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Processos seletivos virtuais agilizam e democratizam contratações

De acordo com pesquisas, seis em cada dez empresas digitalizaram seus processos seletivos durante a pandemia ? e a maioria pretende manter a novidade. - Magnet.me/Unsplash
De acordo com pesquisas, seis em cada dez empresas digitalizaram seus processos seletivos durante a pandemia ? e a maioria pretende manter a novidade. Imagem: Magnet.me/Unsplash

Carol Castro

Do UOL, em São Paulo

29/07/2021 04h00

Gilmar Ribeiro, 31 anos, acordou nervoso para a entrevista de emprego, em maio de 2021. Depois de cinco anos na mesma empresa, o nervosismo causado pelo processo de seleção batia forte. Tinha se candidatado a novas vagas pelo LinkedIn havia apenas um mês, quando o convidaram para o processo seletivo. Organizou a casa, tomou banho, fez a barba, vestiu uma camisa mais arrumada, ligou o computador com antecedência e acessou o link da videochamada. Dez dias e outra entrevista depois, recebeu a notícia: trabalharia na área de Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas da Americanas, com salário melhor e novos desafios.

Se as etapas de recrutamento fossem presenciais, Ribeiro, que mora em Guarulhos, demoraria quase duas horas para chegar até a entrevista de emprego. "Presencialmente é mais fácil passar uma boa impressão, à distância não tem a mesma interação, então precisei me vender melhor para ser aprovado. Caprichei no ambiente do home office e passei até perfume", brinca.

Os processos de seleção digital cresceram desde 2020 ano por causa das medidas de segurança exigidas pela pandemia. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com o Grupo Cia. de Talentos e a unico, ID Tech brasileira de admissão e identidade digital, seis em cada dez empresas digitalizaram a contratação de funcionários. Entre os 182 profissionais de RH entrevistados, 97% dos que implementaram o recrutamento digital pretendem seguir com o modelo após o controle da pandemia.

Até mesmo empresas de soluções digitais de RH encararam o desafio de contratar na pandemia. "Quase 100% de nossas admissões eram feitas com entrevistas presenciais", conta Mariana Ramalho, da Factorial, companhia espanhola que desenvolveu um software para gestão de pessoas. "Nas primeiras semanas de confinamento, sentimos dificuldades em recrutar, mas logo nos acostumamos - e os candidatos também."

Match profissional

E não foram poucas as contratações na Factorial. No último ano, o quadro de funcionários saltou de 40 para 220 pessoas. Outras empresas especializadas em recrutamento e admissão digital também se destacaram. "Nós crescemos em seis meses o que levamos seis anos para crescer", conta Guilherme Dias, co-fundador da Gupy.

Gilmar Ribeiro - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Processos seletivos digitais são mais ágeis e democráticos, já que não exigem deslocamento do entrevistado até a empresa. No caso de Gilmar Ribeiro, bastaram duas entrevistas online em dez dias para começar a trabalhar na Americanas.
Imagem: Acervo pessoal

Há duas vantagens nessa forma de contratação: agilidade e democratização. Gilmar Ribeiro não precisou se locomover até o escritório da empresa - e teria ido até lá se essa fosse a exigência, mas outros candidatos talvez não tivessem a mesma condição. "O processo seletivo digital oferece uma oportunidade mais justa para que pessoas de diferentes lugares consigam espaço nas organizações. Assim, empresas podem contratar funcionários de qualquer canto do país, de norte a sul", afirma Dias. De acordo com ele, um processo de seleção e recrutamento virtual leva cerca de 30 dias para ser finalizado, enquanto os processos presenciais demoram até duas semanas a mais.

Só que não se trata apenas de mudar a plataforma - dos encontros físicos para a sala de Zoom. A inteligência artificial (IA) pode ajudar na filtragem e na seleção dos candidatos. Aquela centena de currículos que chega após a publicação das vagas em redes sociais ou sites de emprego, como a Catho, não cai direto na caixa de entrada de e-mail dos recrutadores. "A inteligência artificial faz um match de palavras-chave, com processamento de linguagem natural. Ou seja, não busca apenas essas palavras, mas extrai o significado de um texto para ver se bate com o que a empresa busca", conta Dias. Não à toa, Dias afirma que em 60% das contratações os candidatos faziam parte do top 10 organizado pela IA.

Da filtragem de currículos em diante, a empresa decide que processos quer colocar na avaliação dos potenciais novos funcionários. As opções são variadas - de testes de lógica e de redação a entrevistas - a depender do interesse da empresa. Ribeiro só precisou de duas conversas para ser contratado, mas é comum passar por testes adicionais - geralmente relacionados a tarefas que o candidato precisará exercer no cargo.

Novos tempos

Não foi só o modo de selecionar candidatos que mudou - os rituais de contratação também. Aquele antigo processo de receber uma lista de documentos, tirar cópias, passar no RH, preencher formulários e assinar contratos ficou para trás. A pandemia obrigou os gestores a dar um fim na papelada e a aceitar documentos digitalizados.

"Uma das funcionalidades do nosso software é o recrutamento. Antes as pessoas precisavam ir até a empresa para assinar documentos. Agora você pode fazer tudo online, inclusive o processo de onboarding", diz Ramalho. "Toda documentação que antigamente era em papel foi digitalizada, até mesmo as avaliações de desempenho."

Com todas essas novidades, os recrutadores recomendam manter os currículos virtuais sempre atualizados. E também é importante ficar atento à caixa de mensagens das redes sociais e de e-mail - por vezes o candidato se perde nas notificações e deixa escapar oportunidades. "Deixar o LinkedIn sempre atualizado é essencial. Não precisa necessariamente ser muito complexo. O importante é colocar todas as informações, cursos, últimas experiências e o que fez nas empresas anteriores", aconselha Dias.

Isso não quer dizer que você deva entrar em todas as últimas modas. A mais recente delas é o banco de currículos do TikTok - ainda não adotado na plataforma brasileira, mas em alta no exterior. "É preciso ver os perfis dos candidatos e da empresa. Para um designer é relevante ter um portfólio virtual, por exemplo. O TikTok é para perfis específicos, para empresas que busquem profissionais da geração Z", afirma Dias. "Ess 'tiktokização', por enquanto, só tem sentido para cargos mais criativos. Eu mesmo, por exemplo, não contrataria um engenheiro ou programador por ter um TikTok bombástico, mas, sim, pelos currículos e projetos", completa Ramalho.

O Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da Fundação Instituto de Administração (FIA) que vai destacar as empresas brasileiras com os mais altos níveis de satisfação entre os seus colaboradores. Os vencedores serão definidos a partir dos resultados da pesquisa FIA Employee Experience, que mede o ambiente de trabalho, a cultura organizacional, a atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. A pesquisa já está na fase de coleta de dados das empresas inscritas e os vencedores do Prêmio devem ser anunciados em agosto.

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