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Finanças pessoais

Bolsa sobe em julho pelo 4º mês e reduz perdas no ano; ouro segue em alta

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

31/07/2020 17h44

Resumo da notícia

  • Ibovespa inicia segundo semestre com ganho de 8,3%
  • Ouro segue com ciclo positivo e ganho no ano atinge 62%
  • Dólar perde fôlego e cede ganhos acumulados no ano ante o real
  • Espaço para Bolsa seguir em alta depende de cenário político, dizem especialistas

A Bolsa emendou em julho o quarto mês seguido de alta, reduzindo mais um pouco o prejuízo provocado pelo impacto econômico gerado pelo novo coronavírus. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, subiu 8,3% no mês. Com isso, as perdas no ano, que chegaram a ser de 45%, em 23 de março, caíram agora para 11%.

O ouro também teve um mês de julho positivo. O metal já acumula neste ano ganhos da ordem de 62%. Por outro lado, o dólar perdeu fôlego em julho, devolvendo parte da valorização acumulada ante o real em 2020.

Profissionais de mercado dizem que a alta do ouro mostra que os investidores seguem preocupados com relação à capacidade de os países retomarem o ritmo da atividade econômica. Além disso, há o receio de que a grande quantidade de dinheiro que os governos em todo o mundo estão liberando para ajudar empresas e pessoas na travessia da crise possa, no futuro, gerar inflação.

O ouro é um investimento considerado forma de proteção contra inflação e contra incertezas sobre o futuro da economia, pois é reserva de valor.

Já o dólar, também considerado meio de proteção, por ser uma moeda global e emitida pela maior economia do planeta, cedeu um pouco ante o real em julho. Para o head de alocação da XP, Felipe Dexheimer, a menor tensão no mundo político contribuiu para esse movimento. "No Brasil, ficamos positivamente surpresos com o novo impulso do Congresso e governo em dar novo fôlego à reforma tributária, além de outras reformas e privatizações", disse.

A Bolsa, que tem se mostrado resistente nessa retomada depois de bater o fundo do poço, está sendo ajudada pelos juros baixos, no mundo todo e também no Brasil. "O fraco desempenho da renda fixa está dando fôlego para a Bolsa", afirmou o diretor de relacionamento social da Abaai (Associação Brasileira de Agentes Autônomos), Eduardo Siqueira, também sócio do escritório de agentes autônomos Acqua Investimentos.

De fato, aplicações relacionadas aos juros básicos, que miram o CDI, seguem com variações mensais abaixo de 0,3%.

Já o indicador que acompanha o desempenho das cotas dos fundos imobiliários negociados na Bolsa, o Ifix, é que deu uma patinada em julho, sem acompanhar o Ibovespa. "Há um receio de que o setor imobiliário possa sofrer mais com a pandemia, por exemplo, com o home office afetando a receita de locação de prédios comerciais", disse Siqueira, da Acqua Investimentos.

Próximos meses

Para os próximos meses, profissionais de mercado dizem que o desafio da Bolsa é seguir em alta sem novidades reais no lado econômico ou político.

No curto prazo, o Brasil está muito ligado ao fator político. Se a reforma tributária andar e vierem outros sinais positivos, podemos ter mais redução do espaço para o viés negativo.
Felipe Dexheimer, head de Alocação da XP

Mas para o Ibovespa avançar além dos 105 mil pontos de forma consistente, o mercado está esperando algo relevante acontecer para a tendência ganhar força de forma mais consistente.

"Não vejo a Bolsa chegando a 115 mil pontos sem fatos mais relevantes, como uma vacina contra a covid-19, a reabertura de economia de maneira mais efetiva e ainda alguma sinalização de que a questão fiscal no Brasil não vá piorar depois da crise", disse o chefe de renda variável da Messem Investimentos, William Teixeira.

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