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BC mantém juros em 6,5% pela 6ª vez, na última decisão antes de Bolsonaro

Do UOL, em São Paulo

12/12/2018 18h20Atualizada em 10/01/2019 17h48

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (12) manter a taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano. É a sexta reunião seguida em que os juros são mantidos nesse nível. Em março, houve queda de 6,75% para 6,5% ao ano, taxa que foi mantida nas reuniões de maio, junho, agostosetembro, outubro e nesta.

Com isso, a Selic continua em seu menor nível desde que o Copom foi criado, em 1996, e a poupança segue rendendo menos (leia mais abaixo). A decisão, que foi unânime, foi a última sob o governo Michel Temer (MDB). A próxima reunião sobre juros do BC está prevista para os dias 5 e 6 de fevereiro, quando Jair Bolsonaro (PSL) terá assumido a Presidência da República.

Aumento de juros pode demorar mais

Em comunicado divulgado após a decisão, o BC indicou que vê um quadro mais confortável para a inflação, o que deve jogar para frente o início de um ciclo de alta dos juros.

O BC melhorou sua projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2018, que agora é de 3,7%, ante 4,4%. Para 2019 e 2020, a estimativa foi a 3,9% e 3,6%, respectivamente, contra 4,2% e 3,7% anteriormente.

"O Copom está vendo cenário muito tranquilo para inflação no ano que vem, não há muito desconforto em deixar (a Selic em) 6,5% por tempo indeterminado e seguir acompanhando evolução do mercado", avaliou o economista do Santander Luciano Sobral, que prevê uma taxa básica de juros estável ao longo do ano que vem.

Taxa caiu de 14,25% para 6,5% ao ano

Em outubro de 2016, o BC deu início a uma sequência de 12 cortes na Selic, que foi interrompida em maio deste ano. Neste período, a taxa de juros caiu de 14,25% ao ano para 6,5% ano.

Juros ao consumidor são mais altos

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. A Selic não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

Segundo os últimos dados divulgados pelo BC, a taxa de juros do cheque especial atingiu em outubro 300,4% ao ano, em média. Os juros do rotativo do cartão de crédito ficaram em 275,7% ao ano, em média.

Poupança rende menos

Desde setembro do ano passado, a poupança passou a render menos devido a uma regra criada em 2012. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança é de 6,27% ao ano (0,5% ao mês) mais TR (Taxa Referencial).

Porém, quando a Selic é igual ou menor que 8,5%, a poupança passa a render 70% da Selic mais TR. Isso, na prática, representa um rendimento menor.

Juros x inflação

Os juros são usados pelo BC como uma ferramenta para tentar controlar a inflação. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo. 

A meta é manter a inflação em 4,5% ao ano, mas há uma tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo, ou seja, pode variar entre 3% e 6%. Segundo os dados mais recentes do IBGE, referentes a novembro, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,05%, portanto, dentro da meta do governo.

Para o mercado financeiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, vai fechar o ano dentro da meta, em 3,71%.

(Com agências de notícias)

Por que a inflação no nosso bolso parece maior do que a inflação oficial?

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