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País tem 16 mil fundos para investir; aprenda a escolher o melhor para você

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

30/08/2018 04h00

Fundos de investimento são uma das opções mais procuradas pelos brasileiros para guardar dinheiro, depois da poupança. Entretanto, escolher um fundo para investir não é uma tarefa simples. Há cerca de 16 mil fundos no país, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Apesar do número expressivo, boa parte deles não é acessível ao pequeno investidor. Muitos exigem aplicação inicial alta, a partir de R$ 100 mil ou mais. Mesmo assim, ainda sobram algumas centenas de opções nas plataformas de investimento de bancos e corretoras, com valores bem mais baixos, a partir de R$ 100.

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Então, como saber se um fundo é bom ou não? Não basta olhar a rentabilidade passada. Veja algumas dicas de especialistas de como fazer a escolha.

Escolha a estratégia de investimento

Fundo de investimento é indicado para quem busca ganhos acima da poupança, mas não tem conhecimento ou tempo para acompanhar o mercado financeiro. A responsabilidade de fazer o dinheiro render é atribuída a um profissional especializado, o gestor.

O primeiro passo é definir a estratégia de investimento. Há três tipos básicos de fundo: de renda fixa, multimercados e de renda variável. Veja as características de cada um:

  • Renda fixa: são conservadores, de risco baixo. Eles investem em títulos públicos e/ou em títulos privados, com remuneração prefixada, pós-fixada ou atrelada a algum índice de preço.
  • Multimercados: podem investir em diversos tipos de ativo (ações no Brasil e no exterior, dólar, contratos de juros futuros, títulos de renda fixa, derivativos, entre outros). O objetivo é entregar um ganho maior do que os fundos de renda fixa no longo prazo. O risco pode variar entre moderado e alto, dependendo da estratégia adotada.
  • Renda variável: Investem principalmente em ações. O objetivo é obter ganhos elevados no longo prazo, mas correndo um risco alto. Em alguns momentos, o investidor pode perder dinheiro.

Avalie sua disposição a correr riscos

A escolha do tipo de fundo deve ser condizente com o conhecimento do investidor sobre o mercado financeiro e com a sua disposição para correr riscos. Quanto mais elevado é o risco do fundo, maior é o retorno esperado. No entanto, quando o risco é alto, as chances de perder dinheiro também aumentam.

“Antes de tomar a decisão de investimento, é importante saber qual é o seu apetite por risco”, afirmou Tatiana Itikawa, gerente de representação institucional da Anbima. Ela recomenda o preenchimento da Análise de Perfil do Investidor (API), formulário que está disponível em todas as instituições financeiras filiadas à entidade.

O API informará se você é um investidor conservador, moderado ou arrojado. Em geral, as plataformas de investimentos divulgam o nível de risco de cada produto.

Taxas podem comer seus ganhos

A taxa de administração é o principal custo de um fundo. Ela incide sobre todo o dinheiro investido. Alguns também cobram a taxa de performance, uma parcela (em geral, de 20%) do rendimento gerado pelo fundo que supere um determinado referencial (como o CDI).

“O investidor deve prestar atenção às taxas cobradas porque elas reduzem o rendimento do fundo”, declarou Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper. “Não é difícil encontrar fundos oferecidos por grandes bancos que cobram taxas de administração de 3%, 4% até 5% ao ano.”

Estudo feito pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças) mostrou que, com os juros mais baixos, fundos de renda fixa que cobram taxa de administração igual ou superior a 1% ao ano rendem menos do que a poupança.

Fundos multimercados e de renda variável, que proporcionam rentabilidade maiores, costumam cobrar taxas de administração mais altas do que os fundos de renda fixa.

Segundo Bernardo Pascowitch, fundador do buscador de investimentos Yubb, mesmo nos fundos mais arrojados, o ideal é que a taxa de administração não ultrapasse 3,5% ao ano.

Compare os fundos certos

Um erro muito comum é comparar rentabilidade de fundos diferentes, como um de renda fixa e um de renda variável.

