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Vale a pena investir na realidade virtual do metaverso? Como fazer isso?

Reunião virtual no metaverso imaginada pelo Meta (ex-Facebook) - Reprodução/Meta
Reunião virtual no metaverso imaginada pelo Meta (ex-Facebook) Imagem: Reprodução/Meta
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/02/2022 04h00

No final de 2021, o Facebook anunciou a mudança de nome para Meta e disse que investiria US$ 10 bilhões para criar o seu próprio ambiente imersivo online. Companhias como Nike, Budweiser e Microsoft seguiram o mesmo caminho: o de construir um mundo que mescle as realidades virtual e física, chamado de metaverso. A expectativa, segundo a Bloomberg, é que o metaverso movimente US$ 800 bilhões até 2024 —cerca de R$ 4,5 trilhões, o que corresponde a 60% da economia brasileira em 2020.

Chegou a hora de investir no metaverso? Quais os riscos? Como fazer isso na prática? Para ajudar os investidores, o UOL conversou com especialistas e traz as respostas logo abaixo.

Oportunidades e riscos

De acordo com José Augusto Albino, sócio-fundador da Catarina Capital, gestora especializada em ativos de tecnologia, há oportunidades no metaverso. No entanto, por se tratar de um novo mercado, ele indica ter cuidados.

"Como toda grande oportunidade futura, existem riscos. É muito difícil acertar se o Roblox, a Meta [Facebook] ou qualquer outro [metaverso] será o vencedor. Mas acredito que sim [vale investir]. Entre investir agora e esperar, tem uma questão de risco e retorno que deve ser ponderada", diz.

O Roblox é uma plataforma em que, com peças de Lego, permite que usuários criem e distribuam jogos online nas redes. Desde março de 2021, a empresa proprietária, a Roblox Corporation, é listada na Nasdaq, a Bolsa de Valores americana para ativos de tecnologia. Hoje, a companhia vale pouco mais de US$ 31 bilhões (aproximadamente R$ 159,15 bilhões).

Além de games, Albino menciona que metaversos com bom conteúdo e infraestrutura —com a produção de microprocessadores e empresas de segurança— têm maiores chances de irem bem no futuro. A fabricante de processadores e chips Nvidia é uma delas.

Julian Tonioli, sócio da consultoria Auddas e investidor-anjo, entende que a implantação do metaverso no Brasil está justamente associada à introdução de tecnologias e a melhorias de infraestrutura.

"Essas tecnologias adicionais serão necessárias para que o metaverso possa operar em grande escala. No Brasil, ainda está atrasado, mas a velocidade de conexão dos dispositivos móveis vai aumentar com a adoção 5G", declara.

Moda e varejo

Victor Mirshawka Júnior, professor na FIA (Fundação Instituto de Administração) e consultor da empresa de inovação Fábrica de Criatividade, vê o mercado de tecnologia como um dos mais promissores.

"As empresas de jogos e entretenimentos estão crescendo muito. Mas isso não exclui alternativas como a construção de propriedades virtuais, com a venda ou aluguel do espaço. Ou mesmo o trabalho com NFTs de arte. O e-commerce pode crescer no metaverso", afirma.

Os tokens não fungíveis (NFTs) são espécies de investimento que garantem a autenticidade de determinado item no ambiente digital —normalmente artes digitais que são compradas no ambiente online e revendidas quando são ainda mais valorizadas.

Segundo Júnior, há outros setores a serem explorados, como moda e varejo. Em janeiro, a Gucci abriu uma loja no metaverso, a Vault, para comercializar bolsas e itens de vestuário. A marca realizou uma venda da sua bolsa Dionysus no jogo Roblox por US$ 4.100 (mais de R$ 21 mil).

Antes disso, a Adidas conseguiu lucrar, em dezembro, mais de R$ 250 milhões com a venda de NFTs. No caso da gigante de moda esportiva, os proprietários dos tokens terão acesso também a produtos físicos, como casacos e acessórios.

Mas como investir no metaverso?

Como o caminho mais fácil e de menor risco para fazer aportes neste ambiente digital, o investidor pode comprar ações de empresas de tecnologia listadas em Bolsa, a exemplo de Meta, Microsoft e Nvidia. Todas elas figuram na Nasdaq.

Os papéis dessas companhias podem ser adquiridos tanto de forma local nas Bolsas de Valores de origem, quanto por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts, títulos que simulam as ações de empresas do exterior) direto na B3.

No Brasil, bancos e corretoras passaram a oferecer opções de investimento no metaverso. O Itaú lançou, neste mês, o Certificado de Operações Estruturadas (COE) Autocall Metaverso para quem deseja apostar neste novo ambiente virtual.

Para quem não conhece, o COE é uma modalidade similar a um fundo de investimento. Pode ser atrativo para quem busca diversificar a carteira, pois o modelo mescla renda variável e renda fixa. Uma das diferenças para um fundo é que os COEs possuem data de vencimento estabelecida.

No caso do Itaú, quatro empresas foram selecionadas para compor o seu COE. São elas: a fabricante de chips e processadores Intel, a empresa de digitalização espacial Matterport, além de Roblox e Meta. O produto tem a possibilidade de resgates a cada seis meses, desde que as ações superem seus preços iniciais. As aplicações começam a partir de R$ 5.000 e têm prazo de vencimento de até cinco anos.

Em janeiro, a XP e a Rico Investimentos anunciaram um fundo de companhias que atuam no metaverso. Nomeado de Trend Metaverso, o fundo de BDRs replica o Bloomberg Metaverse Index, que é composto de 30 ações globais relacionadas ao tema. No portfólio, aparecem nomes como Apple, Microsoft, Meta. O aporte mínimo é de R$ 100.

Outra pioneira no metaverso é a Vitreo, gestora que pertence ao BTG Pactual. Em dezembro, trouxe ao mercado o seu Vitreo Metaverso Ações, fundo de BDRs que investe em empresas e criptomoedas. O fundo possui uma composição de até 20% de ações no exterior e o restante de BDRs no Brasil. Empresas como Nvidia, Roblox, Meta integram o portfólio. A aplicação mínima é de R$ 1.000.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.