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Hubs de inovação conectam grandes empresas a startups e universidades

Hubs de inovação, como o Pulse, da empresa de energia Raízen, agilizam a criação de soluções e promovem um espírito de colaboração e de engajamento dentro das corporações. - Divulgação
Hubs de inovação, como o Pulse, da empresa de energia Raízen, agilizam a criação de soluções e promovem um espírito de colaboração e de engajamento dentro das corporações. Imagem: Divulgação

Julia Moióli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/03/2022 04h00

Em 2019, a Vivo entendeu que precisava garimpar talentos com mais agilidade. Para digitalizar o processo, contratou a startup Gupy. Além de facilitar o trabalho de gestores e funcionários de RH, a parceria, que hoje é responsável por todo recrutamento e seleção da empresa de telecomunicações, foi mais um passo no fortalecimento de uma cultura de inovação "caseira". E isso só foi possível graças à Wayra Brasil, hub interno de inovação e tecnologia.

Os hubs de inovação têm se popularizado nos ambientes corporativos. Por definição, são espaços de conexão entre diferentes agentes envolvidos no processo de inovação: universidades, que geram conhecimento; grandes empresas, que abrem espaço para experimentação; e startups, que ganham campo para testar tecnologias e aumentar redes de relacionamentos. Com todos trabalhando em conjunto, ganha-se dinamismo, flexibilidade e, claro, especialização.

O incentivo à inovação ajuda as empresas a se adaptar rapidamente aos novos desafios e também estimula os funcionários a pensar de forma criativa e expressar suas ideias, fatores ligados ao bom clima organizacional e a um maior engajamento.

Livia Brando, country manager da Wayra Brasil - Marcos Kulenkampff - Marcos Kulenkampff
Liderado pela country manager Livia Brando, a Wayra Brasil (hub de inovação da Vivo) gerou quase R$ 70 milhões em negócios, somente em 2021, por meio de parcerias com cerca de 30 startups brasileiras.
Imagem: Marcos Kulenkampff

"Um hub de inovação é uma via de mão dupla: buscamos tendências fora e, por outro lado, olhamos para dentro da própria empresa para entender nossas dores e estratégias", explica Livia Brando, country manager da Wayra Brasil, criada em 2011 para observar o ecossistema empreendedor e entender e antecipar novas tecnologias que ajudem a Vivo a se reinventar.

O hub da Vivo gerou quase R$ 70 milhões em negócios, somente em 2021, por meio das 30 startups em que investe atualmente. Além de já ter fomentado inovações ligadas a temas como 5G, inteligência artificial e novos negócios financeiros, de saúde e de educação, a Wayra tem como frente importante ensinar as diferentes áreas da Vivo a inovar por si próprias.

É a Wayra que organiza um programa interno de cultura focado em técnicas de design thinking e engajamento, pontos fundamentais do pensamento empreendedor. "Não adianta deixar a inovação só no discurso, ela tem que ser sentida, vivida mesmo, para as pessoas aprenderem a trabalhar sempre abertas em um formato diferente."

Mindset empreendedor e espaço para correr riscos

Nos hubs, é possível reunir conhecimento especializado em inovação e em todo o ecossistema de startups, sem a pressão para os funcionários realizarem tarefas adicionais à sua rotina de trabalho.

É o que acontece na Shift, uma das principais referências em medicina diagnóstica do país e responsável por 20% de todas as análises clínicas de exames no Brasil. "Paralelamente à nossa área de atuação, estão acontecendo inovações, com o surgimento de startups e novas frentes, e não conseguimos olhar para isso com a mesma estrutura interna", explica Vinícius Pradella, gerente comercial e de marketing da empresa. "Criamos, portanto, o hub Health Square para ter pessoas dedicadas a conhecer estratégias e o mercado, monitorar esse ambiente e trazer inovação para dentro da empresa, sem concorrer com demandas, prioridades e recursos da operação regular da empresa."

"Os hubs de inovação e as iniciativas de inovação aberta são um reconhecimento, por parte das empresas, de que elas não dão conta de endereçar todas as suas questões de mercado com seus próprios esforços de desenvolvimento. A partir desse diagnóstico, faz mais sentido procurar soluções em conjunto com startups, universidades e outras empresas", concorda o gerente de produto Caio Buti, à frente do Health Square. O hub, hoje, investe em duas startups: uma de inteligência artificial para prever níveis de glicemia para pacientes diabéticos e outra que desenvolveu um algoritmo que faz avaliação do risco motor e de queda em pacientes idosos.

