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Com juros em alta, Bolsa e Magazine Luiza sobem, em vez de cair: por quê?

O mercado está otimista: taxa subiu, mas o fim desse ciclo está próximo - Getty Images
O mercado está otimista: taxa subiu, mas o fim desse ciclo está próximo Imagem: Getty Images
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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/08/2022 12h45

Toda vez que os juros sobem, o esperado é que os investidores corram para aplicações mais seguras na renda fixa. Como consequência, a Bolsa de Valores cai. Mas hoje o cenário é o oposto.

Depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ter aumentado na noite de ontem (3) os juros básicos de 13,25% para 13,75% ao ano, o Ibovespa está atraindo os investidores.

Às 11h50, o Ibovespa marcava 105 mil pontos, com alta de 1,47%. E as ações mais negociadas são as de varejo - justamente as que mais sofrem com a alta de juros, já que fica mais caro para os consumidores comprarem produtos. O motivo é uma única frase no comunicado que o Copom soltou para o mercado. Entenda.

Que ações estão disparando hoje? No mesmo horário, Magazine Luiza (MGLU3) subia 11,26%, para R$ 3,26, Via (VIIA3), a dona das Casas Bahia, aumentava 7,63% para R$ 2,82, e a operadora de cashback Méliz (CASH3) valorizava 13,27%, para R$ 1,28.

Outra empresa que depende muito dos juros , A construtora MRV (MRVE3), também tinha alta de 8,92%, para R$ 10,87. A construtora, com foco em imóveis mais acessíveis, também é uma empresa que depende muito de juros, que tornam o financiamento imobiliário mais caro.

Por que a Bolsa e essas ações estão subindo? Os investidores estão correndo para a Bolsa porque estão otimistas, diz Pedro Galdi, analista da Mirae Asset. Para ele, mais do que a taxa de juros, o mercado está vendo o que deve acontecer no futuro. Isso porque, ao definir a nova taxa de juros, o Banco Central disse que o próximo ajuste será menor.

"O Comitê avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião", escreveu o comitê do Banco Central. Essa única frase trouxe uma visão mais positiva para o mercado. O entendimento de que a Selic possa parar de subir ajuda a corrigir os papéis de varejo. Essas ações caíram muito e passam agora por um ajuste, diz Galdi.

O que está fazendo a Bolsa andar é perspectiva de que o ciclo de alta dos juros está terminando, dizem Régis Chinchila e Luis Novaes, da equipe de análise da Terra Investimentos. Para eles, o Copom sinalizou que os juros tendem a se manter ou cair no próximo ano. É essa perspectiva de longo prazo que anima os investidores.

O que os especialistas esperam para o futuro? Os especialistas em mercado financeiro apostam que essa será a última elevação dos juros este ano, ou, no máximo, a penúltima, com mais um ajuste em setembro.

É o que pensam, por exemplo, os economistas da casa de análises Eleven. Eles enxergam que a inflação de julho e agosto deve ser menor. Assim, o ciclo de alta dos juros pode estar perto de acabar. "Por isso, seguimos com projeção de 13,75% para a Selic ao final do ano. Para 2023, projetamos a Selic em 11,25%", publicou a empresa, em documento a investidores.

O que de fato deve acontecer na próxima reunião deve ficar mais claro na ata, que sai no dia 9 de agosto, diz o Itaú BBA.

Mas ainda não é um juro alto demais? Sim. Mesmo com os juros nesse patamar elevado - é maior desde 2016, quando a taxa começou o ano em 14% - os investidores acreditam que é uma boa hora para comprar ações de varejo, apostando no longo prazo.

Os juros mais altos impactam negativamente as ações de empresas do comércio e outros setores que têm resultados cíclicos, que são afetados pela inflação.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.