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Falta de comida e combustível: relembre outras greves de caminhoneiros

Motoristas de caminhões em protesto na avenida Paulista, em São Paulo, em apoio à greve dos caminhoneiros de 2018 - Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo
Motoristas de caminhões em protesto na avenida Paulista, em São Paulo, em apoio à greve dos caminhoneiros de 2018 Imagem: Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo

Maria Luiza Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

31/10/2021 04h00

Descontentes com os aumentos dos combustíveis, os caminhoneiros marcaram greve nacional para segunda-feira (1º), enquanto esperam uma proposta do governo para evitá-la. A categoria tem feito uma série de manifestações e ameaças de greve, inclusive neste ano. Relembre esses momentos a seguir.

No início do ano, em fevereiro, caminhoneiros paralisaram algumas rodovias pelo Brasil. Em São Paulo, bloquearam duas faixas da Rodovia Castello Branco, na altura de Barueri (SP), e protestaram contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a alta do preço de combustíveis e a política da Petrobras, baseada na paridade com os preços internacionais.

Na madrugada de 8 de setembro, caminhoneiros que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) interditaram rodovias federais em pelo menos 15 estados. A manifestação começou de madrugada e, no meio da tarde, não havia mais bloqueios nas estradas.

Em 22 de outubro, houve uma paralisação dos transportadores de combustíveis e de derivados de petróleo em Minas Gerais. Os caminhoneiros protestaram contra os altos custos dos combustíveis e o ICMS em Minas Gerais, mas não fecharam rodovias. Chegou a faltar combustíveis em alguns postos na região metropolitana de Belo Horizonte.

Greve de 1979

Em agosto de 1979, caminhões foram estacionados na rodovia Fernão Dias, na altura de Belo Horizonte (MG) depois que o então ministro César Cals, de Minas e Energia, anunciou que o combustível iria aumentar.

Os grevistas expuseram suas reivindicações: 100% de aumento no frete, compensando a alta de 50% nos preços do óleo diesel, e a diminuição das comissões cobradas pelas empresas transportadoras.

No entanto, os motoristas mineiros aceitaram a proposta de aumentar 21% o valor dos fretes.

Também em agosto, os caminhoneiros paulistas paralisaram praticamente toda a distribuição de gasolina e diesel na Grande São Paulo. Receberam a mesma proposta dos mineiros, que foi recusada.

O fim da greve se deu após os paulistas aceitarem um aumento de 32% no frete e pedirem um reajuste de 16,91% até o mês seguinte.

Como consequência, após 72 horas de greve, 48 milhões de litros de derivados de petróleo não foram transportados para o interior de São Paulo e Minas. Cidades ficaram sem gasolina por dois dias.

Greve de 1999

Nessa greve, que começou em 4 agosto de 1999, os caminhoneiros paralisaram as atividades durante quatro dias, pedindo redução de tarifas de pedágios, isenção de impostos e regulamentação da aposentadoria.

A causa foi o reajuste dos combustíveis (7,5% no diesel e 9% na gasolina e gás de cozinha). A greve acabou após acordo entre o líder do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), Nélio Botelho, e o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

A categoria foi atendida: o preço do diesel, que subiu 37% naquele ano, e as tarifas de pedágio foram momentaneamente congeladas.

Os prejuízos foram: paralisação de fábricas da Volskwagen, da Fiat e da Mercedes. A indústria alimentícia também foi atingida, dez unidades de produção da Sadia foram interrompidas pela falta de insumos.

Em dezembro daquele ano, houve uma tentativa de greve frustrada. Programada para começar no dia 12, no estado de São Paulo, a paralisação não teve adesão dos motoristas. A manifestação havia sido anunciada por Botelho, que alegou ter havido "falha de comunicação" entre os caminhoneiros.

Greve de 2012

O principal fator que causou a paralisação em 25 de julho de 2012 foram os termos da lei federal 12.619, que entraria em vigor naquela semana.

Os caminhoneiros não concordavam com a obrigatoriedade de ter um intervalo de 11 horas entre cada viagem. Segundo Nélio Botelho, presidente do MUBC, a lei de tempo de direção não poderia ser cumprida por causa da falta de estrutura das estradas.

Após cinco dias de manifestações, os grevistas fecharam uma das principais estradas do país, a via Dutra, que liga o Rio de Janeiro à São Paulo. Os congestionamentos chegaram a somar 35 quilômetros.

No Rio Grande do Sul, a Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios (AGL) estimou que os produtores perderam R$ 5,6 milhões pela falta de escoamento de leite naquela semana. No Espírito Santo, a greve chegou a afetar o abastecimentos dos mercados, fazendo os produtos ficarem mais caros.

Depois de sete dias, a greve foi suspensa com o início de negociações entre governo federal, Ministério Público do Trabalho e caminhoneiros.

Greve de 2018

A manifestação de 2018, considerada a maior da história da categoria, começou no dia 21 de maio e durou 10 dias. A greve se deu por causa do aumento do óleo diesel.

A alta do combustível estava associada ao aumento do dólar e do petróleo no mercado internacional.

A paralisação chegou a 24 estados. A greve continuou mesmo com o anúncio de redução de 10% do preço do óleo diesel nas refinarias por 15 dias e o congelamento dos preços durante esse período.

O impacto da paralisação gerou interrupção de produção em fábricas, falta de combustíveis e disparada de preços em postos de gasolina, cancelamento de aulas e prateleiras vazias em supermercados.

Para parar a greve, o governo prometeu atender reivindicações como: zerar a Cide sobre o diesel e baixar em 10% o preço do combustível nas refinarias por 30 dias. Mas, por não ter sido incluída a isenção do PIS-Cofins sobre o diesel, a manifestação continuou.

O então presidente Michel Temer acionou militares para desbloquear as vias. Foi a primeira vez que uma operação GLO (de Garantia da Lei e da Ordem) teria abrangência nacional e não apenas em Estados e municípios específicos.

Nos últimos dias de paralisação, as Forças Armadas e a Polícia Rodoviária Federal dissolveram os últimos pontos de concentração de caminhoneiros nas estradas.

Dessa vez, o prejuízo contabilizado por 13 segmentos da economia chegou a R$ 50 bilhões. Houve paralisação de fábricas, suspensão de exportações e adiamento de vendas.

O setor de distribuição de combustível deixou de vender cerca de R$ 11 bilhões. A cadeia produtiva da pecuária de corte perdeu aproximadamente R$ 10 bilhões.

Produtores de aves e suínos indicaram prejuízo de R$ 3 bilhões, inclusive com a morte de 70 milhões de aves e de 20 milhões de suínos, a maioria por falta de ração.

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