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Ela tinha nome sujo, pagou dívida de R$ 1,1 milhão e hoje é milionária

Simone Sgarbi mora hoje em Ilhabela (SP) e diz já ter conquistado sua liberdade financeira - Arquivo pessoal
Simone Sgarbi mora hoje em Ilhabela (SP) e diz já ter conquistado sua liberdade financeira Imagem: Arquivo pessoal

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/05/2023 04h00

Simone Sgarbi, 49, chegou aos 40 anos de idade com uma dívida de R$ 1,1 milhão, entre R$ 300 mil em dívidas da pessoa física e outros R$ 800 mil da sua empresa de tecnologia. Hoje, ela é educadora financeira, inverteu sua situação e já chegou ao seu primeiro R$ 1 milhão investido.

Ela passou anos tentando rolar as dívidas pessoais e da empresa. Até que o valor ficou impagável e ela precisou renegociar todos os valores.

Para virar sua vida financeira, cortou gastos em mais de 40%. Também aumentou a renda com vendas de brigadeiros, pesquisas, entre outros.

Hoje tem mais de R$ 1 milhão em investimentos. Ela tem também uma carteira de fundos imobiliários e de ações, que ajudam a pagar as principais contas da família. Esse valor inclui apenas os seus investimentos como pessoa física.

Como ela chegou à dívida de mais de R$ 1 milhão

Em 2008, ela tinha várias dívidas em cartão de crédito e carnês de lojas. "Havia mês que não conseguia pagar todas e acabava atrasando uma ou outra, e percebi que a bola de neve estava começando a crescer", afirma. Na época, ela tinha 35 anos. Para pagar as dívidas, hipotecou a casa da família, em Indaiatuba (SP). Mas, com o tempo, o valor da parcela da hipoteca ficou pesado para a família.

Na mesma época, a empresa do casal começou a ter queda no faturamento. Ela é sócia de seu marido, Luiz, que hoje tem 55 anos, na empresa de tecnologia.

Fez empréstimo de R$ 200 mil para a empresa. Não conseguia pagar as parcelas e precisou de mais empréstimos. A dívida inicial de R$ 200 mil no banco virou R$ 800 mil em cinco anos e ficou praticamente impagável.

Bancos entraram na Justiça. Enquanto o processo corria, Simone decide negociar diretamente com os bancos. "Escolhemos pagar antes os bancos que aceitavam nossas propostas", diz.

Vida pessoal também estava comprometida

Simone diz que a "ficha caiu" sobre a situação financeira da família aos 40 anos. Ao tentar internar o pai em um quarto particular de um hospital, ela percebeu que não tinha dinheiro nem crédito no banco para isso, já que seu nome já estava negativado por causa de dívidas no cartão de crédito.

O pai havia sofrido uma queda e, sem plano de saúde, passou dois dias no corredor de um hospital público em São Paulo à espera de leito e da cirurgia. "A virada de chave na minha vida financeira foi nesse dia no corredor de um hospital público", declara.

Simone faz levantamento da dívida pessoal. Chegou ao valor de R$ 300 mil, entre rotativo do cartão de crédito, uso do cheque especial, parcelas da hipoteca da casa e do financiamento do carro. No total, incluindo as dívidas da empresa, ela devia R$ 1,1 milhão.

Levantou todos os gastos que a família teve no último ano. A ideia era entender qual o seu padrão de vida. Listou os gastos por categoria (moradia, alimentação, educação, lazer, etc.), para ver onde poderia cortar ou reduzir.

Começou estratégia para diminuir gastos

Com as contas em mãos, reuniu a família para, juntos, traçarem um plano de ação. Simone pediu que todos colocassem no papel o seu sonho. "A gente colocou o sonho de cada um como meta. Isso ajudou na hora de fazer sacrifícios", afirma. Os sonhos listados foram atingidos em alguns anos.

No início, o corte de gastos foi bem drástico. A família, que havia alugado a casa em Indaiatuba e foi morar de aluguel em São Paulo, mudou de bairro para economizar no aluguel.

A redução dos gastos foi de 40% em três meses. Ela trocou o filho de escola, vendeu o carro e passou a usar transporte público, optou por lazer mais em conta (como ir ao cinemas apenas nos dias mais baratos) e cortou gastos supérfluos (como jantar fora com frequência), entre outros.

A família tinha data para pagar cada dívida. "A gente fez tudo com data para pagar. A cada dívida paga, a gente celebrava, indo ao teatro ou saindo para comer fora. Isso foi importante para a gente conseguir ficar firme no propósito", declara.

Simone estudou sobre educação financeira. "Devorei todos os livros e cursos que encontrei na área, o que me ajudou a tomar decisões com mais clareza e firmeza", declara.

Plano para aumentar renda

Para aumentar a renda, Simone começou a fazer bicos. Fez revisão de textos, vendeu de brigadeiros a toalhas, respondia pesquisas de mercado, atuava como "cliente oculto" e ganhava dinheiro indo a locais para testar produtos e serviços, entre outros.

A filha, então com 18 anos, chegou a trabalhar em festas infantis, para levantar recursos. "Toda a renda extra para para o pagamento de dívidas", diz.

A renda da família aumentou em 30% em cinco meses.

Em um ano e meio, pagou todos os empréstimos pessoais e da empresa. Isso foi possível com a renegociação das dívidas, queda nos gastos e aumento nas receitas.

Era um sacrifício com data para acabar: a data era o dia que eu pagasse minha última dívida, coisa que aconteceu um ano e meio depois, bem mais rápido do que eu achava que conseguiria.
Simone Sgarbi, educadora financeira

Como ela começou a investir

Poupança foi a primeira opção. No primeiro mês, Simone colocou todo o dinheiro economizado para pagar dívidas na poupança, mas logo trocou de investimento.

Ela investiu em CDBs de liquidez diária, de bancos diferentes.

Também montou uma reserva de emergência. Para isso, investiu em Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e em fundos DI com taxa zero. Hoje, ela tem uma reserva de emergência equivalente a um ano dos seus gastos mensais.

Com o tempo, foi diversificando os investimentos. Hoje, Simone tem uma carteira conservadora equilibrada entre renda fixa e renda variável.

Sua meta inicial era investir R$ 10 mil. Hoje, ela tem mais de R$ 1 milhão investido.

Paga parte das contas com renda dos investimentos. Ela tem uma carteira de 12 fundos imobiliários que pagam dividendos mensalmente e ainda em algumas ações de empresas do mercado financeiro, como elétricas, saneamento e telecomunicações. Isso banca o seu custo de vida mensal básico, como luz, água, gás, condomínio, internet, telefone, etc.

Prioridades mudaram. Ela e o marido moram em Ilhabela (SP), com custos fixos menores mas uma qualidade de vida "infinitamente melhor". Os filhos moram sozinhos. "As minhas prioridades mudaram. Gasto mais com o meu bem-estar e menos com a minha sobrevivência. Se tudo der errado, consigo sobreviver com pouco", afirma.

Ela é educadora financeira autônoma e dá dicas de reorganização financeira para clientes pessoa física. Ela se tornou educadora financeira em 2009, aos 45 anos. Também continua como sócia da empresa, que hoje está no azul. Ela não informou quanto da renda vem de seu papel como educadora financeira e quanto vem da empresa.

Não tenho ainda independência financeira, porque ainda preciso trabalhar e ainda quero conquistar muitas outras coisas. Mas tenho liberdade financeira, pois a renda passiva dos meus investimentos pagam os meus custos mensais. E hoje é o banco que precisa de mim.
Simone Sgarbi, educadora financeira

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