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Este investimento, que promete ganhos e baixo risco, cresceu 59% em 1 ano

Conheça o Certificado de Operações Estruturadas (COE), investimento que cresceu 59% nos últimos 12 meses - Getty Images/iStockphoto
Conheça o Certificado de Operações Estruturadas (COE), investimento que cresceu 59% nos últimos 12 meses Imagem: Getty Images/iStockphoto
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

25/03/2022 04h00

A maior oscilação dos mercados provocada pela pandemia e pela guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia alimentou a procura pelos Certificados de Operações Estruturadas, conhecidos como COEs. Na Bolsa de Valores brasileira, o estoque investido nesse negócio aumentou 59% apenas nos últimos 12 meses, atingindo R$ 37,1 bilhões neste mês de março, segundo dados da própria B3.

Entre as principais características do COE está o acesso a produtos com alto potencial de retorno e baixo risco de perdas. O investidor pode, então, garantir a proteção do valor aplicado ou um rendimento mínimo ao mesmo tempo em que tenta um ganho maior.

Veja abaixo como funcionam os COEs, como investir e para qual perfil de investidor são recomendados, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

O que é COE?

COE é um produto de investimento que funciona como uma cesta de diversas aplicações em renda variável —como ações ou moedas—, renda fixa e operações de derivativos para proteger o dinheiro de perdas. Por permitir aplicações em diversos mercados, o COE até se parece com um fundo de investimentos, mas há diferenças importantes.

O COE consegue dar ao investidor a garantia de resgatar um valor mínimo em caso de perdas, o que não ocorre com um fundo de investimentos. Por outro lado, nos fundos, o aplicador tem maior liquidez, ou seja, maior facilidade para resgatar o capital; no COE, o resgate só é possível no vencimento das operações.

O COE é uma ferramenta para montar estruturas. A maior vantagem é oferecer ao aplicador do varejo produtos de investimento a que ele não teria acesso de forma individualizada.
Antônio Polezzi, responsável de renda fixa da tesouraria do Santander

Exemplo de operações

1. Bolsa no exterior

Um investidor quer, por exemplo, aplicar na Bolsa americana. Mas ele tem receio de perder dinheiro, caso a Bolsa entre em um ciclo de baixa e ele acabe resgatando menos do que aplicou. Com o COE ele pode aplicar em um índice que acompanha a Bolsa de Nova York (como o S&P 500) e, ao mesmo tempo, comprar outros produtos que protegem o capital dos investidores.

2. Dólar ou ouro

Outro exemplo: um investidor deseja investir em dólar ou ouro, porém não quer correr o risco de sacar menos do que aplicou inicialmente. Com o COE ele pode fazer operações que protejam o capital, apostando em ativos que sobem quando o ouro ou dólar caem.

3. Renda fixa que acompanha inflação

Aqui um investidor pretende aplicar em ativos de renda fixa que acompanham a inflação, só que ele teme perder dinheiro se a inflação passar a subir menos menos que títulos de renda fixa pós-fixados (como aqueles que acompanham a taxa básica de juros, a Selic).

Nesse caso, o investimento em COE permitirá a reserva de um rendimento mínimo ao investidor (por exemplo, de 10%). E se a inflação subir mais, o investidor terá um rendimento também maior. Já se a inflação cair, o aplicador garante ao menos os 10% de retorno.

O COE é um produto que une várias operações no mercado, juntando algumas que ganham com um cenário e outras que perdem com mesmo cenário, balanceando renda fixa, renda variável, alavancagem e proteções.
Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico Investimentos

Como funciona

Cada COE é um produto emitido por bancos, assim como CDBs (Certificados de Depósitos Bancários). Dessa forma, o investidor empresta dinheiro ao emissor do COE. Além disso, bem como outros títulos emitidos por bancos, o COE tem prazo de vencimento.

Para oferecer o COE, o banco precisa de uma equipe de profissionais para montar as operações e realizar o dia a dia dos negócios. Logo, o emissor cobra taxas pelo produto.

Essas três características dos COEs (emissão por bancos, prazo de vencimento e taxas) são, também, três pontos que merecem cuidado do investidor ao aplicar nesse negócio.

Vantagens do COE

Acesso a mercados: de acordo com os entrevistados, a principal vantagem do COE é permitir que o investidor aplique parte da carteira de investimentos em mercados com maior potencial de retorno, sem correr os mesmos riscos que teria ao investir diretamente no mesmo mercado.

Tributação: outro benefício é que a tributação segue o mesmo padrão usado pelos fundos de investimentos —ou seja, o Imposto de Renda é cobrado na fonte com taxação regressiva, indo de 22,5% a 15%, conforme o prazo de resgate do dinheiro.

Desvantagens do COE

Para os especialistas, a complexidade, a dependência do emissor e a falta de liquidez são os principais aspectos que exigem maior atenção do investidor.

Liquidez: o investidor precisa esperar o vencimento do COE para receber o mínimo que foi garantido pelo emissor. Algumas instituições financeiras até permitem um resgate antecipado do dinheiro alocado, mas, nesse caso, a pessoa pode perder dinheiro e resgatar menos do que aplicou.

Risco: como os CDBs, o pagamento do rendimento do COE depende do emissor. Se o banco emissor quebrar, a pessoa fica sem receber. Com um agravante: o COE não tem FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Transparência: como as operações que vão dentro do COE são muitas e diversas, a complexidade do produto pode esconder do investidor o valor que o banco emissor cobra ao oferecer o produto. A pessoa pode pagar uma taxa elevada sem perceber.

Se o cliente não sabe se precisará do caixa antes do vencimento do COE, não deve entrar nesse produto.
Antônio Polezzi, responsável de renda fixa da tesouraria do Santander

Para qual perfil de investidor serve o COE

Os profissionais entrevistados declaram que investidores mais conservadores devem ser cuidadosos com esse produto. A orientação é que o investidor interessado em entrar nesse investimento combine o tipo de COE com uma das fatias da carteira.

Por exemplo: um COE que investe na Bolsa americana pode entrar na parte da carteira dedicada a investimentos internacionais. Ou um COE que invista em inflação pode se encaixar na carteira de produtos de renda fixa que assume mais riscos, como aqueles de prazos mais longos.

O quanto esse produto pode ter na carteira de um aplicador vai depender do perfil de risco de cada um. Mas eu diria que pode ser algo como 10% a 15% da fatia correspondente daquele tipo de investimento.
Antônio Polezzi, responsável de renda fixa da tesouraria do Santander

Responsável de renda fixa da tesouraria do Santander, Antônio Polezzi diz que produtos de COE que aplicam em Bolsas americanas, dólar e ouro teriam espaço para ocupar de 10% a 15% da fatia de investimentos internacionais do investidor, dentro da renda variável.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.