“O fundo de renda variável provavelmente terá um rendimento maior, mas ele corre muito mais risco do que o de renda fixa. Primeiro você deve definir qual tipo de fundo é melhor para seus planos. Feito isso, compare fundos do mesmo tipo”, disse Rocha, do Insper.

O professor explicou que ainda dentro de um mesmo tipo de fundo, como os multimercados, há diferenças, por causa das estratégias, que podem ser mais ou menos arriscadas. “Nesse caso, pesquise a estratégia de cada fundo e procure comparar aqueles que são mais semelhantes entre si.”

A informação sobre a estratégia pode ser encontrada na lâmina do fundo, disponível nas plataformas de investimento ou no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Analise a rentabilidade em diversos períodos

A rentabilidade passada de um fundo é o dado mais pesquisado na hora de escolher o produto, mas isso não garante o futuro, afirmou Rocha.

Tatiana, da Anbima, lembrou que é necessário levar em conta as mudanças do cenário econômico ao longo do tempo para avaliar o retorno de um fundo. “A rentabilidade passada não diz muita coisa hoje. O cenário mudou completamente. A Selic hoje está muito menor do que há um ou dois anos.”

A Selic, taxa básica de juros, está em 6,5% ao ano hoje, contra 9,25% em agosto de 2017 e 14,25% em agosto de 2016.

Para avaliar se o trabalho do gestor é consistente, o ideal é analisar a rentabilidade do fundo em diversos períodos e comparar os números com o desempenho de fundos semelhantes.

“Procure olhar a rentabilidade em quatro janelas de tempo: neste ano, nos últimos 12 meses, nos últimos 24 meses e desde a criação do fundo”, declarou Eduardo Ponce, sócio responsável pela área comercial da Genial Investimentos.

Outras informações que ajudam na escolha do fundo

Além da rentabilidade passada, há uma série de dados para escolher um fundo. Um deles é o patrimônio líquido (total investido no fundo).

“Se um fundo possui patrimônio alto, na casa dos bilhões de reais, é sinal de que os investidores confiam no gestor e estão satisfeitos com o retorno apresentado”, disse Ponce.

Porém, essa regra só vale para as gestoras independentes, ou seja, que não são ligados a grandes bancos. Fundos de grandes bancos normalmente possuem patrimônio alto por causa da facilidade dessas instituições em captar recursos por meio de sua rede de agências.

O índice de Sharpe relaciona a rentabilidade com a volatilidade de um fundo. “É um índice que mede a eficiência do gestor. Ele mostra se o gestor conseguiu gerar ganhos sem precisar correr muito risco”, afirmou Ponce.

Ao comparar dois fundos com rentabilidade semelhante, escolha aquele que apresentar o maior índice de Sharpe, ou seja, o fundo mais eficiente. No entanto, a informação sobre o índice não é tão fácil de encontrar. Apenas algumas plataformas de investimento divulgam esse dado para os fundos oferecidos.

Algumas gestoras de investimento divulgam relatórios ou publicam vídeos na internet, em que o gestor expressa suas opiniões a respeito da economia e explica qual a estratégia adotada no fundo. “É uma forma de conhecer o gestor, entender como ele pensa”, afirmou Ponce.

Veja onde pesquisar informações sobre fundos

Todas as plataformas de investimento de bancos e corretoras que oferecem fundos são obrigadas a informar dados básicos como rentabilidade passada e nível de risco, além de publicar a lâmina do fundo.

A lâmina traz as principais informações sobre o fundo, como política de investimento, composição da carteira, valores mínimos para aplicação e resgate, prazo de pagamento do resgate e as taxas de administração e performance.

A Anbima desenvolveu o Escolha seu Fundo, uma ferramenta que permite pesquisar e comparar todos os fundos disponíveis no mercado.

A CVM também possui uma página de consulta sobre fundos, que traz todos os documentos que devem ser divulgados pelos gestores, como composição da carteira, balancete, valorização das cotas, entre outros.

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