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Bolsa cai quase 14% em dia com suspensão e volta ao nível de junho de 2018

Do UOL, em São Paulo

16/03/2020 17h23Atualizada em 17/03/2020 11h27

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 13,92%, aos 71.168,05 pontos, em mais um dia de tensão nos mercados globais e mesmo após uma suspensão temporária, pela manhã, com o acionamento do "circuit breaker". Foi a quinta suspensão em oito dias, desde 9 de março. É o menor nível de fechamento desde 27 de junho de 2018 (70.609 pontos).

O dólar comercial fechou em alta de 4,86%, cotado a R$ 5,047 na venda. É a primeira vez que o dólar fecha acima de R$ 5 e é o maior valor nominal (sem considerar a inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real. O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto. Nesta segunda, chega a R$ 5,20 em corretoras de São Paulo.

Os mercados mundiais operavam em forte queda, com as últimas respostas de autoridades aos efeitos da pandemia do novo coronavírus trazendo aflição de que a desaceleração nas economias será maior do que se vem projetando.

Em nota a clientes, o Credit Suisse destacou que estímulos emergenciais são medidas fortes, que fazem sentido dada a rápida deterioração econômica como consequência do surto do Covid-19, mas que, mesmo com todas essas iniciativas, o mercado parece estar mais cético e negativo.

O mercado parece estar "preocupado que essas medidas não serão suficientes para conter o real impacto econômico causado pelo coronavírus, o que pode indicar o início de uma semana ainda bem volátil", afirmou o Credit Suisse.

Bancos centrais tentam conter crise

Bancos centrais das principais economias estão adotando medidas para estimular os mercados, que se deterioram em meio à pandemia.

Por exemplo, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) cortou ontem os juros em um ponto percentual, para perto de zero, em uma decisão emergencial. O banco também prometeu centenas de bilhões de dólares em compras de ativos.

Apesar dos esforços, as Bolsas da Europa despencavam na manhã de hoje ao menor nível desde 2012, enquanto as asiáticas fecharam em queda de mais de 2%.

Hoje os mercados internacionais deveriam repercutir positivamente as ações adotadas neste final de semana pelos bancos centrais. Entretanto, nem mesmo as ações emergenciais estão sendo capazes de conter o pânico que se assola sobre os mercados nesta manhã.
Ricardo Gomes da Silva, da Correparti Corretora

Segundo analistas, a decisão dramática e inédita do Fed, apesar de buscar estimular os mercados, apenas destaca o quanto o coronavírus está afetando a economia global, forçando o banco a colocar em ação suas ferramentas disponíveis.

"As sequelas da Covid-19 já se fazem presentes na economia global e devem se ampliar ainda mais nas economias da zona do euro, dos EUA e aqui no Brasil, com risco de estarmos próximos de uma recessão global", destacou a equipe da Mirae Asset, em relatório a clientes.

Expectativa de corte de juros no Brasil

As medidas dos principais bancos centrais pelo mundo geram expectativa de que o BC brasileiro antecipe um corte na taxa básica de juros (Selic), que hoje está em 4,25%. O Copom (Comitê de Política Monetária), responsável pela decisão, tem reunião marcada para esta terça e quarta-feira.

Analistas do mercado esperam a Selic em 4% e reduziram a estimativa de crescimento em 2020 em 0,31 ponto percentual, a 1,68%.

Governo anuncia novas medidas de emergência

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta segunda-feira, em reunião extraordinária, medidas para facilitar a renegociação de dívidas, numa resposta aos impactos do coronavírus sobre a economia brasileira. O governo também flexibilizou os requerimentos de capitais dos bancos nos próximos seis meses.

A expectativa é que as medidas aumentem o fluxo de capital na economia brasileira e sirvam de incentivo para minimizar a crise.

(Com Reuters)

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