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Juros em alta e Ibovespa em baixa: está na hora de sair da Bolsa?

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/10/2021 04h00

Depois de ter batido 130 mil pontos no começo de junho, a Bolsa de Valores vem perdendo gás ao longo dos últimos meses. Somente em setembro, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, acumulou queda de 6,57%. No ano, a baixa foi de 6,75%. O cenário é agravado pela alta da taxa básica de juros, a Selic, que chegou a 6,25% ao ano —tornando investimentos conservadores mais atrativos em relação aos mais arriscados.

Com a elevação dos juros, tanto em setembro, como no acumulado do ano, até a poupança rendeu mais que a Bolsa. A projeção é de que a Selic continue subindo e alcance os 8,25% ao ano ainda em 2021, segundo o Banco Central. Apesar da alta da inflação, levantamento da gestora de recursos Infinity Asset Management, mostra que o Brasil já é o segundo no ranking de países que pagam os maiores juros reais —acima da inflação. Nesse cenário, será que é hora de sair da Bolsa e apostar mais na renda fixa? Veja abaixo o que disseram os especialistas ouvidos pelo UOL.

É hora de investidores inexperientes fazerem ajustes

Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos, diz que o investidor experiente nunca sai da Bolsa, mesmo diante de tanta instabilidade, mas o mais conservador ou inexperiente tem neste um bom momento para fazer ajustes na carteira, caso ele tenha investido mais na renda variável nos últimos meses.

Para a especialista, a relação risco e retorno já não é mais vantajosa para esse perfil de investidor.

"O retorno que ele vai ter na renda fixa já é suficiente para ele remunerar bem os ativos, e sem correr riscos, que é o que ele prefere", afirma.

Os setores mais expostos à queda da Bolsa, segundo análise da Órama, são as incorporadoras e o comércio, principalmente de bens de consumo não essenciais (como eletrônicos), que são as opções menos seguras na atual circunstância para quem deseja manter posições na Bolsa.

Por outro lado, empresas de energia podem ser boas opções neste momento, com a queda do valor das suas ações durante a atual crise hídrica, mas que devem voltar a crescer num futuro próximo.

Alta dos juros não deve ser único fator para mudanças, diz economista

Para Fabio Louzada, economista e CEO da startup de investimentos Eu Me Banco, os juros não podem ser o fator decisivo para a entrada ou saída da Bolsa, mas ele concorda que deve haver mudanças na carteira de ações.

O investidor deve verificar como os juros afetam as ações que ele tem na carteira. Se a empresa tiver dívidas muito altas, por exemplo, talvez seja o momento de mudar porque os juros devem incidir sobre a geração de caixa e também sobre a dívida, que pode ficar mais cara. No limite, a capacidade de essa empresa pagar as dívidas fica menor.

Para os conservadores, Louzada recomenda que os investimentos em Bolsa não passem de 10% do total da carteira neste momento de muitas oscilações.

Para o longo prazo, hora é de comprar ações mais baratas

Mas para quem não chegou nesse patamar, tem perfil mais arrojado e pode manter os investimentos em ações por um longo período na carteira, a hora pode ser ideal para encontrar ações mais baratas.

Para quem pretende reduzir suas posições na Bolsa, Louzada recomenda a compra de dólar e de ativos pós-fixados.

"O investidor pode aumentar a exposição em fundos internacionais e em ativos pós-fixados como LCI, CDB ou fundos DI. Para o investidor mais experiente, o cenário é também uma boa oportunidade para aportes em fundos multimercado", diz o especialista.

Ele alerta ainda que o cenário pode mudar caso os juros se aproximem da casa dos 10%.

"O ideal é sempre diversificar para não ficar exposto a riscos desnecessários", diz.

Portanto, se o investidor está muito concentrado em ativos que sofrem com a alta dos juros, o impacto será muito maior com os juros próximos dos dois dígitos. "Se este for o caso, é chegada a hora de diminuir essa exposição", afirma.

Sair da Bolsa agora pode representar perdas, diz analista

Thiago Godoy, chefe de educação financeira na Xpeed, escola de finanças e investimentos da XP, não aconselha o investidor a fugir da Bolsa agora justamente para evitar perdas de patrimônio.

Ele também recomenda olhar para o longo prazo e, neste momento, ajustar a carteira vendendo apenas aqueles ativos que não devem se recuperar tão cedo.

"Mas não é para fugir da Bolsa, até porque, ela tem uma rentabilidade boa, principalmente no longo prazo", diz o especialista.

O que pode ser feito agora, segundo Godoy, é entender quais ativos podem ser vendidos porque ainda estão num preço bom, acima do comprado, e substituir por alguns investimentos de renda fixa.

Ele diz que o patamar máximo de investimento em Bolsa para um perfil conservador é de cerca de 20% do patrimônio. O restante deve estar alocado na renda fixa. Nesse momento, o especialista recomenda investimentos atrelados à inflação —CDBs, fundos de inflação e Tesouro IPCA.

Segundo Godoy, o Tesouro IPCA cobre a inflação e ainda tem um retorno prefixado. As opções de títulos públicos atrelados ao IPCA que vencem em 2026 estão pagando 4,65% acima da inflação, e os de mais longo prazo, com vencimento em 2035 e 2045, já estão pagando quase 5% acima da inflação. "Portanto, são bons investimentos para esse momento", diz.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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