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Saiba se você ainda tem ações de telefone e como ganhar um dinheiro extra

Vinicius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/05/2019 04h00

Quem comprou um telefone fixo antes das grandes privatizações do final dos anos 1990 e da evolução tecnológica que se seguiu pode possuir ações de empresas de telefonia listadas na B3, a Bolsa de Valores brasileira, e nem saber.

É que, como plano de expansão, a Telebras vendia os papéis para se financiar e, só então, cedia aos compradores dessas ações a linha telefônica. Foi assim que muita gente adquiriu os papéis da estatal mesmo sem saber exatamente o que estava levando.

Após a privatização da empresa, em 1998, os detentores desses papéis passaram a possuir diversas ações de outras companhias telefônicas que compraram os ativos da antiga Telebras.

Dessa forma, os acionistas (mesmo que não intencionais) da estatal que não mexeram nos papéis podem deter, atualmente, uma pequena participação nas empresas OI, Telefônica, TIM, LIQ e Embratel.

O UOL apurou que cerca de um milhão de pessoas ainda podem deter essas ações, mesmo sem saber. "Muita gente nem sabe que os pais ou avós compraram telefone naquela época e continuam acionistas", afirmou Adriano Batista, advogado especialista em ações oriundas de empresas telefônicas.

Como sei se ainda tenho?

Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regula o mercado acionário brasileiro, os interessados em saber se possuem alguma ação das empresas citadas devem ir a qualquer agência dos bancos Itaú, Bradesco e Banco do Brasil com RG e CPF em mãos e pedir a verificação.

Caso não seja localizada nenhuma posse ou o interessado não possa comparecer aos locais, há a possibilidade também do envio de uma carta às instituições bancárias para a verificação.

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, mesmo quem vendeu o telefone para outra pessoa há anos pode procurar, pois, como a informação da aquisição das ações não era transparente, as pessoas vendiam apenas a linha telefônica, continuando com os papéis da empresa.

"Muitos telefones foram vendidos para terceiros no mercado paralelo, mas as ações não. Assim, mesmo quem vendeu a linha telefônica há muitos anos pode verificar se ainda possui ações", disse a advogada Roberta Densa, especialista em direito do consumidor. Dessa forma, apenas o primeiro comprador da linha telefônica possui o direito aos papéis.

Posso vendê-las?

Se, depois de identificar a posse das ações, o dono quiser vendê-las e fazer um dinheiro extra, ele poderá fazer mediante a abertura de conta em uma corretora que opere na B3 ou ainda vender nos próprios bancos.

O cliente poderá vender parte dos papéis ou a totalidade deles. O valor oferecido irá depender da variação dos preços no mercado no dia da oferta, ou caso opte por vender ao banco mesmo, se a instituição financeira possui interesse na aquisição dos papéis.

"Em uma época como essa, de recuperação de crise, pode ser uma oportunidade de ter um dinheiro a mais", disse Batista.

O valor atual de cada acionista dependerá do número de papéis que ele possui e também do valor pago na aquisição da linha telefônica à época, de acordo com a CVM.

"O valor dependerá de qual posição acionária você possui. Se forem muitos papéis, obviamente, a pessoa ganhará mais", afirmou Roberta. O número de ações depende também do ano da aquisição do telefone fixo, já que as estatais variavam a quantidade ofertada.

Caso haja dúvidas, o CVM possui um canal para ajudar os interessados.

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