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Ano está acabando e você ainda não investiu? Veja se dá para começar agora

Veja aplicações campeãs no 4º trimestre desde 2017 e onde investir agora - iStock
Veja aplicações campeãs no 4º trimestre desde 2017 e onde investir agora Imagem: iStock
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João José Oliveira

12/10/2021 04h00

O último trimestre do ano chegou com o mercado financeiro mergulhado ainda em muita volatilidade, com dólar acumulando valorização ante o real de 5%, até o fim de setembro, seguido de perto pela tradicional poupança, que rendeu 4,6% no período, enquanto a Bolsa recuou 6,8%, assim como o Ifix, índice dos fundos imobiliários, que teve perdas de 5,4% nos nove primeiros meses do ano.

Mas desde 2016, a Bolsa sempre vai bem no último trimestre do ano, enquanto o dólar, por outro lado, teve perdas na reta final do ano, desde 2018. Entre a volatilidade deste ano e o histórico da última meia década, o que a pessoa que está querendo começar ou ampliar uma carteira de investimentos deve escolher? Veja abaixo o que dizem especialistas ouvidos pelo UOL.

Começando por guardar parte do dinheiro extra

O último trimestre do ano é um período em que muitos brasileiros recebem uma renda extra. Os trabalhadores com carteira assinada têm as parcelas do 13º salário, vendedores conseguem comissões mais gordas com vendas de fim de ano, que também reforçam o caixa dos donos de comércio e pequenos negócios.

E se algumas dessas pessoas já estão cogitando usar parte dessa renda extra para guardar e investir, esse já é o primeiro passo, afirmam consultores financeiros.

Nunca é tarde para começar. Independentemente da época do ano, é importante começar a aplicar para formar uma carteira de investimentos de longo prazo para garantir o futuro com tranquilidade.
Andressa Bergamo, sócia da AVG Capital

Qual aplicação rendeu mais no último trimestre do ano

Levantamento feito para o UOL pela plataforma de informações financeiras Economatica mostra que a Bolsa tem sido campeã na reta final dos últimos anos.

Considerando o desempenho no último trimestre de investimentos populares, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, subiu em todos os anos desde 2017. Já o dólar vem caindo desde 2018, e a poupança tem rendido cada vez menos. Veja abaixo.

Passado não é garantia de ganho futuro

Por mais tentador que seja apostar na repetição desses ganhos e colocar as fichas na Bolsa, profissionais de mercado alertam que o passado não quer dizer muita coisa para o que vai acontecer hoje e no futuro.

Olhar histórico não representa o que vai acontecer no futuro. A Bolsa está barata, mas ela pode cair mais antes de começar a subir. A questão é ser seletivo.
Andressa Bergamo, da AVG Capital

Quais as tendências para este ano?

Deixando de lado o passado e olhando apenas para o que está acontecendo em 2021, profissionais de mercado apontam que há motivos para projetar alta do Ibovespa, estabilidade para o dólar e ganhos para aplicações de renda fixa, como a poupança. Veja abaixo o que eles dizem sobre essas aplicações.

Ibovespa: as projeções dos analistas e gestores de recursos para o Ibovespa ao fim do ano foram revistas para baixo ao longo de 2022. Estimativas que viam o Ibovespa em até 150 mil pontos, agora estão na casa de 120 mil a 130 mil. Mas como o indicador está atualmente ao redor de 110 mil, há espaço para um ganho de cerca de 9% a 18%, destaca o sócio e líder comercial da Manchester Investimentos SP, Tony Faraco Jr.

Por esse aspecto, parece interessante. Mas sempre é bom lembrar que já teve outros momentos de Bolsa em que a relação risco retorno estava melhor. O cenário já esteve mais calmo.
Tony Faraco Jr, Manchester Investimentos

Renda Fixa: a taxa básica de juros, a Selic, que serve de referência para aplicações de renda fixa, como a poupança, está em alta desde março. Saiu de 2% para 6,25% ao ano, e vai continuar subindo a 8,25% até dezembro, segundo projeções de mercado. Assim, os ganhos da poupança, do Tesouro Selic, Fundos DI, CDBs, LCIs e LCAs, por exemplo, vão melhorar, aponta Faraco Jr.

