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Greve dos caminhoneiros chega ao 6º dia e afeta serviços em todo o país

Caminhões permanecem neste sábado (26) enfileirados na rodovia Régis Bittencourt, nas imediações de Embu das Artes (SP) - Danilo Verpa/Folhapress
Caminhões permanecem neste sábado (26) enfileirados na rodovia Régis Bittencourt, nas imediações de Embu das Artes (SP) Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

Do UOL, no Rio

26/05/2018 15h30Atualizada em 26/05/2018 17h33

Caminhoneiros fazem neste sábado (26) o sexto dia da greve da categoria, ao menos 596 pontos ativos de bloqueios em estradas pelo país, segundo informou a PRF (Polícia Rodoviária Federal). A mobilização continua afetando a prestação de serviços em vários municípios. Os estados de Pernambuco e Sergipe e cidades como São Paulo e Olinda decretaram situação de emergência.

De acordo com a PRF, as interdições são "em sua maioria parciais e sem prejuízo à livre circulação". Desde 0h de hoje, afirma a força policial, mais de 500 pontos de bloqueio foram desfeitos.

O ministro da Secretaria do Governo, Carlos Marun, afirmou nesta manhã que a Polícia Federal já identificou e pediu a prisão de empresários que, segundo a União, estariam incentivando a paralisação. Eles são investigados por locaute (espécie de greve coordenada por patrões).

Marun disse ainda que o governo está aplicando multas de R$ 100 mil por hora parada aos donos das transportadoras que não desbloquearam vias e voltaram à atividade.

A interdição de estradas já é objeto de pelo menos 30 decisões judiciais, que proíbem a obstrução em diversos pontos do país, como Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Acre, Ceará, Sergipe, São Paulo, Paraná, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Paraíba e Rondônia. Ainda assim, muitos caminhoneiros permanecem mobilizados.

Na sexta-feira (25), o presidente Michel Temer (MDB) autorizou o uso das Forças Armadas para liberar as estradas bloqueadas. A Polícia do Exército chegou a escoltar um comboio de caminhões-tanque que saíam da Reduc, a refinaria da Petrobras em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A PRF também atuou no Rio de Janeiro para garantir que caminhões com combustível chegassem aos locais de destino.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que não há interrupção de serviços essenciais, mas avisou que o município possui combustível para manter as atividades apenas até segunda-feira (28).

"Não há nenhum serviço prejudicado. Os ônibus estão circulando com 50% da frota e a prefeitura está trabalhando para ter garantidos os serviços essenciais", disse. "Temos combustível disponível até segunda-feira, e porque já estamos economizando desde quarta, senão não daria."

Decretar feriado na cidade na próxima segunda, ou então ponto facultativo, foram algumas opções que chegaram a ser cogitadas pelo governo paulistano, "mas a situação está sob controle e por ora não há necessidade", disse Covas.

No Rio de Janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) declarou que hoje é "um dia decisivo" para as negociações do governo federal com os caminhoneiros e disse acreditar que a situação será resolvida até domingo (27). Em entrevista à "TV Globo", o chefe do Executivo defendeu ações mais contundentes das forças de segurança para garantir a saída de combustível das refinarias.

A falta de gasolina, etanol e outros combustíveis nos postos de abastecimento é um dos principais problemas enfrentados pela população. Também há prejuízos para o transporte público movido a diesel. Na capital fluminense, apenas 23% da frota de ônibus estão circulando. Os três corredores expressos do BRT Rio (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica) pararam de operar na manhã deste sábado. A suspensão tem tempo indeterminado.

Há ainda relatos de escassez de alimentos nos centros de distribuição. "Minha última entrega foi na terça. Desde então, estou trabalhando só com o estoque, mas hoje já tem pouca coisa, os clientes nem vem mais", conta Valdemar Moreira, que trabalha há 46 anos vendendo frutas, legumes e verduras na Cobal do Humaitá, na zona sul carioca.

Cenoura e tomate são alguns dos itens procurados que estão em falta. Com os problemas de abastecimento, supermercados na região penduraram em suas prateleiras esvaziadas mensagens pedindo a compreensão dos clientes.

A crise também afeta o transporte aéreo. De acordo com a Infraero, 11 aeroportos apresentam neste sábado falta de querosene de aviação. Os terminais não chegaram a fechar, pousos e decolagens são permitidos, mas a orientação é para que as companhias aéreas só façam aterrissagens com aeronaves abastecidas.

O governo afirmou que aguarda a chegada de carretas dos fornecedores de combustível nesses aeroportos, porém não há previsão de quando isso pode ocorrer. Passageiros devem verificar junto às companhias aéreas se os voos estão mantidos.

Os aeroportos onde há falta de querosene são: Carajás, São José dos Campos, Uberlândia, Ilhéus, Palmas, Goiânia, Campina Grande, Juazeiro do Norte, Recife, Maceió e Vitória. No aeroporto de Brasília, ao menos 29 voos haviam sido cancelados até 15h40, sendo 16 partidas e 13 chegadas.

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