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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

3 ações que fizeram meu dinheiro render 170% enquanto o Ibovespa caiu 6%

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

01/10/2021 04h00

Na coluna da semana passada, eu contei que meus investimentos na Bolsa subiram 171,16% desde o início de 2020, enquanto o Ibovespa acumulou uma queda de 5,88% no mesmo período.

Como informei, o cálculo foi feito pelo aplicativo Grana Capital, que, por ser integrado à B3, não permite ao usuário manipular seus dados de rentabilidade. Chegou a hora, então, de você conhecer quais foram os papéis que puxaram a minha carteira para cima e, mais importante, como foi meu processo de decisão de compra. Leia abaixo.

Em tempo: no meio do caminho tiveram muitas pedras. Também falo dos erros e prejuízos nesta coluna. Lembrando que isso não é uma recomendação. Apenas compartilho com você a minha experiência como investidor.

Retomando: o pré-pandemia

Apenas para retomar, terminei a coluna passada contando que antes da pandemia eu estava 100% posicionado em Banco Inter (crianças, não façam isso em casa) e que, em março, eu vendi cerca de 75% dessas ações, amargando um prejuízo em torno de 50%.

Ou seja, naquele momento eu realizei uma perda de metade de tudo o que eu tinha em ações (entendeu por que não é para fazer isso em casa, né?).

Já expliquei por que eu vendi os papéis naquelas condições e agora vou contar quais ações eu comprei depois.

Onde eu não poderia investir?

Após vender 75% do que eu tinha, precisava escolher onde aplicar o dinheiro. Deveriam ser empresas com menos tendência a sofrer os impactos da covid-19.

Quem mais iria sofrer com a pandemia? Os setores de saúde, transporte, lazer, viagens certamente sofreriam impacto considerável. Além disso, já se sabia que o comércio provavelmente ficaria fechado por um bom tempo.

Como escolhi Magazine Luiza?

No final de março do ano passado, eu fiz a "compra do mês" (essa só quem é do meu tempo vai entender) pela internet pela primeira vez.

Naquele momento me dei conta de que estava comprando online coisas que até então eu só adquiria em lojas físicas, como cartucho de impressora, itens para computador e até materiais de papelaria.

Resolvi, então, investir em empresas de comércio eletrônico. Minha primeira opção foi Magazine Luiza, que eu já estava arrependido de não ter comprado antes do boom.

Os papéis tinham caído 45% em menos de um mês. Porém, o que havia motivado a forte alta da empresa antes da pandemia não era o comércio físico, e sim as vendas online.

Existia um risco por conta das lojas físicas (que poderiam ficar fechadas por um bom tempo), mas o histórico recente da empresa de investir em tecnologia me fez entender que o Magazine Luiza teria grandes chances de conseguir se reinventar tanto quanto necessário.

As perdas com B2W e Lojas Americanas

Eu não quis concentrar meus investimentos em e-commerce em ações do Magazine Luiza. Cometi, então, um erro crasso: investir em uma ação sem convicção.

Comprei B2W, Via Varejo e Lojas Americanas por indicação de analistas, sem ler os relatórios. Perdi dinheiro com as três. Alguns meses depois, realizei o prejuízo.

Itaú andando de lado

Outro ativo que escolhi foi o banco Itaú. O raciocínio foi bem simples: o banco é bem administrado, tem um histórico excelente de se adaptar aos novos cenários tecnológicos e lucro exorbitante de forma consistente.

Os papéis do banco tinham sofrido uma forte queda na pandemia, mas, quando eu me atentei a isso, já tinham recuperado parte das perdas.

Investi assim mesmo. Não me ajudou nem atrapalhou. Vendi algumas semanas depois, praticamente pelo mesmo preço de compra.

A vez da Azul

Em junho e julho, Magazine Luiza já tinha recuperado todas as perdas e eu precisava realocar os investimentos após vender Itaú, B2W, Via Varejo e Americanas.

O mundo dava sinais de que estava aprendendo a lidar com a pandemia. As pessoas já estavam voltando a fazer algumas coisas, como viajar de avião, ainda que em frequência bem menor.

Além disso, o governo já havia oferecido ajuda às aéreas. Estava claro que o setor público não queria permitir uma quebradeira nesse segmento.

Então fui estudar o que os analistas estavam falando sobre o assunto e concluí que a Azul era a companhia aérea brasileira que oferecia menor risco naquele momento.

Como ela não tinha recuperado nem metade do que havia perdido em março, resolvi investir.

Assim que o preço da ação chegou perto do patamar pré-pandemia eu vendi e realizei o lucro. Não conheço o setor aéreo e, para mim, não compensava ficar com aquele ativo na carteira. A ideia era só aproveitar a queda além da conta que o papel tinha sofrido.

Por fim, Banco Inter ressurge

Paralelamente a essas compras, eu voltei, aos poucos, a investir em Banco Inter, a partir do momento em que foi ficando claro que não haveria uma falência em cadeia de bancos médios.

A economia apresentou indícios de retomada. As coisas estavam difíceis, mas se acomodando.

Início de 2021

Em janeiro deste ano minha carteira já tinha recuperado com folga tudo o que eu tinha perdido com Banco Inter em março de 2020.

Comecei, então, a vender meus ativos aos poucos, para realizar o lucro e reinvestir na minha própria empresa.

No segundo trimestre, decidi que, depois desses ganhos excepcionais (sim, não é toda hora que a gente consegue uma alta da carteira inteira de 170% em menos de dois anos), não estava disposto a lidar com as oscilações que o mercado terá por conta das eleições.

Fui vendendo minhas ações aos poucos e comprando fundos de investimento imobiliário. Hoje, só tenho FIIs na carteira.

Últimos avisos

Para resumir, os três ativos que puxaram minha carteira para cima foram: Magazine Luiza, Azul e Banco Inter (os 25% que eu não vendi e um pouco mais que comprei depois).

Como sempre, quero enfatizar que nada disso é recomendação de compra nem de venda.

O risco que eu aceito correr pode não ser o mesmo que você aceita.

Além disso, ao investir, você precisa ter clareza de que a empresa é realmente boa. Se não tiver isso, na primeira turbulência você vai vender e ter prejuízo, como aconteceu comigo no caso de B2W, por exemplo.

Ficou alguma dúvida? Se quiser me perguntar algo, envie e-mail para uoleconomiafinancas@uol.com.br. As perguntas mais comuns poderão ser respondidas futuramente na minha coluna.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL