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Open banking deve chegar aos investimentos; o que muda para o investidor?

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Vinícius Silva

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/09/2021 04h00

O Banco Central (BC) divulgou no último dia 9 um escopo da quarta fase do chamado Open Banking, que deve atingir o mundo dos investimentos e ter início em dezembro deste ano. Nessa fase, as instituições do mercado deverão tornar públicas as informações sobre produtos e serviços de câmbio, serviço de credenciamento, investimentos, seguros e previdência que disponibilizam.

Segundo o BC, os dados de ações, debêntures, CDBs, RDBs, LCIs e LCAs, cotas de fundos de investimento, ETFs, Tesouro Direto, CRIs e CRAs poderão ser compartilhados entre as empresas do setor financeiro. Mas, afinal, o que o investidor ganha com isso? Veja abaixo.

Compartilhamento aumenta concorrência

De acordo com especialistas ouvidos pelo UOL, a quarta fase do Open Banking deverá aumentar a concorrência entre bancos e corretoras.

"Vamos ter uma transparência maior nas taxas de administração e de performance, por exemplo", diz Marcelo Godke, professor do Insper e da FAAP.

Para Zeca Doherty, superintendente-geral da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a nova fase do Open Banking, que entra em vigor em dezembro, deverá transformar o setor financeiro no país.

uma transformação no mercado de investimentos e bancário, então vemos com muito bons olhos essa chegada", diz.

Segundo ele, as empresas vão conhecer melhor todos os aspectos da vida financeira dos clientes, e poderão ofertar produtos personalizados para o investidor. Contudo, ainda há dúvidas se isso poderá, de fato, reduzir custos ao consumidor final.

"A instituição poderá ofertar o produto de acordo com o perfil do investidor. A tendência em outros países é de redução das taxas, mas aqui a gente ainda precisa ver como as instituições vão se comportar. Há uma tendência de que, com a competição, o serviço melhore e a taxa seja menor, mas ainda teremos que acompanhar", afirma Doherty.

Investidores não são obrigados a compartilhar informações

Filipe Ferreira, diretor da Comdinheiro, lembra que os investidores não serão obrigados a divulgar seus dados com bancos e corretoras, mas que isso poderá auxiliá-los a melhorar seus rendimentos.

"Ele pode passar [as informações] justamente para ter essa possibilidade de comparação maior [entre taxas e serviços]", afirma.

"Às vezes você tem um CDB ou um fundo num banco que não está rendendo tão bem. Algum outro banco pode ver isso e decidir oferecer o mesmo produto, só que com condições melhores, com maior taxa ou sem cobrar taxa de administração, por exemplo", diz.

Segundo o professor Godke, essa nova fase dará às instituições informações mais amplas sobre a vida financeira dos investidores e, com isso, poderão fazer um intercâmbio de serviços, por exemplo.

"Se você tem um empréstimo de R$ 10 mil e um investimento de R$ 10 mil, os operadores vão poder olhar e falar: os juros do investimento são menores do que os do empréstimo, por exemplo", afirma.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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