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Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Juros nos EUA sobem, bitcoin cai; por que isso ocorre? Ainda vale investir?

Por que o bitcoin caiu de US$ 69 mil para US$ 29 mil? Entenda e veja se vale a pena investir ainda - iStock
Por que o bitcoin caiu de US$ 69 mil para US$ 29 mil? Entenda e veja se vale a pena investir ainda Imagem: iStock
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18/05/2022 11h00

O aumento dos juros nos Estados Unidos, que agora estão em 1% ao ano, tem mexido com os fluxos de investimentos em todo mundo — e as criptomoedas não ficam de fora. Investidores estão mais cautelosos em relação a aplicações mais arriscadas, o que tem feito o bitcoin (BTC), a moeda digital mais comercializada do planeta, despencar para baixo de US$ 30 mil.

Mas qual a relação entre a alta dos juros na maior economia do planeta e o desempenho do mercado de criptoativo? Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos, responde a essa dúvida logo abaixo — com destaque para a primeira e mais famosa criptomoeda existente.

Não valia nem um centavo

Apresentado ao mundo pela primeira vez em 2008, o bitcoin (BTC) protagonizou uma revolução inicialmente silenciosa na forma como armazenamos informações e realizamos transações no meio digital.
Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

Naquele ano, Satoshi Nakamoto, pseudônimo do criador (ou criadores) do bitcoin, introduziam as bases teóricas para algo que era muito mais do que simplesmente uma nova classe de ativos por meio do artigo "Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System" ("Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico de Pessoa para Pessoa", em tradução livre).

O sistema mencionado pelo artigo no título era o blockchain, que funciona como uma espécie de banco de dados descentralizado que faz o registro das transações realizadas em uma determinada rede.

Para garantir a segurança das informações armazenadas nesse banco de dados, a rede é composta por blocos encadeados criptografados. Assim, a criptografia impede que as informações contidas nesses blocos sejam alteradas, garantindo a veracidade das operações registradas na rede.

O estrategista-chefe da Levante diz que é importante mencionar que a criptomoeda surgiu em meio à crise econômica de 2008, que acarretou a maior recessão global desde a Grande Depressão de 1929.

"Na época, a confiança dos investidores nas grandes instituições financeiras havia sido abalada, e o bitcoin se apresentava como uma alternativa ao sistema financeiro tradicional", declara o especialista.

Em janeiro de 2009, houve o primeiro registro de mineração de bitcoin. Em 5 de outubro do mesmo ano, a criptomoeda foi cotada em dólares americanos pela primeira vez. O valor? US$ 0,0007639 por 1 BTC.

Bevilacqua diz que "como tudo aquilo que é novo e disruptivo demais, o ativo foi adotado inicialmente por apenas um pequeno grupo de entusiastas da tecnologia de blockchain, ficando de fora do radar dos grandes investidores e do público geral".

Com o passar dos anos, o biitcoin resistiu ao teste do tempo e se consolidou como um ativo sólido e confiável, tendo em vista o alto grau de segurança de sua rede de blockchain.

Mercado cripto na pandemia

Em meio a uma das piores crises sanitárias já enfrentadas pela humanidade (a pandemia do coronavírus), Bancos Centrais ao redor do globo adotaram medidas de relaxamento monetário com o intuito de garantir a liquidez do sistema financeiro diante da interrupção da atividade econômica.

Dentre essas medidas, Bevilacqua afirma que merecem destaque os cortes abruptos das taxas de juros e a intensificação das compras de títulos, bem como os programas de auxílio financeiro fornecidos à população durante o período de isolamento social.

Diante desse cenário de juros baixos e alta liquidez dos mercados, investimentos considerados mais seguros, como a renda fixa, passaram a oferecer uma rentabilidade mais baixa, tornando-se menos atrativos.

Essa conjuntura fez com que muitos investidores saíssem de sua zona de conforto em busca de ativos mais rentáveis — e nenhum ativo apresentou rentabilidade mais alta do que o bitcoin entre 2010 e 2020.

Assim, impulsionada pelo apetite por risco e pela sede de novidades que tomavam conta dos investidores, em novembro de 2021, a primeira criptomoeda criada pelo homem alcançava a cotação recorde de US$ 69 mil — "para o delírio daqueles que haviam apostado no ativo durante os seus primeiros anos de existência", declara Bevilacqua.

Entre picos e vales

Aqueles que acompanham o bitcoin há mais tempo já estão familiarizados com seu comportamento altamente volátil, e sabem que é comum que a criptomoeda caia vertiginosamente de preço após atingir novas máximas.

Esse padrão foi observado ao longo de toda a existência do ativo, o que faz com que o gráfico de preços do bitcoin seja marcado por "picos" de alta e "vales" de baixa.