Marcelo Pantoja, CEO da Z-Tech - Acervo pessoal - Acervo pessoal
A Z-Tech, hub de inovação da Ambev liderada pelo CEO Marcelo Pantoja, oferece soluções e serviços digitais para bares, restaurantes e mercados prosperarem junto com a fabricante de bebidas.
Imagem: Acervo pessoal

"Muitas vezes companhias grandes têm dificuldade de desenvolver inovações do zero pois se perdem no todo, e isso requer pessoas com skillset e cabeça diferente de quem está operando a máquina corporativa habitual", completa Marcelo Pantoja, CEO da Z-Tech, hub de tecnologia e inovação da Ambev. "Esse é o nosso papel, estimulando o investimento em profissionais diferenciados, desenvolvimento e trilha de carreira."

A Z-Tech agrega valor aos produtos da Ambev oferecendo soluções e serviços digitais para pequenos e médios empreendedores, como bares, restaurantes, mercados e comércios relacionados. Entre as inovações fomentadas pelo hub estão gestão digital de filas, reservas e pedidos e até acesso à energia limpa e mais barata. "Ao implementarmos soluções vencedoras que vieram da Z-Tech, nossos clientes prosperam e a Ambev cresce junto", acredita Pantoja.

Flexibilidade para errar e se adaptar

Outra fortaleza dos hubs é oferecer às organizações e seus funcionários a possibilidade de experimentar, testar e errar. Por exemplo, sem a parceria com startups e o olhar constante do hub Pulse para os processos internos, a empresa de energia Raízen dificilmente teria desenvolvido, testado, adaptado e implementado com sucesso e rapidez o dispositivo com algoritmo de inteligência artificial que aumenta a eficiência energética de caldeiras nas usinas de açúcar e etanol.

"Além de ter um viés de inteligência, ou seja, mostrar que estamos conectados ao ecossistema e abertos à inovação, gerando uma onda positiva, o hub nos ajuda a promover internamente uma cultura da inovação mesmo dentro de uma grande empresa, que trabalha com times operacionais sempre tentando errar o mínimo possível", afirma o diretor de Tecnologia da Informação da Raízen José Eduardo Massad, que está à frente do Pulse, nascido há quase cinco anos.

A solução que gerou mais economia e que está sendo replicada dentro da empresa é da Aimirim, uma das mais de 30 startups no portfólio do Pulse, que já executou mais de 70 projetos-pilotos na Raízen ou junto aos fornecedores de cana da companhia. "No final, temos uma relação em que todo mundo ganha", acredita Massad. "Inovação aberta é um ambiente de troca e de conexão e ajuda a abrir portas."

O Grupo Mercantil do Brasil é outro exemplo de como os hubs dão flexibilidade para grandes empresas embarcarem na jornada de inovação. Com quase 80 anos de história, trabalha com grandes negócios e, nesse contexto, qualquer mudança interna impõe um grande impacto tanto no ecossistema local quanto no sistema financeiro como um todo.

O Domo, hub de inovação do grupo, por ter estrutura separada, pode contar com mão de obra especializada presente em qualquer lugar do mundo e servir de incubadora para mudanças no Mercantil. Também facilita o relacionamento com outras empresas, principalmente as menores, que teriam dificuldades de se adaptar a processos e governança.

Felipe Boff, CEO do Domo - Acervo pessoal - Acervo pessoal
O CEO Felipe Boff destaca que o Domo (hub de inovação do Grupo Mercantil do Brasil) desburocratiza e agiliza a relação entre a empresa e parceiros.
Imagem: Acervo pessoal

"Ao criar um hub de inovação, somos capazes de agilizar processos e de fazer parcerias sem colocar empresas colaboradoras sob um escrutínio extenso que uma relação direta com a companhia demandaria", resume Felipe Boff, CEO do Domo.

Lugares Incríveis para Trabalhar

O Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da FIA para reconhecer as empresas que têm as melhores práticas em gestão de pessoas. Os vencedores são definidos a partir da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que mede a qualidade do ambiente de trabalho, a solidez da cultura organizacional, o estilo de atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições para a edição 2022 estão abertas e vão até 30 de maio.