Dólar: acertar a tendência do dólar é uma das tarefas mais difíceis no mercado, afirmam economistas, mas a média de projeções feitas por mais de 100 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Banco Central para o Boletim Focus apontam um dólar na casa dos R$ 5,20 no fim de dezembro. Ou seja, abaixo do atual patamar. A expectativa então é de baixa para a moeda norte-americana ante o real até dezembro.

Onde aplicar então?

Profissionais de mercado destacam sempre que a resposta a essa pergunta depende de cada pessoa porque o melhor investimento varia conforme o objetivo de cada um, o prazo que o dinheiro pode ficar aplicado e a tolerância que cada investidor tem para o risco de perder parte do capital.

Então, antes de escolher a aplicação, o investidor deve considerar duas coisas primeiramente, alerta o especialista em educação financeira do PagBank, Felipe Cozer.

Fazer a reserva de emergência: se a pessoa ainda não tem uma reserva, esse é o primeiro passo. É um dinheiro que pode até render pouco, mas que pode ser sacado a qualquer momento e sem risco de perder seu valor. Essa reserva precisa atingir um montante que seja suficiente para cobrir de três a seis meses das despesas da pessoa.

Nesse caso, o dinheiro extra que entrar no fim do ano deve ir para renda fixa tradicional, como poupança, Tesouro Selic ou CDBs e LCIs de liquidez diária, caso o investidor ainda não tenha montado a sua reserva.

Objetivos: para quem já tem a reserva de emergência, o primeiro passo para escolher o investimento é definir o objetivo. Com esse objetivo a pessoa vai saber por quanto tempo o dinheiro poderá ficar aplicado.

Ao definir objetivos, a pessoa pode colocar dinheiro em diferentes caixinhas, uma para cada objetivo, com prazos diferentes.
Felipe Cozer, do PagBank

Melhor aplicação para cada prazo

  • Curto prazo, de um ano: para comprar um carro, por exemplo, consultores financeiros sugerem aplicações de renda fixa, com prazo de um ano, como CDBs e LCIs prefixados.
  • Médio prazo, de 1 a 3 anos: as aplicações de renda fixa ainda valem a pena nesse período de tempo, em especial aquelas que acompanham o IPCA porque protege o capital da alta da inflação, destaca Faraco Jr., da Manchester Investimentos. Ele aponta ainda títulos de renda fixa prefixados de dois anos.
  • Longo prazo, acima de 3 anos: para objetivos mais afastados, os consultores financeiros dizem que a renda variável --que inclui Bolsa e fundos imobiliários, por exemplo -- já pode entrar no cardápio dos investidores que querem começar a carteira de aplicações neste fim de 2021. Quanto mais tempo faltar para o objetivo, maior pode ser a participação dessas aplicações.

E aplicações em dólar?

Aplicações que acompanham o dólar, como fundos cambiais e BDRs, por exemplo, são recomendadas para quem tem ou terá despesas em moeda estrangeira —como viagem ao exterior, intercâmbio ou curso fora do Brasil. É uma forma de proteger essa reserva. Mesmo que o dólar caia, os custos da pessoa também vão diminuir porque são em moeda norte-americana.

Outra possibilidade de usar dólar como aplicação é como diversificação de parte da carteira, para ter uma fatia do investimento protegida das perdas dos mercados provocadas por problemas só do Brasil. Mas, nesse caso, essa fatia deve ser pequena, não além de 20% da carteira, destaca Andressa Bergamo, da AVG Capital, e com foco no longo prazo.

Cuidado com aposta para lucrar no trimestre

O investidor precisa fugir da tentação de querer aplicar nesse fim de ano com objetivo de lucrar rapidamente e sacar o dinheiro antes de 2022. Isso vale principalmente para quem está considerando Bolsa, fundos imobiliários e dólar, destaca o especialista em educação financeira do PagBank, Felipe Cozer.

Segundo ele, a pessoa só pode arriscar uma aposta em busca de lucro rápido se tiver uma "caixinha" para isso.

Nessa caixinha de oportunidades só pode ir aquele dinheiro que não vai fazer falta se a pessoa perder com a aplicação.
Felipe Cozer, PagBank

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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