Tal movimento foi novamente observado após o recorde de novembro do ano passado. Desde então, o BTC perdeu cerca de 60% do seu valor, e tem sido negociado por cerca de US$ 29 mil nesta terça-feira (17).

"A queda assustou muitos dos investidores que entraram no mercado cripto durante a pandemia da covid-19, e que não estavam acostumados à alta volatilidade dessa classe de ativos", declara o sócio-fundador da Levante.

Mas, apesar dessa tendência histórica, é impossível ignorar a correlação entre a queda recente do bitcoin e os fenômenos atuais que têm sacudido os mercados globais.

O fim dos juros baixos

Com a inflação chegando ao nível mais alto dos últimos 40 anos nos Estados Unidos, as autoridades monetárias locais começaram a agir com o intuito de fazer com que os índices de preços convirjam para suas respectivas metas.

Em março de 2022, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) elevou a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, para o patamar entre 0,25% e 0,50% ao ano, dando fim ao período de juros próximos de zero na maior economia do planeta.

Diante da persistência da inflação nos EUA, o Fed anunciou uma nova elevação na reunião seguinte, dessa vez de 0,50 ponto percentual, levando a taxa básica de juros do país para o patamar entre 0,75% e 1% ao ano.

Além disso, o mercado já projeta novas altas da mesma magnitude para as próximas reuniões de política monetária, o que pode levar os juros nos Estados Unidos para um patamar superior ao considerado neutro — aquele que permite o crescimento econômico sem resultar em aumento da inflação.

"Com taxas de juros em alta não apenas nos EUA, mas em grande parte das economias do globo, os investidores têm adotado uma postura mais cautelosa, optando por ativos que ofereçam menor risco e retornos mensuráveis", afirma Bevilacqua.

Logo, há uma inversão da lógica observada ao longo dos últimos anos: a renda fixa volta a ser a queridinha dos investidores, enquanto o mercado de criptoativos passa a ser visto com desconfiança.

A derrocada do Bitcoin

Gráfico de bitcoin - Investing - Investing
Desempenho do bitcoin de dezembro de 2021 a maio de 2022
Imagem: Investing

O especialista diz que, com o aumento da sensação de aversão ao risco diante da alta dos juros, muitos investidores começaram a se desfazer de suas criptomoedas, provocando a desvalorização desses ativos.

Contudo, ele afirma que não foram apenas as criptomoedas que sofreram quedas acentuadas nessa mudança repentina de cenário. Outros ativos vistos pelo mercado como investimentos de risco mais alto, como as ações de empresas de tecnologia com modelos de negócios inovadores e disruptivos, também acumularam fortes perdas nos últimos meses.

O índice de ações da Nasdaq — Bolsa de Valores de Nova York que abriga algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo — recuou cerca de 25% desde o começo do ano, de 15.832,80 pontos, em 1º de janeiro, para 11.662,79 pontos, em 16 de maio.

"Diante da perspectiva de que os juros devem se manter em alta pelo menos no curto prazo, alguns investidores se questionam sobre quanto tempo deve demorar para o bitcoin iniciar um movimento de retomada. Já outros, mais pessimistas, temem que o ativo nunca mais recupere o patamar do final do ano passado", declara.

Bevilacqua questiona: "mas, afinal, o que os fundamentos do bitcoin têm a dizer sobre o futuro do ativo?".

O bitcoin não mudou

Apesar da mudança de postura dos investidores, o bitcoin cotado a US$ 29 mil é exatamente o mesmo negociado na casa dos US$ 69 mil de meses atrás.

Bevilacqua declara que os fundamentos que tornaram a criptomoeda mundialmente famosa e que atraíram milhões de entusiastas para esse novo mercado se mantiveram inalterados, e a confiança na rede de blockchain do BTC também não foi abalada.

Dessa forma, ele diz que, por mais que a perspectiva de curto prazo seja incerta, avalia que o mercado de criptoativos tem um futuro muito promissor, devendo resistir e se adaptar aos desafios do momento atual.

É difícil fazer previsões sobre as cotações futuras do bitcoin, mas é preciso ter em mente que se trata de um ativo escasso, que não pode ser criado de acordo com a vontade de uma autoridade central, como acontece com as moedas fiduciárias controladas pelos governos.

Dessa forma, devido à sua natureza escassa, a tendência de longo prazo do bitcoin é de valorização caso a demanda continue crescendo. Portanto, uma vez superados os desafios do momento atual, a principal criptomoeda do mercado encontrará um ambiente favorável para buscar novas máximas.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre como os juros nos EUA afetam o bitcoin.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.