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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Se os preços caírem, os fundos imobiliários podem sofrer? O que fazer?

Qual o impacto da deflação no rendimento dos fundos imobiliários? - Getty Images/MicroStockHub
Qual o impacto da deflação no rendimento dos fundos imobiliários? Imagem: Getty Images/MicroStockHub
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Juliana Mello

02/08/2022 04h00

Depois de 25 meses de inflação positiva, o mês de julho deve ser marcado por uma deflação. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), a inflação deve recuar em até 0,6% em julho, seguida de uma nova queda de preços em agosto.

Boa notícia para a economia e para as famílias após uma série de altas. Entretanto, o fato acendeu um alerta entre alguns investidores de fundos imobiliários. Mas isso é realmente uma má notícia para o rendimento desses fundos?

Durante os meses de inflação em alta, os fundos imobiliários de papel —aqueles que investem em Certificados de Recebíveis Imobiliários— chamaram a atenção por um aumento nos rendimentos mensais pagos aos investidores.

Isso porque muitos dos papéis que estão na carteira desses fundos são reajustados pelo IPCA, o índice oficial de inflação medido pelo IBGE, ou pelo IGP-M, Índice Geral de Preços de Mercado, calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas. Com isso, os rendimentos cresceram. E se esse cenário mudar?

É daí que vem a preocupação. Afinal, uma inflação negativa (ou deflação) poderia reverter o processo ou até fazer com que os fundos não paguem dividendos nos próximos meses? Não necessariamente.

Muitos dos CRIs, papéis que remuneram aqueles que investem em fundos imobiliários de papel, só são reajustados pelo IPCA quando há uma variação positiva. Ou seja, em caso de preços menores, os valores pagos pelos credores nesses contratos seguirão a amortização prevista no mês. Isso estará determinado nos documentos da operação.

Além disso, os fundos não necessariamente têm suas carteiras formadas apenas pelos contratos atrelados à inflação.

Alguns deles têm também ativos que são remunerados pelo CDI, uma taxa que fica muito próxima à Selic. E a Selic, por sua vez, deve ser elevada mais uma vez na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, segundo projeta o mercado; a reunião acontecerá nesta semana.

Momentos como este nos fazem lembrar da importância da diversificação dos investimentos. Em minha última coluna, falei sobre a diversificação na renda fixa e sobre como é importante criar uma carteira com diferentes prazos e diferentes perfis de credores.

Isso vale também para os fundos de investimentos. Os fundos em que você investe possuem quantos papéis? Importante prestar atenção na concentração por ativo definida no regulamento do fundo. Isso dará uma ideia do número mínimo de operações em que esse fundo deverá investir.

Essas são questões que contribuem para que sua carteira mantenha uma rentabilidade atraente em diferentes momentos de mercado e que evite sustos no curto prazo.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.