos, Mirae Asset Corretora, MyCap Investimentos e Terra Investimentos.

Preocupações com 2022 já refletem na Bolsa

O principal índice da B3 (Ibovespa) encerrou setembro em 110.979 pontos, uma queda de 6,57% —que representa praticamente o mesmo patamar da desvalorização acumulada nos nove primeiros meses do ano (-6,75%), uma vez que o desempenho estava próximo de zero ao fim de agosto. Os dados são da plataforma de informações financeiras Economatica.

Em relatório, o BTG Pactual ressalta que, embora os dados recentes e a maior reabertura da economia ainda apontem para um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da ordem de 5,3% neste ano, as perspectivas para 2022 se deterioraram, e a atividade pode desacelerar de forma importante. Com isso, a instituição prevê uma alta de 1,5% do PIB no próximo ano.

"Ainda que as projeções fiscais continuem melhorando, a ausência de solução para a questão dos precatórios [dívidas judiciais] e a retomada das negociações sobre a possibilidade de prorrogação do pacote de auxílio emergencial por mais alguns meses continuam pesando na percepção de risco do mercado", afirma o banco.

Na opinião do BTG, o principal desafio do governo continua sendo conduzir a discussão para minimizar os danos à credibilidade do teto de gastos.

Com a inflação em alta, a instituição calcula que a taxa básica de juros (Selic) irá encerrar 2021 em 8,25% ao ano, alcançando 9,5% no início de 2022, quando deve terminar o ciclo de ajustes para cima. Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em setembro, o governo elevou a Selic em um ponto percentual, para 6,25% ao ano.

O banco lembra ainda que a turbulência internacional também afetou o mercado brasileiro e afugentou os investidores. O fluxo de capital externo na B3, que apresentou saldo positivo de R$ 7,4 bilhões em agosto, inverteu a tendência e mostrou saída líquida no mês passado, comenta o BTG. Pelos dados da Bolsa, o déficit em setembro ficou em R$ 4,8 bilhões.

Na BB Investimentos, a percepção é de que as expectativas para 2022 foram ajustadas de forma mais rápida, em razão do cenário de maior incerteza quanto ao crescimento da economia mundial, especialmente por conta da desaceleração na China.

Petrobras lidera escolhas com expectativa sobre balanço e alta do petróleo

A estatal de petróleo reúne seis indicações de investimento em suas ações PNs neste mês, cinco delas mantidas em relação a setembro. O sexto apontamento é uma estreia na carteira recomendada pela MyCap.

Em sua análise, a corretora diz esperar resultados positivos da Petrobras no balanço do terceiro trimestre, cuja divulgação está agendada para 28 de outubro.

Segundo a MyCap, os números devem refletir a meta de vendas de refinarias e a desalavancagem financeira da empresa, focando na produção de petróleo e gás e na ampliação de poços exploratórios.

"Apesar dos riscos relevantes de interferência governamental", diz a instituição, o nível atual dos indicadores relativos às ações da companhia justifica a recomendação de investimento. "Graficamente falando, o papel segue firme na tendência de alta mensal, com espaço para um novo ciclo de compra."

Forte catalizador das ações da Petrobras, o preço do petróleo segue batendo recordes no mercado internacional, atingindo recentemente o maior valor em três anos. O movimento fez a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e um grupo de aliados liderados pela Rússia, conhecidos coletivamente como OPEP+, se reunirem na segunda (4) para discutir o nível de produção.

No mercado doméstico, a estatal divulgou três comunicados importantes no fim da semana passada. Em um deles, a empresa reitera sua intenção de vender integralmente a participação acionária que possui na Braskem e disse monitorar o processo de alienação da fatia detida pela Novonor (antiga Odebrecht).

A Petrobras informou também ter encerrado, sem sucesso, as negociações junto à Ultrapar para a venda da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. Segundo o aviso, não haverá penalidades para nenhuma das partes.

Em outra divulgação, a companhia esclareceu ter aprovado a destinação de R$ 300 milhões, em um período de 15 meses, para se criar um programa social de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade social, visando o acesso a insumos essenciais, com foco no gás de cozinha.

Itaú Unibanco atrai com horizonte de resultados positivos e dividendos

As ações PNs do Itaú Unibanco ocupam a vice-liderança na preferência dos analistas em outubro, com cinco recomendações.

No início do mês, a instituição comunicou a saída do capital da XP. Como parte da operação, os acionistas do banco irão receber BDRs da XP (certificados que representam ações da corretora listada nos EUA), que começaram ontem (4) a ser negociados na Bolsa. De acordo com a Guide Investimentos —uma das que recomenda as ações do Itaú para este mês—, a notícia é positiva e "destrava valor" para os atuais investidores.

A corretora diz esperar também que o Itaú mantenha a distribuição de dividendos em patamares atrativos e acredita que o banco possa fazer novas aquisições, visto que possui "ótimo histórico" nessa direção.

"Com a alta da Selic e a recuperação da economia, esperamos que o banco capture esses eventos e apresente lucros sólidos e crescentes ao longo dos próximos trimestres", completa a Mirae Asset Corretora.

Outra instituição que recomenda os papéis é a Terra Investimentos, que destaca a gestão estratégica de custos do Itaú, buscando atingir maior eficiência a partir da expansão nos canais digitais.

Três empresas fecham a lista das mais recomendadas no mês

A relação de destaques de outubro tem ainda outras três companhias, todas com quatro indicações de investimento: a siderúrgica Gerdau (ações PN); a Rede D'Or São Luiz, maior grupo integrado de cuidados em saúde do Brasil; e a Weg, fabricante de motores elétricos, transformadores, geradores e tintas. As duas últimas empresas só possuem papéis ordinários (ONs) listados na B3.

Carteiras recomendadas têm 28 mudanças

No total, os bancos e as corretoras monitorados pelo UOL realizaram 28 mudanças nas carteiras de ações recomendadas para outubro, frente ao mês passado. O acompanhamento abrange oito instituições.

A Guide foi a que mais alterou seu portfólio, substituindo seis dos dez papéis escolhidos em setembro. O BTG Pactual e a MyCap aparecem logo a seguir, com cinco trocas de ativos cada.

BB Investimentos e Genial selecionaram, cada uma, quatro novas companhias, ao passo que a Terra Investimentos promoveu duas mudanças. Ágora Investimentos e Mirae realizaram apenas uma alteração em suas listas de ações preferidas para o mês.

Alterações e portfólios completos indicados

Ágora Investimentos

BB Investimentos

BTG Pactual

Genial Investimentos

Guide Investimentos

Mirae Asset Corretora

MyCap Investimentos

Terra Investimentos

Os códigos e preços das ações citadas nesta reportagem podem ser conferidos na página de cotações do UOL Economia.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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