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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Razão ou emoção: quem ganha esse embate no mercado financeiro?

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Gabriela Mosmann

Gabriela Mosmann

É mestre em finanças e analista de investimentos CNPI na casa de análises @SunoResearch

02/08/2021 04h00

Quando pensamos em finanças, mais precisamente em dinheiro e investimentos, invariavelmente relacionamos os números à matemática lógica e direta. Porém, ignoramos algo muito importante, um dos fatores mais relevantes por trás das decisões financeiras: você, eu e toda e qualquer pessoa com alguns centavos na mão são movidos pela emoção.

O mercado financeiro é formado por todos os investidores que, acredite, são seres humanos de carne e osso e com várias emoções. Pessoas com seus problemas, suas angústias, sonhos e esperanças. Muitos tomam decisões sem análises matemáticas e estatísticas, apenas seguem seus instintos e, às vezes, seus conhecimentos acumulados até o momento.

Leia abaixo o artigo completo.

Com isso em mente, a dinâmica do mundo financeiro fica um pouco menos matemática e mais psicologicamente compreensível. Não que isso deixe ela mais fácil de ser analisada, muito pelo contrário. Ao menos fica nítido que o mercado é emotivo, assim como muitos, e traz suas inseguranças à tona em momentos de incerteza, causando uma queda drástica na Bolsa de Valores mesmo antes da concretização do fato, que pode nem ocorrer.

A Bolsa de Valores funciona com base de expectativas e não de fatos. Se esperamos que algo seja A, a Bolsa vai reagir quando criarmos essa esperança e não quando esse "algo" virar A. Em um cenário onde A vira A, a Bolsa fica estável, afinal ela já esperava isso. Mas, se A virar B, muitas coisas podem acontecer, pois houve uma quebra de expectativas.

Vamos usar exemplos reais: há poucas semanas foram noticiados os critérios sugeridos pelo ministro Paulo Guedes para a reforma tributária, que começaria a taxar dividendos —o que impactaria muito todos os fundos imobiliários.

A pergunta é: por que tanto desespero no mercado, se essa foi apenas a primeira sugestão e sabemos que muita coisa pode (e vai rolar) antes de termos indícios de uma aprovação? Dito e feito, logo depois o próprio ministro relatou que excluiria os FIIs desse imposto. O mercado se desesperou, assim como muitos novos investidores desavisados.

Todos os dias saem notícias como essas que impactam o mercado de uma forma e de outra. Sempre foi assim e sempre será, pois o mercado é formado por humanos emotivos. Nada adianta ficar preocupado com informações sem base. Nada adianta tomar uma decisão por um boato, assim como nunca fez sentido esperar que você saberá quais serão os impactos da próxima manchete de jornal no mundo financeiro.

O mercado é irracional, e não existem videntes. Um bom investidor é aquele que busca racionalidade em meio ao caos e que tem tranquilidade em suas decisões dia após dia.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL